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Equilíbrio Químico. O "equilíbrio" é muito importante, pois com ele andamos de bicicleta.. E a "química" por si só é bem importante, pois podemos usá-la para fazer um bolo. Imagina então a importância do "equilíbrio químico".. Podemos fazer um bolo que anda de bicicleta. Quem não gostaria de um bolo que anda de bicicleta?!
Bianca Kuhl
Cheguei a uma conclusão. Nâo fomos feitos pra ficarmos grudados, embolados, presos em uma rotina, em mimos, em presentes no dia dos namorados, ou presos em datas. Não fomos feitos pra ficarmos todos os dias, 24 horas por dia conectados, ou com os pensamentos voltados todos a uma unica pessoa. Não fomos feitos pra usar uma aliança com o nome dentro, ou receber todos aqueles telefonemas de madrugada, eu e você não gostamos de ser acordados a noite. Talvez seja esse o grande problema, ou a grande solução. Mas também cheguei a conclusão de que fomos feitos pra ficar juntos, não tem necessáriamente que dar certo, porque não haveria graça, não seria nós, ou melhor, eu e você. Cheguei a conclusão de que ninguém mais aguentaria suas crises, suas manhas, seus choros, suas vontades, ou aturaria suas manias irritantes, sua falação, seus defeitos, sua falta de organização, ou seu jeito eufórico e imprevisível. E pode falar, que ningiém mais aturaria meu jeito grosso, rude, e um tanto revoltado, ou que aguentaria minhas reclamações ao longo do dia. E sem aquela velha história, de que - outra pessoa te faz sorrir - até faz, nós dois damos risadas de tudo, mas bem sabemos quando o riso é melhor, e quando ele realmente tem graça. É por isso que cheguei a essa conclusão. Não servimos juntos, grudados, mas também não servimos de nada longe, separados.
(Um quase amor) Junior Araujo - CL69.
Este é um conto fatídico dia em que esqueci meu celular no meu escritório de trabalho e eventualmente quase morri. Mas antes, vou apresentar-me. Meu nome é Frederico Machado, tenho vinte e três anos e sou estagiário (sim, aquele que paga todos os pecados da vida anterior em poucos anos) numa empresa na parte de contabilidade. Meu chefe pediu-me que ficasse até mais tarde naquele dia para que terminasse algumas coisas que o estagiário anterior não havia finalizado. Maldito estagiário incompetente. Deixei a empresa com um sorriso pesaroso no rosto, o pensamento voltado para Dona Marilda, minha mãe (que, aliás, mora comigo). Ela, provavelmente, está tendo algum tipo de ataque fulminante, já que me esqueci de avisar do “conveniente” pedido de meu “adorado” chefe. Tateei meus bolsos à procura de meu celular, a fim de conferir as horas. Parei, com os olhos arregalados. Tateei mais uma vez, com um pouco mais de afinco, mas não senti o formato peculiar e afável de meu celular em nenhum dos bolsos. Muito bom, Frederico. Eu pensei com um sorriso sarcástico no rosto. Sempre muito inteligente. Voltei a andar, ainda xingando-me de todas as palavras chulas que eu conhecia. Desta vez, enquanto caminhava raivoso, pude ouvir alguns ruídos de passos atrás de mim. Uma conversa baixa chegou até a minha pessoa, o tom das vozes era claramente maldoso. Muito bom, Frederico, eu pensei, retomando o sorriso sarcástico. Agora você será assaltado ou estuprado. Maravilha. Acelerei o ritmo dos meus passos a fim de tomar distância, mas os homens (como eu pude perceber pelo tom de voz) eram rápidos. Em poucos segundos, os indivíduos de caráter desconhecido ou nulo já estavam a centímetros de mim. — Passa tudo aí, playsson! – um deles me abordou. Seu último vocábulo me fez rir. — Tá rindo por