“You’re not a monster.” ( this from louis feels,,, infinitely better and im,, hhhhh )
From one monster to another, the irony couldn't be greater. Feeding on animals makes Louis still less of a threat Cain would wipe from existence. Yet, he can't shake the hilarity of a vampire telling him that. Disbelief knits his brows together, a couple blinks not averting his eyes from Louis— he waits for a punchline. It doesn't come. Strangely comforting, because isn't that what Cain aims to achieve since the curse was lifted? To no longer be seen as an instrument of cruelty?
" I'm afraid your gracious opinion doesn't negate the fact that I haven't been human practically since the dawn of man. " Demon. An abomination. He can't help but intuitively deny the good, once pointed out. " Now, what would you say makes someone a monster? "
Competitividade era algo que corria pelas veias de Autumn — o que tornava imensamente mais decepcionante o fato de não poder praticar esportes em sua infeliz totalidade. Talvez, quem sabe, o Narrador tenha feito de propósito: lhe desgraciado com tamanho sono para que toda sua vida fosse rodeada de drama e impedimentos. Não poderia negar que renderia um bom conto, mas precisava ser o dela? Merlin, no fundo, deveria agradecer todos os dias pela quantidade de coisas que a garota era impossibilitada de fazer devido aos seus apagões. Sejamos sinceros, seriam confusões demais para dar conta se pudesse aprontar sem a chance de dormir repentinamente. Levando em conta todos esses fatores, não era difícil imaginar que a aderense era um tanto quanto boa torcedora quando aquela época do ano chegava nos ares do instituto, fazendo seus aprendizes inspirarem e expirarem rivalidade. E, por boa torcedora, leia-se: gritar nas arquibancadas e alimentar discussões triviais e momentâneas naqueles jogos eram sua especialidade. Naquele dia, inclusive, estava especialmente feliz, considerando a vitória de sua casa sobre a Ralien, o que arrancou gritos exaltados da arquibancada, os aderenses e qualquer um a torcer contra os ralienos tomados pela empolgação da partida bem-sucedida.
Estava pronta para acompanhar o restante do torneio naquela tarde, ainda decidindo se deveria torcer pelos seus colegas da Imre ou da Anilen, quando o absurdo, o inacreditável, aconteceu. Os jogadores se transformaram em ogros horrendos diante dos olhos de todos os espectadores, a torcida incrédula por um momento antes dos gritos de empolgação darem lugar à gritos desesperados — o de Autumn incluso. Precisava fugir e, no meio de todo aquele caos, sequer teve tempo de se aproximar de alguém específico para saírem juntos dali. Bom, estava ela por ela naquele momento. Desatou a correr e tudo que podia esperar era que no castelo estaria segura — e encontraria seus amigos todos bem. Qual foi sua surpresa, então, a de topar justo com Soren assim que pôs os pés no local? Justo a pessoa de quem estava fugindo pelo sonho que teve, Narrador? Sério? ❝Ai, mas tinha que ser você, né?❞
Não era hora e nem lugar para pensar naquilo, obviamente, mas não conseguiu conter o próprio choque ao refletir novamente sobre o teor do sonho e na situação que estavam vivenciando ali. E se… algo acontecesse a Soren? No meio daquele caos… seria essa a sua premonição? Fitou o anileno por um instante, absorvendo os próprios pensamentos, antes de dizer: ❝Escuta aqui: você não tem autorização de morrer hoje, ‘tá me ouvindo?❞ Óbvio que eram palavras inúteis de se dizer, dado o cenário atual e estarem impossibilitados de tomar qualquer atitude funcional a respeito, entretanto era inevitável a preocupação. Ela não queria acreditar que poderia estar sonhando com mortes reais. Podia provocar o herdeiro de Corona e encherem a paciência um do outro, mas vê-lo morrer não estava nos seus planos. ❝Trate de ficar vivo, Fitzherbert.❞ Seu tom sequer disfarçava a própria apreensão e, tendo desviado a atenção momentaneamente para o príncipe, não percebeu o ogro que se aproximava dos dois. Digamos que o susto da garota foi tamanho que, bom, vocês já sabem: ela apagou.
* * *
Após quase duas décadas amaldiçoando seus poderes, Soren se via vergonhosamente dependente deles no momento. Ah, a ironia… Podia viver muito bem sem ela, obrigado. Infelizmente, o Narrador não parecia compartilhar do mesmo pensamento. Monstros resistentes a magia? Era pra acabar com qualquer príncipe de armadura brilhante — e ele sequer possuía uma. Enquanto atravessava os jardins de Dillamond com dois ogros em seu encalço, quase sentiu uma centelha de simpatia pelos ralienos e seus futuros atormentados por criaturas como aquelas. Claro, o lapso não demorou a passar. Sua mente tinha coisas mais importantes para lidar, como por exemplo, encontrar algo afiado e pontiagudo para imobilizar os pés incrivelmente rápidos que o seguiam. Puta que pariu, aquilo não fazia o menor sentido, nada fazia!
Contudo, não era hora de questionar as leis da física. Uma breve olhada para trás, que lhe causou uma pontada dolorida na altura das costelas, foi o suficiente para confirmar o que seus ouvidos já alardeavam: seus perseguidores se aproximavam. Esticando uma das mãos às costas, permitiu-se liberar um pouco do seu poder, os lábios delineando a palavra “ Germinare ”, um segundo antes da magia atingir a terra atrás de si num borrão escuro. Ao invés de florescerem belas e delicadas plantas, do encantamento de Soren ergueram-se ramos secos, de galhos grossos e espinhosos. Os jardineiros de Aether teriam muito com o que trabalhar quando — se —, tudo voltasse ao normal, considerando que aquela estava sendo sua estratégia de retardamento desde que pisara em solo gramado.
