se sentir um lixo que finge estar tudo bem
Tem dias que eu olho no espelho e não me reconheço. Não porque mudei. Mas porque me apaguei.
Tudo em mim é esforço. Até respirar parece um projeto difícil demais pra essa alma cansada. Mas eu saio. Eu falo. Eu rio. Eu interpreto. Como se eu ainda estivesse ali.
A verdade é que ninguém percebe quando a gente vai sumindo aos poucos. Você pode estar com um buraco no peito, sangrando por dentro, e o mundo só vai reparar se isso atrapalhar o que eles esperam de você. Então você aprende: sangra em silêncio. Chora no banho. Desaba à 1h da manhã, quando ninguém pode ouvir.
O que ninguém vê é que cada "tá tudo bem" carrega um pedido de socorro disfarçado. O que ninguém entende é que fingir estar bem cansa mais do que estar mal de verdade.
Eu sou bom nisso. Tão bom, que até esqueço como era ser sincero. A dor virou roupa. A tristeza, rotina. A apatia, modo de sobrevivência.
E o pior? É que às vezes, nem eu sei mais onde começa o fingimento e onde termina o pouco de mim que sobrou.
Por: LegendZilla.
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