[De volta para o cinema] “Irreversível” (2002), de Gaspar Noé
Repulsivo! Doentio! Gratuito! Foi o que saiu da boca dos críticos quando Irreversível foi exibido no Festival de Cannes em 2002. O diretor da obra, Gaspar Noé, integrou no final dos anos 1990, o movimento ´´ New Wave´´ do cinema francês, junto a outros cultuados cineastas, como François Ozon -, que no ano passado havia lançado, o intrigante ´´ O amante duplo´´. Este movimento propunha uma quebra de barreiras, a fim de explorar temas sensíveis e difíceis às discussões sociais e ao próprio Cinema.
Para mostrar ao mundo que seu cinema é dotado de sexo, muita violência e personagens pouco aprazíveis, Noé estrou em 1998 seu primeiro longa-metragem “Seul contre tous” (em português, Sozinho contra todos), onde somos convidados a adentrar a mente perversa de um açougueiro revoltado com todos aqueles que lhe cercam. Perversidade e mentes enlouquecidas também integram a narrativa de Irreversível, que se utiliza da música techno, composta por Thomas Bangalter (fundador do grupo Daft Punk) e de uma câmera intrusiva para criar sequências agonizantes que semelhante ao estado mental dos personagens nos deixa confusos e inquietos.
Contando com um elenco de peso formado por Vincent Cassel, Albert Dupontel e Monica Bellucci, quem protagoniza uma das sequências mais difíceis de serem assistidas, pois sem quaisquer cortes, o diretor nos mostra sua personagem ser estuprada durante 7 minutos. As intepretações entregam sentimentos, como ódio, medo e paixão de uma forma bastante pungente e verossímil: o ´´sangue nos olhos´´ daquelas duas personas em busca do estuprador transpassa os limites do quadro fílmico.
A Paris captada pela objetiva de Benoît Debie e Gaspar Noé, é um lugar labiríntico, sujo e violento, diferente da Paris filmada por Allen, em Meia-Noite em Paris, ou daquela de Antes do Anoitecer. Sendo estruturado cronologicamente de trás (do fim) para frente (do começo,) somos ainda - nos primeiros minutos de projeção - colocados a presenciar uma caçada alucinante, filmada em estética ‘câmera na mão’ e tomada por uma intensa iluminação avermelhada, que se encerra com um brutal assassinato, filmado cuidadosamente sem deixar escapar quaisquer detalhes.
Por fim, Irreversível é, sem sombras de dúvidas, um filme ferozmente perturbador, mas que oferece uma experiência cinematográfica cara a um cenário fatigado por filmes engessados em fórmulas e ´´ receitas de bolo´´. Como espectador posso afirmar, que após ter assistido, Irreversível provocará danos irreversíveis à sua alma.
Música tema da inquietante sequência inicial, composta por Thomas Bangalter.
Trailer de lançamento do filme em DVD.
Harllon Filho é o meu nome. Tenho 17 anos de vivências e experiências neste mundo, tendo desde muito cedo construído laços com o fazer e pensar artístico. Ainda quando criança me encantei pelo fabuloso mundo do cinema, no qual, é hoje o meu objeto de estudo e prática acadêmica.