"Feels, Dor, Sofrimento" GaeAra
Arata nunca dormira bem na vida, uma noite como aquela não seria diferente.
Despertou com um meio grito nos lábios, segurando-se para não soltá-lo. Agarrou os lençóis, tentando aliviar a dor do peito comprimido. Por estar frio, a respiração dele saía em um vapor quente, a fumaça iluminada pela fraca luz que vinha da rua. Forçou-se a respirar, usando um daqueles truques ridículos que aprendera no trabalho. Por fim, seu olhar percorreu o outro lado da cama.
Gaetano não estava lá.
Mordeu os lábios, o pânico vindo em ondas crescentes. Onde estava o maldito italiano? Era o meio da noite, e apesar de ter o hábito, Arata ainda esperava que quando acordasse, o namorado estivesse lá.
Levantou-se, o sono lhe abandonando completamente.
Sabia que estava sendo bobo, e que Gaetano estaria em algum lugar da casa, apesar de ser tarde ainda. Mas mais do que tudo, sentia-se impotente. Tudo que pudera fazer fora chorar sobre o corpo dele, sorvendo do sangue e de suas próprias lágrimas enquanto esperava a ajuda chegar. Não conseguia se recordar direito de como chegara ao hospital, suas memórias apenas mostravam Ottiero chegando e cuidando de tudo. Devia muito a ele por isso. Se a situação se repetisse, Arata duvidava que poderia fazer muito além de chorar.
E se fosse apenas um sonho? E se estivesse sonhando, entrasse na sua sala de estar e visse o cadáver de Gaetano a lhe esperar em sua porta? Ou estava vivendo um sonho em que Gaetano continuava vivo…
— Arata? — ouviu ele lhe chamar para a cozinha, e seguiu até lá, passos ecoando em seu apartamento..
— Gaetano — sua voz tremia então seu pedido não passou de um sussurro. Aproximou-se dele, em silêncio. Pelo que estava vendo, Gaetano sentira fome e estava preparando algo para comer, mas isso não importava muito a Arata.
A cicatriz.
A deformação era pequena, era do tamanho exato da ponta de seus dedos. Tocou-a, já conhecendo seu formato exato. Poderia reproduzi-la em qualquer lugar. E a odiava. Era uma memória constante de sua quase perda, de que o mundo teria seguido adiante sem Gaetano. Nunca parara para pensar direito, mas não saberia qual seria sua reação caso o italiano tivesse morrido. Talvez sua alma fosse com ele para a próxima vida. Ninguém no mundo poderia substituí-lo e Arata sabia que seria inútil sequer cogitar tentar. Encostou sua testa em seu peito, apenas respirando contra ele.
Ele estava quente, vivo. E ali.
— Pesadelo?
A resposta veio em forma de lágrimas a molhar seu peito. Gaetano apenas suspirou, tomando o homem em seus braços, sem dizer mais uma palavra.















