Essa frase me atingiu em um lugar que eu nem sabia que ainda estava tão sensível. É engraçado, e ao mesmo tempo doloroso, como a vida prega essas peças na gente. Eu passei tanto tempo me cobrando, sentindo que faltava algo, que eu precisava fazer mais, ser mais, entregar mais... Tudo para tentar ser notada por quem já estava ao meu lado. Foram doze anos. Não foram doze dias ou doze meses. Foi mais de uma década oferecendo o meu melhor, a minha presença, o meu cuidado e a minha lealdade a alguém que, de alguma forma, se tornou cego para quem eu sou. Quando você convive tanto tempo com alguém que não te valoriza, você começa a acreditar que o problema é você. Você começa a achar que "não é o suficiente" porque, se fosse, aquela pessoa te veria, certo? E ai, do nada, vem alguém que mal me conhece. Alguém que não viu minhas lutas diárias, que não conhece meus medos profundos, mas que em pouco tempo de conversa conseguiu enxergar o brilho que eu mesma já estava esquecendo que tinha. Ouvir um "Sorte de quem te tem" vindo de um quase estranho foi como um choque de realidade. Como pode alguém de fora notar em instantes o valor que quem está dentro não viu em doze anos? Isso me fez perceber que o problema nunca foi a minha entrega, mas a capacidade do outro de receber. Algumas pessoas se acostumam tanto com a nossa luz que passam a achar que ela é apenas o cenário, e não um privilégio. Elas param de agradecer porque acham que a nossa presença é garantida. Hoje, esse "estranho" me deu um presente que eu não esperava: ele me devolveu o espelho. Eu finalmente consegui olhar para mim e entender que eu sou, sim, muita coisa. E que o fato de alguém não saber o que fazer com todo esse valor diz muito sobre essa pessoa, e absolutamente nada sobre mim. Às vezes, a vida precisa de uma voz nova para nos lembrar do óbvio: nós somos o "suficiente" e muito mais. Sorte de quem sabe disso. E, principalmente, sorte a minha por estar, finalmente, voltando a reconhecer isso em mim mesma.
Menina Segredo









