A gente não se conhece mais. Não sei ao certo o exato momento que nos perdemos, mas sinto que foi quando paramos de resolver nossas brigas, deixando de se reconciliar, sem pedido de desculpas. Olho para nós e vejo a cratera que vai se espichando diante de nossos pés, e estamos deixando isso acontecer. Dizer que é o amor que está sustentando tudo até aqui, é meio injusto. Amor não é rejunte, é a obra toda e gradativamente estamos nos abandonando.
Me expressei de muitas formas possíveis, me calei, me deixei levar e me expus. A forma como me vejo sobre nós, não é mais algo bonito de se ver. Eu estou cheia de feridas abertas, pontos que se soltam à cada discussão. Me sinto fraca e sonolenta. Estou andando em círculos. Arrisco dizer que estamos acomodados nesse tempo que não para de chover, as coisas estão ficando em preto e branco. Enquanto um demonstra e luta por respostas e palavras, o outro se encarrega de colocar mais um tijolo entre nós. Eu preciso saber qual meu significado para ti.
Percorri tanto pra chegar até aqui, que me vejo entrando em ruas sem saídas, mas dou meia volta pra te encontrar, seguro tua mão por um tempo e logo elas se soltam, e eu volto para as ruas que nao tem continuação, nem esquinas, nem mão dupla. Tu precisa abrir os olhos o mais rápido possível, precisa enxergar que estamos nos afogando em água que damos pés. Porém se continuar cego, vamos morrer aqui mesmo.


















