você está exatamente onde deve estar. ainda você que esteja longe ou que você esteja só; ainda que estejam sendo dias difíceis, beirando o limite do impossível; há uma razão de ser para esse momento. pare de procurar saídas por um instante e olhe ao seu redor.
vamos aos poucos: há tantas cores, vocês as vê? há muitas pessoas, você as atravessa? consegue ler sensações em seus semblantes? consegue enumerar as marcas de velhas coragens adormecidas? derreta seu interesse nas superfícies. esteja incessantemente aqui. absorva o seu entorno um ponto de cada vez. então trace linhas e nessas constelações que nascem, absorva significados inesperados. é provável que eles apontem de volta pra você.
agora olhe pra dentro. há cores e memórias. há pessoas alheias e pessoas suas, que já se foram ou ainda brigam pela existência no agora. absorva um ponto de cada vez e então desenhe constelações internas. elas serão guias infalíveis pro seu caminho. decore-as milimetricamente. só quando você sentir cada um dos pontos doídos do agora é que vai entendê-los. e só depois de sabê-los bem o suficiente pra contorná-los, é que vai passar por eles como obsoletos. porque o caminho pra maturidade é um campo minado e exige destreza, precisão, paciência.
por isso se permitir ficar às vezes é a maneira mais eficaz de aprender a ir embora. dê-se o tempo que te custa gestar a sua próxima versão de si e então ame-a minuciosamente quando ela nascer. lá fora existe uma ursa maior do tamanho do seu abraço. e as marias que te faltam pra completar três. e pros demais signos ausentes, haverá ainda outras estrelas e você imprimirá nelas um significado de cada vez, até que se esgotem.
mas e as delícias do agora, você as percebe? talvez também as tenha de deixar para atrás ao longo do caminho. então, por hora esteja aqui. olhe ao seu redor. absorva a permanência. aproveite o que é possível. apreenda o que te cabe e deixe todo o resto passar.