“— Calma, com o tempo passa moça…
— Não vai passar, sabe por quê? Porque não foi nenhum drama adolescente no qual todos reclamam por não conseguirem o que querem. Não foi nenhum amor não correspondido que você acha que vai morrer, mas sempre acha um meio de superar. E também não foi nenhuma briga alheia que por mais houvesse estupidez, sempre havia perdão no final. Não foi nada disso. Foi perda. A lamentável perda de tempo. Eu perdi meu tempo vendo sentimento onde não existia. Eu perdi meu tempo esperando telefonemas onde jamais recebi. Eu perdi meu tempo enlouquecida por sentir tanto medo de perdê-lo. Eu perdi meu tempo incluindo ele nos meus planos, e conjugando musicas como se fosse nossas. Eu perdi meu tempo acreditando em tudo que ele já me dissera, todas as promessas já feitas, e pra que meu caro amigo? Memórias me passam à cabeça, boas, médias, e ruins. E essa não passa; ela permanece, ali, na minha frente, como se fosse real. São as lembranças dele. Por um momento, assim do nada, eu me lembro dele, compreende? E sinto uma falta enorme. Uma saudade depois de meses de despedida, algo que não deveria ter acontecido. Às vezes, eu fico tentando puxar ele lá do fundo do baú. Trazê-lo de volta, trazer de volta tudo o que éramos antes. Mas percebo que ele já tomou seu rumo. Isto só resulta em lágrimas, o vazio da perda é insubstituível. E, além disso, a frase “com o tempo passa…” nunca será um fato real. Seja qual for à frequência que você ouça isso e queira acreditar, isso não vai acontecer. Porque, por mais que seja difícil, a verdade é que não passa. O tempo ameniza, mas não cura totalmente.
— Por gentileza, a senhorita poderia me dizer quem era esse sujeito?
— Ele era meu melhor amigo.” Nathália F









