— Quando eu chamar seus nomes – dizia a professora Minerva McGonagall para os primeiranistas. Neville observava tudo de longe, perguntando-se onde estariam Harry e Ron: sempre que ele não estava com os dois, sentia-se extremamente só. Talvez, estar com Harry Potter, O-Menino-Que-Sobreviveu, compensasse o fato de Neville ser uma espécie de aborto – vocês porão o chapéu e se sentarão no banquinho para a seleção. Ginevra Molly Weasley! – a mesa da Gryffindor agitou-se, todos ansiosos para saber em que casa a garota cairia (mas, é claro, todos podiam supor a resposta, afinal, ela era uma Weasley!).
— Ah, mais um Weasley – exclamou o Chapéu assim que a ruiva o colocou na cabeça – E dessa vez uma menina! Gryffindor! – a mesa da Gryffindor prorrompeu em vivas, e todos se levantavam para das às boas vindas à menina Weasley.
— Luna Lovegood – a voz da Professora McGonagall interrompeu as comemorações, fazendo a atenção de Neville cair em uma cabeleira loira que tentava sair do meio das outras crianças. Ela olhava sonhadoramente para os lados, e, por alguma razão, o coração de Neville disparou ao encontrar por alguns segundos seus olhos nos dela.
— Com sua licença, Senhor Chapéu – pediu a menina antes de pô-lo na cabeça. Algumas crianças soltaram risinhos, mas, felizmente, os olhos e ouvidos da menina já estavam bem cobertos pela aba do Chapéu.
— Hm, interessante – murmurou o Chapéu, e então ouviu-se a voz da menina:
— O que seria “interessante”?
— Você tem uma mente bastante fértil – disse o Chapéu, e seu tom de voz soou a Neville um pouco como ofensa, mas a garota pareceu não notar – Uma mente realmente muito fértil e produtiva. Por isso você deve ir para a Ravenclaw! – todos esperavam que a mesa da Ravenclaw explodisse em vivas, como de costume, mas apenas alguns alunos bateram palmas e parabenizavam Luna. A maioria, porém, a olhava como se fosse um bicho muito estranho, e alguns ainda davam risinhos. De longe, Neville observava aquela cena indignado.
Contudo, Luna pareceu não se abalar com aquela recepção calorosa. Sentou-se no banco com um enorme sorriso e cumprimentou a todos. Quando McGonagall chamou o próximo aluno (Colin Creevey), Luna passou a observar tudo, até que seus olhos encontraram os de Neville.
A mesa da Gryffindor pulou de alegria quando Creevey sentou-se junto a eles, mas Neville não estava dando atenção. Luna não desgrudara os olhos dele desde então, e ele não conseguiu desviar o olhar. Aqueles eram os olhos mais lindos que já tinha visto em toda a sua vida, de uma profundidade impressionante.
Em algum tempo, a comida surgiu diante deles, e o menino tentou comer de modo a continuar olhando para Luna, mas ela já não lhe dava mais atenção – ela agora brincava com um pedaço de rabanete. Deprimido, Neville se deixou distrair pelos Weasley, que faziam graça a valer.
Logo o jantar acabou, e os alunos foram se deitar. Neville andava preguiçosamente pelo corredor quando Luna aproximou-se saltitando, sem se dar conta de que tinha companhia. E então, antes que pudesse parar, Luna deu um baita esbarrão no menino, assustando-o.
— Ah, olá – disse ele, nervoso, quando viu quem era.
— Olá – cumprimentou Luna docemente, dando um sorriso – Desculpe pelo esbarrão. Durma bem – ela sorriu novamente e foi-se embora saltitando, e o garoto percebeu como era maravilhoso ser diferente dos outros.
(George para Imaginemanydragons)







