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HELLO AND WELCOME BACK TO MY COMPLETELY NECESSARY EDUCATIONAL INITIATIVE TO STOP YOU PEOPLE FROM EMBARRASSING YOURSELVES BY BEING CULTURALLY MALNOURISHED GRINGOS. THAT'S RIGHT, IT'S THE ALTERNIAN CULTURAL EXCHANGE PROGRAM! TRY TO KEEP UP.
AND BEFORE ANYONE MAKES ME EXPLAIN THIS FOR THE THIRD FUCKING TIME, YES, ALTERNIA HAS MUSIC GENRES YOU DON'T HAVE ON EARTH. SHOCKING, I KNOW. APPARENTLY AN ENTIRE PLANET CAN DEVELOP ITS OWN CULTURE WITHOUT ASKING HUMANITY FOR PERMISSION FIRST. SO IF THE GOAL IS TO EDUCATE YOU FUCKHEADS ON NON-AMERICAN MUSIC, THEN FINE. I'LL SING SOME OF THOSE GENRES MYSELF. CONSIDER IT A PUBLIC SERVICE. YOU'RE FUCKING WELCOME.
TODAY’S GENRE IS: FUNK CARIOCA!
SOUNDCLOUD / BANDCAMP / YOUTUBE
LYRICS BY ME UNDER THE CUT
[RAGE RAGE BOOM (FUNK REMIX)]
Hey
Broadway Karkat's in charge, hey!
Watch me lose it, go (hey)
Wait, hold on
Where is tan-tan-tan-tan?
Haha, watch this game burn now, go
Hey, hey, hey, go
Hey, haha hey, shit is heavy, huh
Hey, hey, hey, go
Hey, hey, hey, haha
Whole session
Burning, burning, burning, burning, burning here
Whole damn session
Burning, burning, burning, burning, burning there
Whole session
Burning, burning, burning, burning, burning here
Whole damn session
Burning, burning, burning, burning, burning there
Today I'm stressed as hell
Carrying this whole damn team
It's everything I dreamed
If by dream you mean scream
I'm right about to blow
And this session's set to break
Go, rage, rage, rage, rage, rage, boom
Go, rage, rage, rage, rage, rage, boom
Alright, trolls wanna talk big
But they don't understand a thing
If you wanna step up
I'm the one doing everything
Better make some room
'Cause I'm headed straight for doom
Hey, hey, hey, go
Hey, haha hey, shit is heavy, huh
Hey, hey, hey, go
Hey, hey, hey, haha
Whole session
Burning, burning, burning, burning, burning here
Whole damn session
Burning, burning, burning, burning, burning there
Whole session
Burning, burning, burning, burning, burning here
Whole damn session
Burning, burning, burning, burning, burning there
Today I'm stressed as hell
Carrying this whole damn team
It's everything I dreamed
If by dream you mean scream
I'm right about to blow
And this session's set to break
Go, rage, rage, rage, rage, rage, boom
Go, rage, rage, rage, rage, rage, boom
Alright, trolls wanna talk big
But they don't understand a thing
If you wanna step up
I'm the one doing everything
Better make some room
'Cause I'm headed straight for doom
CALANDO O FUNK, SE CALA O DESEJO
Sim, senhor conservador, tire as crianças da sala.
DJ, solta o beat nessa porra e deixa a mulherada rebolar.
Recentemente foi aberta na Câmara dos Vereadores de São Paulo a CPI do Funk, com relatoria de Lucas Pavanato (PL). A CPI em si visa investigar desvio de verbas públicas por meio de contratos com empresas promotoras de eventos e produtoras musicais. A investigação parlamentar acontece no mesmo momento em que o MBL, na figura de Amanda Vetorazzo propõe um projeto de lei que visa criminalizar letras que façam apologia ao crime organizado.
Obviamente, os eventos ganharam força no debate e se chocam com a defesa que o funk, enquanto manifestação cultural, recebe de alas mais ligadas a esquerda e ao progressismo. Entretanto, mesmo quem defende o funk, o defende de maneira burra, torpe, e com base em simbolismos rasos e histéricos. Não se prestam ao trabalho de analisar os crimes investigados, não sabem o que significa uma CPI. Confundem PL, partido, com PL, projeto de lei. E falam em defesa de um funk que não é o funk que está na mira das denuncias e nem mesmo é o funk que sempre foi marginalizado.
É muito fácil defender o funk, lembrando de letras como: "é som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado". Isso até direitista ouve. É domesticado, é divertido. É simples usar de exemplo para dizer: "Olha como a direita persegue o som da favela", letras como "era só mais um Silva, que a estrela não brilha, ele era funkeiro mas era pai de família". Letras que no fundo falam de amor, de paternidade, de um homem trabalhador, de um modelo de família tradicional, no final das contas. Isto até bolsonarista entende.
Difícil é ver progressista defendendo a MC Kerol, uma MC jovem, negra, linda, que faz uma letra dizendo: "eu vou dar o meu cú, e o meu bucetão, e nesse verão, nada mais importa, faz meu cú de xota!" Quase impossível é ver estudante da USP defendendo o funk de um MC homem, que cante algo como "ai ai ai ai, hoje as novinha vão mamar o peru do pai".
O funk é obsceno. E não pede licença para ser.
O rock se acovardou. O samba só fala de macumba e do próprio samba. A MPB virou trilha de elevador. O funk é a última trincheira musical que fala do desejo humano de maneira crua, explícita. E a esquerda identitária não está preparada para lidar com este funk. Com a mulher que não cabe no papel de vítima. Que sobe num palco na frente do bairro inteiro e rebola sem calcinha até o chão. Por vontade própria. Que se coloca como figura ativa do desejo, e não como vítima. Que deseja que a desejem. Para a esquerda limpinha, esta mulher está se objetificando e assim servindo ao patriarcado.
A esquerda não está preparada para lidar com o homem que canta seu desejo por uma mulher jovem, sem medo, sem a preocupação de saber o que o sociólogo de cabelo azul pensa disso. Só aumenta o som do carro e é 🎶 Novinha.. 🎶 Novinha.. 🎶 Novinha.. Novinha isso, novinha aquilo.
Este é o funk marginalizado. Este é o funk que recebe preconceito, tanto da direita, quanto da esquerda. O funk que trata o desejo como tratou Lacam, Bataille, Foucault , produzido por gente que nunca leu nada disso. Mas gente que sente. E que goza! Para criminalizar este funk, esquerda e direita dão as mãos.
A direita, pior ainda, em um momento crucial para a manutenção da sua mera existência, em um momento em que alega tanta repressão estatal em cima de suas opiniões e que fala tanto sobre censura, entrega na mão deste mesmo Estado, mais uma ferramenta de controle: a de determinar o que pessoas podem ouvir e consumir enquanto arte.
O futuro, e é um futuro próximo, é totalitário. A única liberdade que resta é a liberdade individual de continuar pensando por si próprio e tentando manter um pouco de lucidez. É incrível ter de admitir isto, mas o funk putaria é um dos últimos resquícios de liberdade individual no Ocidente.