Safe and sound | Hal, Grace, Leo & Daisy
Harold Hookum was going to die.
Era um fato. Claro que ele estava lutando contra aquele fato com unhas e dentes, mas não deixava de ser um fato. He was a dead man walking. Não andando, mas deitado numa maca de hospital e sendo arrastado de um lado para o outro. Os healers não sabiam o que fazer com o ele. O estado daquele jovem auror praticamente irreconhecível era mais do que crítico. Era quase um atestado de óbito. Mas seu pulso insistente e seus olhos abertos, arregalados e piscando constantemente para mostrar aos médicos que ele estava ali e estava ouvindo tudo, mostravam que ele estava muito vivo. E que se eles não fizessem o possível e o impossível para tirá-lo dali, eles teriam a experiência mágica de uma conversinha com o fantasma de Harold Hookum. E se Harold já era bem, hm, intrépido em vida, imagine como ele seria em sua versão fantasmagórica. Not cool. Mas como é que aquilo tudo tinha acontecido? Ah, bem... Não era como se a profissão de auror fosse um compromisso com uma vida tranquila. Harold e todos os Hookum sabiam disso. Ele era sempre cuidadoso, mas nem tudo podia ser evitado e quando uma maré de azar resolveu lhe atingir, lhe atingiu com força. Com a força de dois comensais da morte o pegando desprevenido numa missão, e perturbações psicológicas que Harold não gostaria de relembrar, e que haviam o enviado para aquela maca no St. Mungus.
- A pulsação está diminuindo - Oh, ótimo. Fantástico. Era exatamente disso que ele precisava naquele momento - Ainda não temos uma identificação? - A healer perguntou. O crachá dele provavelmente havia caído enquanto ele lutava. Além de tudo ele seria enterrado como indigente. Espetacular.
- Oh, meu Merlin, é o irmão da Grace! - Alguém diferente berrou -- Grace! Grace! -- Não, não, não. Grace não precisava vê-lo daquele jeito. Nenhum de seus irmãos precisava. Ele não estava se vendo, mas tinha certeza de que preferia continuar não se vendo. Conseguia sentir seu sangue escorrendo incessantemente de seu nariz quebrado, e os inúmeros cortes espalhados por seu rosto faziam tudo arder. Deviam tê-lo levado para um hospital trouxa. Pelo menos ele iria morrer com 1mg de morfina no sangue e provavelmente tendo algumas alucinações agradáveis.
Um grito. Grace. Harold tentou falar, mas era como se empurrar as palavras pela sua garganta tivesse se tornado a coisa mais difícil. Respirar também não estava nada fácil. Geez, desde quando morrer era como uma sessão de academia e precisava de tanto esforço? Mas devagar, começou a sentir. Ou melhor, deixar de sentir. Primeiro os pés. Depois as mãos, seus dedos formigando lentamente como daquela vez em que Daisy dormira em seu ombro nas três horas e meia no carro. Sua cabeça ficou leve, leve, leve demais, como se o peso de 22 anos estivesse indo para outro lugar bem longe dali. Aquela pressão no coração começou a diminuir. Ao mesmo tempo que o frenesi ao seu redor parecia aumentar. Ele ainda sentia duas mãos em seu peito, talvez tentando reanimá-lo, mas elas pareciam leves demais, quase como uma pena, e uma pena não o ressuscitaria. E então veio o silêncio. Àquela altura, sua irmã já havia avisado os outros. Então, Harold pensou em seus pais. Que nunca quiseram que ele fosse um auror, e mesmo assim, orgulharam-se de cada passo de seu filho. Pensou em Leonard. Leo já estava sentindo, provavelmente. Já devia estar sentindo há horas. Esperava que ele não estivesse com medo, como Harold sempre ficava quando sentia aquele aperto estranho na boca do estômago e concluía que tinha algo de errado com seu irmão. Queria estar lá por ele, como sempre. E Grace, droga, Grace... Ela não precisava ter visto aquilo. Ele não queria arruiná-la assim. Gracie era doce demais pra ser envenenada por algo tão sombrio. Queria que ela se lembrasse dele como o super-Hal, não como o irmão que morreu cedo demais. E Daisy... Ah, ele nunca iria se perdoar por não estar lá para ver o primeiro namorado, para ensiná-la a usar o carro da mamãe. Nunca. Mas era um fato.
Harold Hookum was going to die.
O escuro tomou conta e ele deixou de estar, ser, sentir, ver e ouvir. E tão de repente, tudo isso voltou. Arfou, assustado, como se tivesse acordado de um sono profundo no sábado de folga. Sentiu a boca seca, sentiu os pés, as mãos, o coração. Sentiu a dor e uma moleza que praticamente o afundava na superfície em que estava largado. E sua cabeça parecia pronta pra explodir. Ele iria morrer duas vezes ou o que? -- Eu me recuso a morrer de novo -- Murmurou desconexo, enquanto abria os olhos. Suas pálpebras lutavam para manterem-se fechadas e esconderem as orbes azuis de Harold da luz de onde quer que ele estivesse. Tinha gente ao seu redor, duas pessoas... Não, três. Três pessoas, falando com ele, o segurando e ele não fazia a menor ideia de que viagem estava acontecendo. Era o céu, o inferno, ou... Um quarto de hospital?
















