É verdade. Hoje foi um dia difícil, pijama, café, comida gordurosa, cama. Não teve bebida, amigos, família reunida. Só um dia quente, sem chuva no fim de tarde. O que me salvou foi vê-la. A boca desenhada e avermelhada, os olhos azuis que me remetem tanto à saudade do mar. Ela desvia o olhar, vejo um fantasma de um sorriso e mesmo triste, não escondo o amor e as bochechas muito grandes sorrindo (mesmo com o medo do dente sujo). Ela melhora meu astral, me faz sentir a mulher mais linda e amada do mundo e no entanto, uma agonia ainda está em mim. Pode ser saudade? Pode sim. É arrependimento? É sim. Tanta coisa que poderia ser e não foi, tanta coisa que não deveria ser e foi... eu deveria ouvir mais a minha mãe. Ela está certa quanto a maioria das coisas sobre a minha vida. Se eu estivesse a escutado, não estaria agoniada ou paralisada. Não estaria a mercê dos dias... das horas, esperando por algo sem luta. É difícil e dolorido, só consigo sentir e pensar isso. Difícil e dolorido, dolorido e difícil. Pois então é difícil dar um passo e dói tanto não dá-lo. E foi-se. Amanhã é sábado, dia de sol sem trabalho. Amanhã é fim de semana sem folga, sem cansaço de andar nas pernas, sem o ouvido doendo, sem a alegria de tomar um café da manhã gostoso na rua com os amigos. Dói, leitores. Mas continuo aqui, não é mesmo? Arrependimento não mata, só faz a gente pensar direito, como diz minha mãe. Como na maioria das vezes ela está certa.