Don't think, KNOW.
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Don't think, KNOW.
I'm very bad at telling apart h and n. gnost. venicle.
Equilíbrio Químico. O "equilíbrio" é muito importante, pois com ele andamos de bicicleta.. E a "química" por si só é bem importante, pois podemos usá-la para fazer um bolo. Imagina então a importância do "equilíbrio químico".. Podemos fazer um bolo que anda de bicicleta. Quem não gostaria de um bolo que anda de bicicleta?!
Bianca Kuhl
Este é um conto fatídico dia em que esqueci meu celular no meu escritório de trabalho e eventualmente quase morri. Mas antes, vou apresentar-me. Meu nome é Frederico Machado, tenho vinte e três anos e sou estagiário (sim, aquele que paga todos os pecados da vida anterior em poucos anos) numa empresa na parte de contabilidade. Meu chefe pediu-me que ficasse até mais tarde naquele dia para que terminasse algumas coisas que o estagiário anterior não havia finalizado. Maldito estagiário incompetente. Deixei a empresa com um sorriso pesaroso no rosto, o pensamento voltado para Dona Marilda, minha mãe (que, aliás, mora comigo). Ela, provavelmente, está tendo algum tipo de ataque fulminante, já que me esqueci de avisar do “conveniente” pedido de meu “adorado” chefe. Tateei meus bolsos à procura de meu celular, a fim de conferir as horas. Parei, com os olhos arregalados. Tateei mais uma vez, com um pouco mais de afinco, mas não senti o formato peculiar e afável de meu celular em nenhum dos bolsos. Muito bom, Frederico. Eu pensei com um sorriso sarcástico no rosto. Sempre muito inteligente. Voltei a andar, ainda xingando-me de todas as palavras chulas que eu conhecia. Desta vez, enquanto caminhava raivoso, pude ouvir alguns ruídos de passos atrás de mim. Uma conversa baixa chegou até a minha pessoa, o tom das vozes era claramente maldoso. Muito bom, Frederico, eu pensei, retomando o sorriso sarcástico. Agora você será assaltado ou estuprado. Maravilha. Acelerei o ritmo dos meus passos a fim de tomar distância, mas os homens (como eu pude perceber pelo tom de voz) eram rápidos. Em poucos segundos, os indivíduos de caráter desconhecido ou nulo já estavam a centímetros de mim. — Passa tudo aí, playsson! – um deles me abordou. Seu último vocábulo me fez rir. — Tá rindo por que, seu pedaço de bosta? – o outro disse e eu contive o riso, mas minha boca permaneceu trêmula. Eles consideraram isso um disparate. Fazer o quê, não é mesmo? — O babaca tá rindo enquanto eu tenho uma arma! – o primeiro deu um grito consideravelmente alto e foi estapeado pelo colega de profissão. — Agora o pedaço de bosta é você! – exclamou. – Grita! Grita mesmo! Se tiver algum “poliçal” aqui, nós “tamo” ferrado! — Espera aí. – eu disse. Os dois me olharam curiosos. – Poliçal? É sério? Vamos combinar que o meu vocabulário não era o mais culto, mas “poliçal” foi uma agressão até mesmo para os meus padrões. O primeiro homem, que trajava uma toca azul, cruzou os braços e manteve uma expressão incrédula. — O playboy tá de “zoagem” com a nossa cara! – exclamou um deles. – Passa logo o celular se quiser viver! — Eu esqueci no escritório. – eu disse com um sorriso involuntário no rosto. — Esqueceu uma ova, playboy! – o homem de toca gritou, sendo estapeado uma vez mais pelo colega. — Seu “homosezual”! – ele exclamou, numa tentativa fracassada de ofender o outro. – Cala essa boca! — Homossexual, você quis dizer. – eu corrigi. Devo confessar que me senti o próprio Aurélio naquele momento. — Cala a boca, playsson! – os dois disseram num uníssono. – Toca no verde! E desesperaram-se procurando algum objeto verde para tocar. Muito bom, Frederico, eu pensei, dando um leve tapa em minha testa. Nem ladrões decentes você consegue arranjar. — Se querem me seqüestrar, me seqüestrem logo! – eu me exaltei, atraindo a atenção deles e dois sorrisos perversos como bônus. — Sabe que eu gostei dessa idéia, Marlocão? – o