Andar pela vida é como caminhar por essa rua. Tem dias de sol, em que a parede é amarela e brilhante, e outros em que as sombras nos envolvem. Mas, se você me perguntar agora, a resposta é essa: “Estou bem, mas já não sou como antes...”
Não digo isso com tristeza. Longe disso. Essa frase não é um lamento pelo que se perdeu, mas uma celebração silenciosa de tudo o que foi superado. Houve um tempo em que eu lutava para voltar a ser exatamente quem eu era antes de uma certa tempestade. Eu me esforçava para colar os pedaços quebrados e fingir que as rachaduras não existiam. Mas a vida me ensinou, e às vezes da maneira mais difícil, que a cura não é uma restauração. É uma metamorfose.
Hoje, quando me olho no espelho, vejo olhos que choraram, mas que agora brilham com uma nova perspectiva. Vejo mãos que tremem menos, mas seguram com mais firmeza o que realmente importa. As feridas se transformaram em cicatrizes, e essas cicatrizes são o mapa do meu território conquistado.
A minha ‘nova versão’ é mais calma, talvez um pouco mais cautelosa, mas infinitamente mais autêntica. Eu aprendi a dizer ‘não’ sem culpa, a valorizar o silêncio, a afastar o que não me serve e a abraçar o que me faz vibrar. Eu perdi a pressa de chegar, porque agora eu entendo o valor do caminho.
Eu não sou mais a pessoa que você conheceu há um ano, ou até mesmo ontem. E tudo bem. Eu estou bem porque eu me recusei a ficar preso no passado, mas também me recusei a me apagar. Eu me reinventei. Eu floresci a partir dos escombros.
E se você também sente que a sua estrutura mudou, que as paredes da sua alma têm novas texturas, não tenha medo. Abrace a sua transformação. Aceite que as pessoas mudam, que as estações passam e que você é o resultado de tudo o que sobreviveu. Diga com orgulho: “Eu estou bem. E que bom que eu não sou mais quem eu era.
Menina Segredo














