Não queimaram
Hoje tomei banho na água mais quente que pude
Na falha tentativa de acreditar que aquela água fervente fosse queimar todas as coisas ruins que ainda restavam em mim
Mas não queimaram
Ainda estão aqui, na alma e na mente
Grudadas e não repaginadas
E não me pergunte o que são essas coisas ruins, não saberei dizer, ou melhor explicar, as digo assim pelo simples fato de me sentir infeliz mesmo tendo uma vida boa
Talvez a metáfora seja que eu só tenha que nadar até a minha “felicidade”, mas nunca nado por medo dos tubarões, por medo
E isso somente me confirma o quão fraca eu posso ser
E que no fim eu acabo me afundando nesse mar que são meus próprios sentimentos
E o pior é que não me afundo por pedras presas nos meus pés
Me afundo pelo meu próprio medo
E esse medo acaba comigo.
- MPAr.