que, seu pedaço de bosta? – o outro disse e eu contive o riso, mas minha boca permaneceu trêmula. Eles consideraram isso um disparate. Fazer o quê, não é mesmo? — O babaca tá rindo enquanto eu tenho uma arma! – o primeiro deu um grito consideravelmente alto e foi estapeado pelo colega de profissão. — Agora o pedaço de bosta é você! – exclamou. – Grita! Grita mesmo! Se tiver algum “poliçal” aqui, nós “tamo” ferrado! — Espera aí. – eu disse. Os dois me olharam curiosos. – Poliçal? É sério? Vamos combinar que o meu vocabulário não era o mais culto, mas “poliçal” foi uma agressão até mesmo para os meus padrões. O primeiro homem, que trajava uma toca azul, cruzou os braços e manteve uma expressão incrédula. — O playboy tá de “zoagem” com a nossa cara! – exclamou um deles. – Passa logo o celular se quiser viver! — Eu esqueci no escritório. – eu disse com um sorriso involuntário no rosto. — Esqueceu uma ova, playboy! – o homem de toca gritou, sendo estapeado uma vez mais pelo colega. — Seu “homosezual”! – ele exclamou, numa tentativa fracassada de ofender o outro. – Cala essa boca! — Homossexual, você quis dizer. – eu corrigi. Devo confessar que me senti o próprio Aurélio naquele momento. — Cala a boca, playsson! – os dois disseram num uníssono. – Toca no verde! E desesperaram-se procurando algum objeto verde para tocar. Muito bom, Frederico, eu pensei, dando um leve tapa em minha testa. Nem ladrões decentes você consegue arranjar. — Se querem me seqüestrar, me seqüestrem logo! – eu me exaltei, atraindo a atenção deles e dois sorrisos perversos como bônus. — Sabe que eu gostei dessa idéia, Marlocão? – o homem de capuz comentou para o outro. — Eu também, Percóide. Vamos levar o “indiveduo” pro chefe. — Indivíduo. – eu corrigi, direcionando um sorriso zombeteiro sarcástico a eles. — Cala essa boca “mintida” aí, playboy! – Percóide disse, puxando meu cabelo castanho com uma força considerável. Quase gritei feito uma garotinha, mas quis manter a minha honra. – Vamos pro carro. “Tu dirige”, Marlocão. — Falou! – ele fez uma dança um tanto ridícula. Eu teria rido se não estivesse quase chorando. Percóide enfim soltou meu cabelo, mas prendeu meus braços de uma forma não satisfatória. Levaram-me para um velho Gol branco um ponto zero. Empurraram-me para dentro do carro e eu caí no assento de forma ridícula, o que fez os meus sequestradores rirem. — Mocinha. – Marlocão disse. — “Homosezual”. – eu zombei, arrancando do ladrão uma expressão carrancuda. Percóide sentou-se ao meu lado e amarrou minhas mãos com uma flanela puída. O motorista deu partida no carro com uma velocidade consideravelmente alta. — Babaca! – o ladrão ao meu lado gritou. – Quer me matar? — Na verdade, sim. – Marlocão disse com um sorriso presunçoso. Ligou o rádio do carro (sim, tinha rádio no carro) e pôs numa estação que não agradou meu gosto musical. — Funk?! – eu exclamei. – Tá brincando? Depois de meu protesto, Percóide amarrou entre meus lábios outra flanela velha, o que me deixou bastante irritado. Algum tempo depois, chegamos a um armazém abandonado. Percóide me arrancou de dentro do carro com violência e retirou, enfim, o pedaço de pano que cobria minha boca. — Graças a Deus! Sangue de Jesus tem poder! – eu exclamei com vigor. – Flanela mais nojenta não há! — Cala a boca, playboy! – Marlocão disse, dando-me um tapa no rosto. Provavelmente ficaria vermelho em questão de segundos. Levaram-me para o armazém e, para minha enorme surpresa, ele estava quase vazio. Lá no fundo o único indício de humanidade: um trono de aço com um homem ali sentado. Percóide