Aproximando-nos ainda mais do objeto em estudo, até onde é possível alisar o estriado da cidade, do Gasômetro? A questão é tentadora, ao mesmo tempo que nos parece perigosa: talvez, a cada nova tentativa de objetivar as diferenças, tentando alisar o estriado em um projeto, corremos o risco de estriá-lo ainda mais. Mesmo assim, do homogêneo do projeto posto como possibilidade única para a área, o heterogêneo do Gasômetro no presente, com seus fragmentos e disjunções, é uma possibilidade de diálogo com os atributos do espaço liso:
“(...) se o liso e o homogêneo aparentemente se comunicam, é somente porque o estriado não chega a seu ideal de homogeneidade perfeita sem que esteja prestes a produzir novamente o liso, seguindo um movimento que se superpõe àquele do homogêneo, mas permanece inteiramente diferente dele. Em cada modelo, com efeito, o liso nos pareceu pertencer a uma heterogeneidade de base.” (Deleuze e Guattari, em Mil Platôs)
Estriado de Porto Maravilha que produz novamente o liso, da resistência dos Morros ao Devir-gasômetro: como afirmam os autores, “todo progresso se faz por e no espaço estriado, mas é no espaço liso que se produz todo devir.” Assim, a possibilidade talvez resida nos acontecimentos do Gasômetro e, novamente, nos devires engendrados no seu interior, devires que se oponham à hegemonia do Porto Maravilha, este sim, signo de progresso estriado por excelência.
Na imagem, uma alusão ao liso do feltro e ao estriado do tecido.













