Auto alguma coisa
Ela nasce, ela mama, ela come, ela dorme, ela cresce. Ela brinca, ela briga, ela chora, ela tem o mundo nas mãos. Ela olha, ela percebe, diferencia. Ela julga, pensa, se arrepende. Ela cresce mais e mais. E vai se enchendo de lições e de sabedoria. Ela sonha, ela imagina. Ela toca, ela mexe, ela descobre. Ela chuta, ela pega, ela sorri. Ela tem medo. Ela ouve, ela canta. Mas se cala porque não quer incomodar. Ela se tranca porque tem vergonha de se mostrar. Ela é consciente. Ela sabe. Ela é calma e parece relaxada. Ela gosta do silêncio, gosta até da solidão. Ama um tempo com seu eu. Respirar o próprio ar, olhar com os próprios olhos, sentir-se confortável. Por mais que isso faça mal. As lembranças são trágicas, mas ela se afoga em nostalgias. Isso a torna real.
Ela respira fundo e tenta esquecer. Mete a cara num livro e adia mais os problemas. Ela preenche sua mente com algo externo. Veste a roupa dos outros para sentir-se mais forte. Quanto mais se afasta de si mesma, mais estáveis ficam as coisas. Ela camufla tudo esperando que desapareça. Como se a falta da visão impedisse a existência.
Só que o tempo passa e nada some. É tudo colocado na bagagem que te acompanhará pelo o resto da vida. Só nos resta ter fé, acreditar que tudo vai melhorar. Espero que hoje comece uma era de mudanças. Boas mudanças. Algo que desbote tudo de mau que já aconteceu. Um brinde a um futuro brilhante.
Carina Di Domenico

















