O distraimento rotineiro o fez cair em um poço. Sim, desses, que aparecem do nada, no meio do caminho para o trabalho. Ali, aquele rapaz ficou por dias, ou meses, ninguém sabe precisar ao certo. No momento em que caiu percebeu a fragilidade da vida. Percebeu, nos segundos entre o chão que faltou e o duro cimento em que bateu, todos os músculos do seu corpo. Não importou, na queda, se era gordo ou magro, alto ou baixo, rico ou pobre. Viu-se então em um local escuro e apertado. Ouvia sua respiração desritmada, seu corpo dolorido e seus pensamentos em todos aqueles que ficaram lá em cima. Em nenhum momento pensou no seu chefe, nos colegas do bar, ou nos amigos do tênis, a quem dedicava horas de sua semana. Pensou que ali poderia ser o fim. Viu refletido em águas lamacentas o seu mais íntimo ser. Olhou com olhos de quem foi a imagem de quem gostaria de ter sido. Ninguém sabe ao certo quanto tempo se passou, mas um dia o rapaz olhou para cima. Tinha uma saída. Acima de sua cabeça havia uma escada. Texto: A Queda Autora: Natália Campos Bonazzi #aqueda #bichinhodainspiracao #oficinaescreva #escritorasinteira #escritorasescreva #cronicasdedomingo #cronicasdocotidiano #nataliacamposbonazzi #escritacriativa (em São Paulo, Brazil) https://www.instagram.com/p/CNDu3L1pOlC/?igshid=3yfobvmrwy6j














