Tudo isso é demais. Parece que estou me afogando em um mar de pensamentos e sentimentos, e ele me arrasta para o fundo só para que eu tenha que nadar de volta. É assustador ser levada assim, ser sufocada por isso.
Eu não quero me sentir assim, não quero viver assim, não quero ser assim. É por isso que eu queria que tudo sumisse. Queria que essa versão de mim, que não consegue nos dar o que merecemos, desaparecesse. Não porque eu a odeio, mas porque nós duas merecemos mais. Eu queria olhar para uma janela alta e enxergar o céu, não o chão. Queria parar de ter medo de um dia enlouquecer e simplesmente desistir. Queria confiar em mim, comigo.
Isso tudo dói demais para carregar. Quero queimar tudo e transformar em pó, só para queimar mais um pouco. Depois, espalharia tudo pelo mundo, só para que nunca mais fosse encontrado. Só para que eu nunca mais encontrasse essa dor. Tenho vergonha disso, vergonha de quem sou agora, porque este é o segundo momento mais próximo que já estive de desistir. Apagar tudo parece a única forma de sobreviver. Espero poder esquecer, porque isso significaria que a dor se foi, que acabou, que não é para sempre. Que eu posso viver. Então, sim, eu quero esquecer. Se o sofrimento for esquecido, talvez ele nunca tenha sido real.
Eu minto, e parece a única forma de sobreviver. Mentia para os outros para esconder a vergonha que sentia de mim, o medo de que me conhecessem e me odiassem como eu me odiava. Mentia e sorria, esperando que fosse o suficiente para ser amada. Mentia porque achava que era isso que esperavam de mim.
Hoje, eu minto para mim mesma. Para esconder que ainda sinto vergonha às vezes. Para esconder o medo de que um dia haja uma prova de que todos os meus medos estavam certos e que eu me odeie tanto quanto acho que os outros me odeiam. Eu minto e finjo ser forte, esperando que isso seja suficiente para não me destruir. Para não me odiar. Eu minto, me escondo de mim e torço para que isso baste.
Quanto tempo mais eu vou ter que mentir? Eu odeio mentiras. Elas escapam fácil da boca quando o medo aparece. São a fuga mais rápida, uma forma de ganhar tempo. Pena que sempre são descobertas. Mentiras são nojentas. Às vezes, eu me sinto nojenta. Sei que isso não resolve nada, mas continuo repetindo porque não sei como não desistir sem isso.
É o que me mantém acordada.
Algumas pessoas lidam com a própria mente de um jeito que parece simples. Eu me sinto patética ao ver isso. Minha mãe enfrentou o câncer e o medo da morte cuidando de... plantas? Se dependesse de plantas, eu estaria morta. Minha irmã simplesmente vive a vida sem pensar. Se dependesse de não pensar, eu estaria morta. Meu pai enfrentou o medo do fracasso depois de já ter falhado uma vez. Se dependesse de muitas coisas, eu estaria morta.
Sendo bem sincera, eu não sei como ainda estou aqui. Não sei como enfrentei tudo isso e continuei. Não sei se conseguiria enfrentar tudo de novo. Eu quero tanto dormir que não sei como ainda estou de pé. Estou exausta até os ossos. Tenho medo de que um dia essa exaustão me alcance. Medo dos meus próprios pensamentos. Medo do que posso fazer. Medo de mim.
Eu não quero isso. Eu quero dolorosamente viver, e é por isso que tenho tanto medo de confiar em mim. Não sei se um dia vou falhar comigo. (E nem sei se ficaria tão triste assim em dormir para sempre). Estou tão assustada.
É como se houvesse duas partes de mim, mas ambas sou eu. A que odeia, a que ama. A que quer desistir, a que quer continuar. Estou sempre em batalha comigo mesma.
E tudo bem, né? Eu ainda estou aqui, não estou? Mesmo tão cansada, continuo tentando. Porra, eu sou forte pra cacete.
E, ainda assim, tenho tanto medo de que ela (eu) fique no frio, no escuro, sozinha, presa na teia dos pensamentos para sempre. Ela parece congelada naquele momento de dor, tão sozinha. O frio pode ser perverso.
E se eu nunca puder salvá-la?
E se ela—e se eu—sofrer para sempre?
E se nós duas ficarmos presas nisso?
Eu tenho medo por nós duas.
A gente está assustada, né?
Queria conseguir nos tirar daqui. Se eu conseguisse tirá-la de lá, pelo menos não estaríamos sozinhas. Estar no escuro é menos assustador com alguém. O frio, com alguém, pode ser aconchegante. Eu só queria sentir que não estou sozinha. Que não estou sofrendo sozinha.
Acho que é por isso que estou escrevendo para você. Por isso sempre falo com nossas amigas sobre o que sinto. Falar torna tudo menos assustador, menos doloroso. Eu posso não acreditar em mim, mas talvez vocês possam. Continuo reprimindo e me sentindo mal por estar mal, mas talvez assim eu possa sentir que sou suficiente para alguma coisa.
Eu sempre sinto que preciso provar que sou boa o bastante. Como se eu não tivesse o direito de estar triste, de me gabar por algo, de ser ouvida, respeitada, vista, amada. Sinto que não posso nem sofrer, porque parece que preciso justificar isso para alguém — para mim, talvez. Como se o sofrimento fosse uma questão de mérito, como se tudo na vida fosse uma questão de mérito.
Eu repito, sussurro, murmuro, grito incansavelmente:
"Por favor, me veja como alguém que é suficiente. Que é boa, mesmo agora."
Eu quero ser alguém confiante, forte, dedicada, inteligente, sorridente, gentil. Quero ser a pessoa que sonho ser, alguém que tenta, que ama tentar, que até gosta de falhar. Eu não quero ser definida pela minha dor, não quero que ela me sobreponha. Não quero sentir que preciso provar que sou mais que isso para alguém. Esse desespero de tentar mostrar ao mundo quem eu sou é tão cansativo. E, no fundo, tenho medo de que, se eu falhar para o mundo, eu também falhe comigo.
Eu não preciso apenas sobreviver — preciso justificar minha sobrevivência. Meu medo não é só de não ter um plano concreto para a vida. É de que, sem um plano, eu esteja desperdiçando a minha existência. E é por isso que está frio.
O frio, para mim, é o temor do sangue gelado. É o medo que me acompanha. A solidão de não saber como lidar com isso, de me perder. O frio é estar parada e tremendo, sem saber para onde ir. É sentir que nada faz sentido, que cada passo parece mais pesado que o anterior.