e Marlocão me arrastaram até ele. — Marlocão. – o homem chamou. Sua voz me soou... Afetada. – Segure a Glitterina. Marlocão de pronto segurou com a maior delicadeza do mundo uma arma que eu não pude identificar. — O bofe está aqui por quê? – ele questionou. — Ele nos ofendeu, Chefe. – Percóide disse, a voz perdendo entonação no decorrer da frase. — Já disse que é Chefa, seu inútil! – a “chefa” gritou o que fez seus dois servos retraírem-se. “Ela” desceu de seu trono e me analisou. Eu fechei meus olhos e segurei na mão de Deus. Muito bom..., não consegui concluir meu pensamento filosófico por conta do grito do homem. — Frederico Machado! – ele exclamou, risonho. – Eu não acredito! — Nós nos conhecemos? – eu o fitei com olhos curiosos. — Eu sou o Marquinho! Marquinha agora. – o homem riu. – Estudamos juntos no Fundamental! — Marquinho? Não podia ser. Aquele era o Marquinho que eu jogava bola e bagunçava os cabelos das garotas melequentas todos os dias. Ele mudou... Consideravelmente. — Eu mesmo, meu amor! – Marquinha me lançou um olhar gentil. – Levem o Fred pra casa! Agora! Eu hein, abusados! Eu olhei debochado para Marlocão, que me fitou ainda mais carrancudo. — Essa eu venci, “homosezual". Percóide me lançou para fora do carro quando estávamos em frente à minha casa. Já passava das três da manhã quando cheguei. Abri a porta de casa, mas lá não havia ninguém. Vi um pequeno bilhete em cima da mesa da sala e o peguei para ler. “Meu filho, vou para a casa da Josefa jogar pôquer. Vou dormir por lá mesmo. Um beijo. Mamãe.” Eu estava preocupado com ela esse tempo todo. Ela foi para o pôquer. Não disse nada sobre ter me ligado. Juro que, naquela hora, eu pensei em suicídio. Era pra ser apenas mais um dia normal de um estagiário qualquer.
Bianca Kuhl
Ele não vai te ligar e pedir desculpas, talvez não fale com você nem por internet. Não vai se arrepender de nada do que fez, e nem reconhecer que errou. Não vai perceber que está te perdendo aos poucos, ou que já perdeu. Não vai pedir pra que tudo volte a ser como era antes, ele está feliz assim. Não vai dizer para os amigos que sente a sua falta ou algo do tipo, e nem lembrar de você ao ouvir uma música. Ele não vai passar noites acordado pensando no quanto poderia ter dado certo, nem vai ficar imaginando planos que um dia poderiam se realizar. Não vai sentir ciúmes ao ver você conversando com outro menino, e com toda certeza do mundo, não vai passar horas no seu perfil só pra saber como foi seu dia, ou se você se interessou por alguém. Ele não vai perceber que fez a maior burrada de sua vida, nem vai se lamentar por ter perdido a pessoa que o fazia sorrir. Ele não vai compartilhar fotos de casais no facebook, e nem escrever coisas tristes no twitter. Ele não vai chorar, nem sofrer e muito menos morrer de amor. Não vai dar justificativas do por quê de tudo ter acabado, e nem vai querer saber o que você pensa sobre, e nem como você reagiu a tudo isso. Ele não vai sorrir ao te encontrar na rua, e se te ver, não vai ficar pensando o dia inteiro em como seu cabelo estava lindo, ou em como o seu sorriso é estonteante. Ele não vai correr atrás de ninguém, e provavelmente logo estará com a menina mais fácil que encontrou por aí. Ele não vai te amar, isso, se chegou a amar um dia.
Marília Lopes.
Sou inseguro mesmo. Confesso. Mas falando sério, quem é que não tem medo de ser trocado?
Smith
Aprendi que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser, e devo ter paciência. Mas, aprendi também, que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei.
Charles Chaplin.