Qual o caminho para a Incidência Política entre os Jovens? - Algumas Reflexões acerca do 3º Encontro da Juventude: Uma Política em Construção
O 3º Encontro da Juventude: Uma Política em Construção foi um momento de grande importância para o Programa e para demarcar politicamente a sua trajetória em Campinas, além de possibilitar aos jovens que estiveram presentes o contato com o Panorama do Jovem no Brasil e as perspectivas das Políticas no município.
O Guia da Juventude, construído a várias mãos de integrantes do Grupo de Trabalho Interinstitucional, foi lançado pela Plataforma http://www.guiadajuventude.org.br/ , onde é possível encontrar textos de referência para a construção de Política efetivas de Juventude em Campinas. Vale ressaltar que os autores deste guia são profissionais ou militantes de Organizações Governamentais ou não ou de Coletivos de mobilização.
A participação de Miriam Abramovay e Áurea Carolina trouxeram aos presentes, na primeira Mesa Roda Viva do dia, alguns dados referente a pesquisa sobre Juventudes no Brasil e um testemunho riquíssimo sobre o Fórum de Juventude de Belo Horizonte, o qual tem sua trajetória iniciada em 2004 e hoje mobiliza não só na capital de Minas Gerais, mas nas cidades do entorno. Uma história com muita semelhança com a do Programa Juventude: Uma Política em Construção, mesmo este sendo mais recente. Mirian trouxe uma preocupação muito grande referente a Educação, pois são cerca de 07 milhões de Jovens que estão fora dos bancos escolares e nem completaram o Ensino Médio. Deste número a maioria são de mulheres jovens, uma vez que elas ficam grávidas ou sofrem pelo machismo da sociedade. E Aurea trouxe uma preocupação em relação ao Genocídio da Juventude Negra, a questão de gênero mais especificamente em relação as Mulheres Jovens Negras e ainda refletiu sobre o quanto é fundamental que se mude a forma de acessar o jovem, pois as assembleias tradicionais já não dão mais conta de promover Incidência Política entre as Juventudes. E este bloco da manhã foi finalizado com um rap cantado pela Aurea, um rap que enfatiza a necessidade da recuperação da autoestima das mulheres negras.
A tarde começou com várias oficinas e rodas de conversa sobre vários temas: sobre meditação, ensino profissionalizante, torsos e turbantes, rap, metodologias de coletivos, teatro, improviso de dança, política, intervenção da Rede de Juventudes, entre outros. Há quem diga que o ambiente estava extremamente movimentado e confuso pela variedade do “tudo ao mesmo tempo já”, mas como inserir, como articular, como mobilizar, como fazer o jovem incidir politicamente em espaços com formatos do século passado? Como fazê-lo interessar-se por Políticas Públicas de Juventude em ambientes que oferecem um formato ultrapassado diante de tanta tecnologia digital ao alcance de grande parte destes jovens?
Depois de muito movimento e de “tudo ao mesmo tempo já” uma Mesa sobre as Políticas de Juventude nas instâncias municipal e nacional trouxe aos presentes um pouco sobre um breve panorama em relação as tais políticas. Gabriel Medina, Secretario Nacional de Juventude, Felipe Gonçalves, Coordenador da Coordenadoria Municipal de Juventude, e Lilian Silva, Conselheira Municipal de Juventude compartilharam o quanto ainda há para ser feito. No âmbito nacional, alguns programas estão sendo realinhados, como é o caso do Juventude Viva, o qual passará por uma ampliação. No âmbito municipal, a Coordenadoria tem um Coordenador empossado, no entanto não há um recurso destinado para as Juventudes e tampouco um planejamento sobre possíveis ações, fazendo com que seja necessário articular com outras Secretarias Municipais. E quanto as ações do Conselho, este foi empossado no fim do ano de 2015 e estão em fase de planejamento.
Diante deste cenário é essencial promover a Incidência Política entre as Juventudes para que possam apropriar-se do fazer e influenciar na construção e composição destes espaços, na construção das políticas. E uma formação adequada também é importante, uma vez que não é tranquilo para os jovens o domínio sobre política.
Para encerrar o dia, Função Original e Fuluke e a Máfia Afrikana trouxeram reflexões importantes sobre a sociedade, sobre militância, sobre a autoestima da negritude por meio do rap, por meio da música que criam e recriam na “quebrada”.
E assim foi o 3º Encontro da Juventude: Uma Política em Construção e algumas reflexões que emergiram dos debates, das atividades, dos encontros e reencontros, das trocas e compartilhamentos.
Seguindo na mobilização das Juventudes…
Por Vanessa Dias - Articuladora Sócio-cultural e Pedagoga