Olha aí como foi na quarta-feira passada!
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Olha aí como foi na quarta-feira passada!
Dez anos não é muito mas também não é coisa pouca se o que estiver em causa for a oportunidade de celebrar um disco que se tornou um encontro de muitos amigos. Quando o Tiago Guillul lançou no início de 2008 o seu "IV", estavam em 15 canções um aglomerado de novos músicos que em comum tinha sobretudo a zanga com uma música portuguesa que parecia pouco lhes tolerar a língua. Os ilustres desconhecidos de então, além do Tiago, eram nomes como Samuel Úria, Manuel Fúria, João Coração, Bernardo Barata e Jorge Cruz (que trazia uma história mais antiga e mais complicada) - isto só para citar uma mão cheia. O engraçado é que, à medida que o "IV" alastrou, aumentou o número de amigos que se juntaram àquela estranha e animada caravana (e, sendo sinceros, o de inimigos também).
O B Fachada foi um deles. Apesar de ter o seu caminho anterior independente, meses depois teria o seu próprio disco pela FlorCaveira, "Viola Braguesa". Ora, numa reedição do "IV" que se deseja celebração rija, haverá espaço:- para o disco original remasterizado,- para um disco de sobras (porque o Tiago estava em híper-actividade na altura e de 30 canções gravadas escolheu apenas metade para o alinhamento final),- e para um disco das canções regravadas por amigos (que irão do Fachada ao Benjamim, passando pelo Jorge Cruz, Luís Severo, Filipe Sambado, Filipe da Graça, entre muitos outros).
Na FlorCaveira a amizade é um valor e por isso é especial que a primeira canção a ser lançada, desta edição que chegará em Setembro, seja agora a afachadada "Canção de Natal". O Verão está à porta? Então metam-lhe uma estrela no topo.
Entrevista dada ao Ouvido Alternativo
É uma honra para nós apresentarmos o mais recente convidado de "Conversas d'Ouvido", Tiago de Oliveira Cavaco, mais conhecido como Tiago Guillul, cantor, compositor, pastor Baptista e membro fundador da editora independente FlorCaveira, fundada em 1999 e que "descobriu" nomes como Os Pontos Negros, Diabo na Cruz e Samuel Úria. Ultimamente ficou rendido ao mais recente disco de Benjamim Auto Rádio e no seu funeral gostava que tocasse "Império" de Samel Úria, no entanto há muito mais para descobrir nesta edição de "Conversas d'Ouvido"... Ouvido Alternativo: Como surgiu a paixão pela música? Tiago Guillul: Não sei resumir com justiça a importância que a música tem para mim. Mas posso dizer que os momentos em que via a minha irmã Rute, 5 anos mais velha que eu, a ouvir a Rádio Cidade quando ainda era uma estação pirata na Amadora ilustram parte do processo que contribuiu para amar música. Como surgiu o nome Guillul? O nome Guillul surgiu quando, no final dos anos 90, numa aula do Seminário Teológico Baptista, um professor explicou que cavaco (pedaço de madeira) se dizia "guillul" em hebraico. Uma colega disse-me logo: "Tu és o Tiago Guillul", o que me pareceu uma designação poeticamente mais promissora que o meu nome de origem. Como encaras o facto de a FlorCaveira ter em certa medida revolucionado a música em Portugal? Quando surgiu foi uma autêntica “pedrada no charco”. O reconhecimento da FlorCaveira é posterior ao aparecimento dela. O reconhecimento acontece quase uma década depois de ela nascer. Se a FlorCaveira revolucionou a música portuguesa não foi por ter trazido nada de novo, mas por ter trazido coisas antigas que na altura pareciam inexistentes. Acreditávamos e acreditamos em canções em que as letras não são decorativas (e que devem ser entendidas na língua que falamos todos os dias), e acreditávamos e acreditamos que as limitações de meios não têm de ser um problema mas podem ser um