Talvez devesse começar a pensar nos marceneiros, também, pois ao voltar a correr, as portas laterais do castelo entraram em seu campo de visão — e não havia chance alguma de que fosse abri-las gentilmente. Sua respiração vinha sofregamente e a lateral do corpo protestava com cada movimento, ainda assim, impulsionou-se com mais afinco em direção a entrada, os dedos já formigando pelo que estava por vir.
“ Aperire! ” O estrondo que seguiu as palavras geralmente significava uma longa detenção, porém, agora era o prenúncio de um aumento exponencial da sua expectativa de vida. Estilhaços de vidro e madeira se espalharam pelo terraço e além, não demorando a serem espatifados sob o peso das botas de Soren.
Raros eram os momentos em que mente e instinto trabalhavam em harmonia com o príncipe, mas agora pareciam uma sofisticada melodia: clara e precisa. Sabia para onde ir, como chegar e, uma vez no local, o que pegar. Cruzava com rapidez e naturalidade os corredores, não alheio aos eventuais gritos e baques que vinham de lugares próximos, quando deslizou numa parada abrupta. A sua frente, bloqueando o caminho, estava um ogro. Ótimo. Grandes, ligeiros, resistentes e silenciosos.
“ Porra! ” soltou entredentes, voltando-se sobre o calcanhar para correr na direção em que viera. Sua má sorte ultimamente estava pegando turno duplo, horas extras e tudo mais que tinha direito, era quase ilegal. Apressou-se, então, pela primeira entrada livre a sua direita, fechando a porta ao passo que exclamava “ Petrefactum ”, as mãos espalmadas contra a madeira. Logo era em pedra que tocava, dura e espessa, espalhando-se também para as paredes. Tinha que servir, pensou, já se movendo para o portal oposto. Sem perder tempo, repetiu o encantamento, tendo como som de fundo batidas surdas, insistentes. Certo, aquilo retardaria o avanço do monstro, mas ainda tinha meio castelo para atravessar até que pudesse chegar ao ginásio. Uma breve inspeção foi o suficiente para perceber que estava próximo do saguão principal. Sem mais empecilhos, estaria empunhando uma espada dentro de instantes. Uma visão bastante otimista e improvável, dado quem era; a voz que escutara em seguida apenas comprovando isso.
“ Sempre um prazer, Tonton ” retrucou, o trejeito galante falhando miseravelmente na rispidez do tom — ser charmoso e buscar por ar simultaneamente não estava se mostrando tarefa fácil. Confiante da resistência do encantamento, afastou o corpo da parede recém criada, indo em direção a Autumn de forma semelhante à que fizera no Calanmai. A ação, junto com o uso do apelido adotado desde então, trouxera lembranças da noite — que, inclusive, recordava detalhadamente. Assim, não deveria estranhar as palavras incoerentes da Stein, conhecida por sua tagarelice ímpar. Contudo, o cenho teimava em franzir, confuso ante a formulação do aviso. Soava muito específico, como se… E então veio a desconfiança, sentimento sempre presente nas últimas interações entre eles. Sonhara com ele novamente? O que exatamente ela sabia? As perguntas o perturbavam, mas se forçou a uma parada ao chegar perto da figura diminuta, limitando-se a sorrir com picardia mesmo naquele tipo de situação. “ Não está nos meus planos fazer o contrário. ” Mas talvez estivesse nos do Narrador, pois a próxima coisa que soube, foi que tinha uma bela bastante adormecida caindo aos seus pés. Ah, ele nunca perdia o toque.
Instintivamente, precipitou-se sobre a aderense, segurando-a contra o próprio peito firmemente, apesar do disparo de dor sentido nas costelas. Os dentes trincaram com o movimento repentino, rangendo ao ver a causa do apagão. Soltou o ar num bufar irritado, adrenalina sendo liberada em sua corrente sanguínea a cada passo que a criatura dava para onde estavam. “ Fuck. Me. ” amaldiçoou sob a respiração. Aquilo era apenas ótimo. Quantas daquelas coisas estavam no castelo, afinal? Não importava o número, fora ingênuo ao pensar que enfrentaria somente três. Com sua sorte, toparia com todos os transformados até o fim do dia — isso é, se chegasse a vê-lo, é claro. Não obstante os pensamentos pessimistas e a tensão causada pelos hematomas adquiridos anteriormente, jogou o corpo de Autumn sobre o ombro, erguendo-se sobre os pés com presteza. Sem perder tempo, enrolou um braço contra as pernas alheias, estendendo o livre enquanto dava passos em direção a escadaria. “ Liquefiat ”, proferiu, mirando o chão à frente da besta. O mármore não demorou a ceder, chiando ao ser consumido pela magia. Uma armadilha de pedra derretida. Esperava que o ogro não fosse tão inteligente quanto era rápido, porém, não esperou para ver se seu plano daria certo. Correu pelo saguão, seguindo a estratégia momentaneamente esquecida. Sem armas, com uma garota sobre o ombro e incapaz de usar feitiços mais eficientes… Suas chances não eram boas, muito menos as da Stein. Que bom, então, que pela segunda vez ouviu uma voz inesperada.
“ Parece que você precisa de uma mãozinha, mon cher. ”