depois
diga depois. quando as coisas ruins vierem te pinicar, quando a dor chegar, a amargura apertar, a melancolia tentar abraçar, simplesmente diga em alto e bom tom:
depois.
fale que agora não dá, pois agora tudo espera o carnaval! digo "tudo" e não "todos" porque até o que não é gente, mas vive, espera essa época de folia. a natureza faz florescer, o clima fica ameno, ensolarado e até vendavais param pra nos livrar um pouquinho dessa gigantesca agonia.
dessa árdua rotina que é viver em uma cidade cinza, onde a chuva não vem mais pra acalentar ou refrescar e sim destruir e matar, onde a fúria e o ódio falam mais alto que a paixão.
tudo agora espera o carnaval e eu vou confessar que eu demorei pra entender a motivação. antigamente eu me enclasurava na escuridão de minha melancolia anti-social e me orgulhava muito de estar ali, criticando o que assistia na televisão.
hoje em dia é diferente. não faço parte da festa, não danço a marchinha junto da multidão, mas compreendo os motivos de estarem ali, saltitando e cantarolando sobre a cabeleira do zezé.
o amor está lá e é importante a gente comemorar quando o amor se encontra, ele tá na eufória daquela pessoa que mesmo naufragada em problemas, consegue cantarolar um hino de décadas que seu avó e bisávo provavelmente também cantaram.
enquanto o amor for contra-ponto do que é racional, será sincero e bom. e quando aquele que voce julgar maluco por não estar triste diante de uma deplorável situação, conseguir tirar alegria da dor e comemorar seja lá o que for, saiba que ele é mais são que voce que não rebola ao ouvir um samba de joão.












