Ele queria terminar seu discurso para sempre. Acabar com o estoque de palavras, metáforas, comparações, divagações e digressões do espírito. Ele, quase um escroque autopiedoso, fingido e dando ares de quem era compassível com a vida, sem tentar manipulá-la... Oh, que dores: pedras formavam-se dentro de si; que peso tornou-se viver! Afundou, no oceano, afundou. Quê oceano? Quê maldita poética é essa que o persegue com uma mania psicopata em juntar palavras com palavras, gerar sensações e mudar outrem? É, TUDO ISSO, seu... Não pode fugir. Não mesmo.
Mesmo assim ele faz questão em saber quantas vezes pode xingar aos céus esse presente amaldiciado que ganhaste: Astros, Deuses de nosso cativeiro-vida, qual é a escolha necessária? Tirem de mim as opções, me deixem sem escolhas, me deixem a deriva nesse manancial da vida e seus mistérios...