Tudo bem tranquilo, aparentemente tudo super bem, mas ...
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Tudo bem tranquilo, aparentemente tudo super bem, mas ...
É tão bom ver que pouco a pouco foi sumindo, e finalmente chegou a hora da qual não restou absolutamente nada.
Cada um irá para o seu lado, levando metade das coisas e a própria versão da história. E o tempo vai passar. Você vai evitar algumas esquinas. Alguns amigos o evitarão. Certas datas serão um saco. Algumas noites serão incríveis. Mas, numa madrugada — talvez chuvosa, talvez enluarada —, num supermercado ou numa caminhada à beira-mar, num jardim entre roseiras ou num coquetel em meio a desconhecidos, a saudade vai bater. Como um soco na cara, uma dor no peito, um infarto, uma lágrima de sal. Ou não.
SOBRE O FIM DO AMOR Por Leticia Wierzchowski
Agi como uma princesa a ser conquistada. Mas eu sempre esperava que você fosse conseguir, que você seria o príncipe. Que tolice a minha! Príncipes não existem!
Quem sonhava em escrever em alguma foto nossa: “Eu quero a prenda imensa dos carinhos teus” Chico Buarque
Sobre a salada de macarrão
Toda vez que eu como salada de macarrão, lembro do dia em que você chorou perto de mim pela primeira vez. Tempos difíceis, meu bem. O mundo sobre nossas costas. A salada de macarrão no prato e seus olhos grandes perdidos, sem saber o que fazer. Meu coração ficou apertado demais nesse dia. Talvez você nem se lembre. Te comprei doces e voltamos abraçados pra onde tudo começou. Eu era seu apoio e eu percebi isso. Ser o apoio de alguém, já te disse, é um peso. Mas ter o outro de apoio deixa o coração quentinho em troca.
Nós, muletas sentimentais um do outro. Muletas gastas, remendadas, estragadas, ensanguentadas. Mas ainda apoiando um ao outro. Um dia, você se foi. E eu me fui. E aprendemos a andar com as próprias pernas.
Mas toda vez que eu como salada de macarrão e ouço you and me e vejo la vie d'Adele e é 6 de fevereiro ou 4 de junho, meu coração ainda aperta como naquele dia. Você, meu primeiro e maior cúmplice, dos crimes de amor cometidos, das injúrias ciumentas, da invasão de corações alheios me demonstra gratidão e cumplicidade em troca (mesmo que pra isso tenha que esbravejar em caixa alta que "VOCÊ É LOUCA"). Mesmo por isso, te desejo um prato de salada de macarrão e lembranças doces de sobremesa.
É bom saber que você estava lá Obrigada por agir como se você se importasse E fazendo-me sentir como se eu fosse a única É bom saber que tivemos tudo isso Obrigada por assistir enquanto eu caio E deixar-me saber que acabou entre nós
Não sou muito boa em fingir, então é possível que eu fique reparando na decoração enquanto você contabiliza as suas conquistas, menciona algumas perdas, aquelas coisas todas que se costuma fazer quando há um interlocutor interessado. Pode ser que eu boceje, mas é porque tenho dormido pouco e trabalhado muito. Não será uma indireta de que o papo não tá legal. Não vou ignorar a velha intimidade e nem usar de subterfúgios para ser menos eu, espero que isso não te assuste. Ainda bocejo durante todo o dia quando durmo menos que o necessário, sem tampar a boca, e coloco os pés descalços no sofá. Desejo uma vida tranquila para você, mas guardo os melhores desejos para mim.
Tá vendo a felicidade ali na frente? Não, você não tá vendo, porque tem uma montanha de dor na frente. Continue andando. Você vai subir, vai sentir frio lá em cima, cansaço. Vai querer desistir, mas não vai desistir, porque você é forte e porque depois do topo a montanha começa a diminuir e o único jeito de deixá-la pra trás é continuar andando. Você vai ser feliz. Tá vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que tô falando a verdade. Eu não minto. Vai passar.