A restrição das nossas actividades e liberdades habituais deixa-nos, para além de ansiosos e preocupados, também num estado de apatia e desespero com o dia a dia que agora nos vemos obrigados a mudar.
Quebram-se as rotinas, os afazeres, mas também as idas ao ginásio, o convívio com família e amigos, cinema, restaurantes... Basicamente tudo o que fazíamos sem pensar duas vezes ou considerar de grande importância, e que agora nos parece de ouro.
Percebemos que o nosso tempo a sós afinal é valioso (para quem está numa casa cheia de gente), e como também nos faz tão bem poder estar junto de quem gostamos (para quem vive sozinho).
Eu pertenço aos dois grupos, o meu namorado chegou a Portugal dias antes do primeiro Estado de Emergência e acabou por ficar cá retido, o que nos levou a uma aprendizagem de como lidar um com o outro numa situação de 24h/24h. Mas agora ele está para partir (se não houver cancelamentos) dia 14, e vou ter de me ver a braços com a realidade de ficar completamente sozinha, com o meu Pepper claro!
Já ouvimos que à partida antes de 1 de Maio a situação não se altera, e é inevitável pensar já não mais no vírus, que de certa forma já se instalou como uma naturalidade, mas no lado prático da vida. Se o dinheiro não entra, mesmo que se cortem os pagamentos mais elevados para já, ele continua a sair em alimentação e afins. Se esta situação se arrastar por mais tempo, o meu posto de trabalho pode desaparecer. Se o mundo passou a ser as paredes da minha casa, o meu corpo e mente vão começar a atrofiar.
Infelizmente nem toda a gente tem a sorte de viver em condições que lhes permitam o conforto que tomamos por adquirido, e essa é mais uma preocupação que me aflige.
Mas o que fazer, visto que nada mais podemos fazer senão esperar?
No meu caso, que felizmente me conheço bem, estou a aproveitar para explorar mais o que realmente gosto de fazer e me faz feliz - ler, escrever, cuidar de mim, mudar coisas cá em casa, voltar a ligar-me ainda mais ao meu lado espiritual e agora fazer videos para exteriorizar o que sinto e o que penso.
Sou uma procastinadora nata, então tudo o que me proponho a fazer demora até arrancar, mas depois não há quem me segure!
Será que é desta que começo a escrever o livro que há tanto tempo anda aqui a passear na minha mente?
Quem sabe esta quarentena não pode ser uma oportunidade para também tu explorares os teus talentos escondidos e trazer cá para fora as ideias que a falta de tempo forçou a enterrar no baú?