Everybody lies. Sou um amante do bom e velho português, de verdade, mas essa frase tem rondado a minha mente nos últimos dias e tem vindo assim, em inglês e na voz do Dr. House.
Não é a primeira vez que isso acontece. A primeira deve ter sido há uns cinco ou seis anos atrás, quando escutei o Dr. House proclamando essa verdade em algum episódio da primeira temporada. (achei: https://www.youtube.com/watch?v=CZR2k5c_198)
A mentira é realmente inerente à condição humana. Todo mundo mente. Dizer isso assim parece ser duro, mas o pior mesmo é que essa condição também me incluí.
O fato é que números não mentem, então, vamos a eles: 60% das pessoas mente para o namorado(a) quando este(a) as convida para sair e elas não estão lá muito afim. Ao invés de afirmarem a verdade, mentem inventando uma desculpa para proteger o parceiro delas próprias.
74% das pessoas não contaria para o próprio irmão(ã) se soubesse que o cônjuge deste(a) o está traindo. Do mesmo jeito, 47% das pessoas mentiria para pagar menos imposto e 40% mentiria para o chefe dizendo que estava doente para faltar o trabalho e viajar com os amigos.
A mentira mais contada é “está tudo bem”, a segunda é “eu não sabia” e elas vem seguidas por “eu estava só brincando”, “meu celular estava sem bateria” e “já estou a caminho”. Quem nunca? Essa é a pergunta da vez, meu amigo.
Então, sim, tem um motivo para essa frase estar rondando a minha cabeça com a voz do Hugh Laurie. Mas isso justifica qualquer mentira, retira as consequências das que contei ou coisa do tipo? Claro que não!
Isso só prova que somos todos humanos e que todos estamos presos a essa mesma natureza. O assustador, mais uma vez, é perceber que eu não sou diferente. E você também não. “Aaaaah, mas eu sempre tenho um bom motivo pra mentir”, você certamente vai dizer. Isso pode até ser verdade pra você, ou não, na verdade. Porém, nem sempre o seu amiguinho tem que sofrer as consequências dos seus motivos, mesmo que eles sejam verdadeiros.
O mais complicado ainda, nessa minha inflexão sobre o mundo da mentira, é perceber que muitas vezes mentimos para proteger a nossa própria dignidade. Isso não é um paradoxo gigantesco? Eu minto para proteger a minha integridade, para esconder alguma falha minha, como se o simples fato de contar uma mentira não fosse suficiente para destruir completamente qualquer integridade que exista dentro da minha pessoa.
Esses seres humanos não tem jeito mesmo.
O fato é que todos temos motivos verdadeiros para mentir, às vezes. E todos nem sempre temos condições de fugir dessa verdade, ou dessa mentira, como queira. Somos, então, todos, reduzidos a pequenos mentirosos, uns mais, outros menos, mas, sim. Everybody lies.
Resta a você saber o que fazer com a mentira alheia. E com a sua também.
(os números e o ranking das mentiras são verdadeiros e foram retirados da edição de julho de 2015 da Revista Superinteressante da Editora Abril)