homem de capuz comentou para o outro. — Eu também, Percóide. Vamos levar o “indiveduo” pro chefe. — Indivíduo. – eu corrigi, direcionando um sorriso zombeteiro sarcástico a eles. — Cala essa boca “mintida” aí, playboy! – Percóide disse, puxando meu cabelo castanho com uma força considerável. Quase gritei feito uma garotinha, mas quis manter a minha honra. – Vamos pro carro. “Tu dirige”, Marlocão. — Falou! – ele fez uma dança um tanto ridícula. Eu teria rido se não estivesse quase chorando. Percóide enfim soltou meu cabelo, mas prendeu meus braços de uma forma não satisfatória. Levaram-me para um velho Gol branco um ponto zero. Empurraram-me para dentro do carro e eu caí no assento de forma ridícula, o que fez os meus sequestradores rirem. — Mocinha. – Marlocão disse. — “Homosezual”. – eu zombei, arrancando do ladrão uma expressão carrancuda. Percóide sentou-se ao meu lado e amarrou minhas mãos com uma flanela puída. O motorista deu partida no carro com uma velocidade consideravelmente alta. — Babaca! – o ladrão ao meu lado gritou. – Quer me matar? — Na verdade, sim. – Marlocão disse com um sorriso presunçoso. Ligou o rádio do carro (sim, tinha rádio no carro) e pôs numa estação que não agradou meu gosto musical. — Funk?! – eu exclamei. – Tá brincando? Depois de meu protesto, Percóide amarrou entre meus lábios outra flanela velha, o que me deixou bastante irritado. Algum tempo depois, chegamos a um armazém abandonado. Percóide me arrancou de dentro do carro com violência e retirou, enfim, o pedaço de pano que cobria minha boca. — Graças a Deus! Sangue de Jesus tem poder! – eu exclamei com vigor. – Flanela mais nojenta não há! — Cala a boca, playboy! – Marlocão disse, dando-me um tapa no rosto. Provavelmente ficaria vermelho em questão de segundos. Levaram-me para o armazém e, para minha enorme surpresa, ele estava quase vazio. Lá no fundo o único indício de humanidade: um trono de aço com um homem ali sentado. Percóide e Marlocão me arrastaram até ele. — Marlocão. – o homem chamou. Sua voz me soou... Afetada. – Segure a Glitterina. Marlocão de pronto segurou com a maior delicadeza do mundo uma arma que eu não pude identificar. — O bofe está aqui por quê? – ele questionou. — Ele nos ofendeu, Chefe. – Percóide disse, a voz perdendo entonação no decorrer da frase. — Já disse que é Chefa, seu inútil! – a “chefa” gritou o que fez seus dois servos retraírem-se. “Ela” desceu de seu trono e me analisou. Eu fechei meus olhos e segurei na mão de Deus. Muito bom..., não consegui concluir meu pensamento filosófico por conta do grito do homem. — Frederico Machado! – ele exclamou, risonho. – Eu não acredito! — Nós nos conhecemos? – eu o fitei com olhos curiosos. — Eu sou o Marquinho! Marquinha agora. – o homem riu. – Estudamos juntos no Fundamental! — Marquinho? Não podia ser. Aquele era o Marquinho que eu jogava bola e bagunçava os cabelos das garotas melequentas todos os dias. Ele mudou... Consideravelmente. — Eu mesmo, meu amor! – Marquinha me lançou um olhar gentil. – Levem o Fred pra casa! Agora! Eu hein, abusados! Eu olhei debochado para Marlocão, que me fitou ainda mais carrancudo. — Essa eu venci, “homosezual". Percóide me lançou para fora do carro quando estávamos em frente à minha casa. Já passava das três da manhã quando cheguei. Abri a porta de casa, mas lá não havia ninguém. Vi um pequeno bilhete em cima da mesa da sala e o peguei para ler. “Meu filho, vou para a casa da Josefa jogar pôquer. Vou dormir por lá mesmo. Um beijo. Mamãe.” Eu estava preocupado com ela esse tempo todo. Ela foi para o pôquer. Não disse nada sobre ter me ligado. Juro que, naquela hora, eu pensei em suicídio. Era pra ser apenas mais um dia normal de um estagiário qualquer.
Bianca Kuhl
"Mandalorians believe confrontation is required for growth, on the personal as well as the cultural level. War is the Mandalorian way of life."- Gnost Dural