caminho criativo (daí insistirmos no do it yourself). Para além da música, tens mais alguma grande paixão? A paixão da minha vida é a palavra. A palavra pregada, escrita e cantada. Qual a maior vantagem e desvantagem da vida de um músico? Por causa de dedicar-me à palavra, sou um músico mas não sou apenas um músico. Sou um pregador que também escreve. Logo, não vivo apenas como músico. Não tenho desvantagens vindas do facto de ser apenas músico. Quais as tuas maiores influências musicais? Para todos os músicos da FlorCaveira há uma resposta acerca de referências musicais: Bob Dylan, Johnny Cash e Leonard Cohen. É um dogma. Como preferes ouvir música? CD, Vinil, K-7, Streaming, leitor de mp3? O CD ainda é a maneira de ouvir música mais atentamente para mim. Um CD no carro. O streaming está a “matar” ou a “salvar” a música? O streaming não está nem a matar nem a salvar a música. É apenas mais um meio através do qual ela pode ser ouvida. Qual o disco da tua vida? Tenho uns quantos discos da minha vida. "In God We Trust" dos Stryper, "RDP Vivo" dos Ratos de Porão, "Nevermind" dos Nirvana, são alguns exemplos possíveis. Qual o ultimo disco que te deixou maravilhado? Cheguei quase um ano depois a ele mas o "Auto-Rádio" do Benjamim é um grande disco. O que andas a ouvir de momento/Qual a tua mais recente descoberta musical? A minha descoberta dos últimos tempos é o Filipe Sambado. Deu o melhor concerto que vi nos últimos tempos, no Sabotage, no ano passado, com um estalo rock incrível. O disco dele, "Vida Salgada", que ando a ouvir, sendo menos rock, é um disco muito bom. Qual a situação mais embaraçosa que já te aconteceu num concerto? Acho que nunca me aconteceu uma situação num concerto que possa chamar embaraçosa. Com que músico gostarias de efectuar um dueto/parceria? Não sou de duetos. No geral, não aprecio duetos. Para mim um dueto é o Kenny Rogers com a Sheena Easton. Nessa linha, não me perfilo para duetar com ninguém. Para quem gostarias de abrir um concerto? Gostava de abrir para o Bruno Morgado. Em que palco (nacional ou internacional) gostarias de um dia actuar? Não há nenhum palco que tenha essa importância simbólica para mim. Sou mais de ambicionar tocar em sítios onde à partida não se espera um concerto. É mais punk. Qual o melhor concerto a que já assististe? Um dos melhores concertos que assisti na vida foi o Goran Bregovic em Belém - um concerto à pala. Que artista ou banda mais gostavas de ver ao vivo e ainda não tiveste oportunidade? Gostava de ver os Rancid ao vivo. Qual o concerto da história (pode ser longínqua, mesmo antes de teres nascido) que gostavas de ter estado presente? Gostava de ter visto os primeiros concertos dos Heróis do Mar. Qual o teu guilty pleasure musical? I don't believe in guilty pleasures. Projectos para o futuro? Tocar o "Bairro Janeiro" numas quantas actuações pequenas. Próximos concertos? Braga, 27 de Maio. Que música gostarias que tocasse no teu funeral? “Império” de Samuel Úria Obrigado pela atenção e boa sorte para o futuro. Relembramos que Tiago Guillul regressou este ano, com novo disco, Bairro Janeiro, gravado na Igreja da Lapa por Luís Severo e que pode ser ouvido na plataforma Youtube.
O Bairro Janeiro pode ser ouvido aqui. Tenho recebido algumas críticas encorajadoras e planeio tocá-lo nuns serões ou matinés simples e bonitos. Na Sexta-Feira, 27 de Maio, vou estar em Braga numa noite musical onde serei acompanhado pelos meus miúdos, às 20h na Igreja Baptista. Vai ser uma estreia. Venham!
Porque hoje é Sábado e vocês precisam arrebitar.
Eis o segundo single do novo disco: "Karaoke no mundo das trevas". Vão precisar de o ver pelo menos duas vezes. A primeira é para ouvir a letra e a segunda é para rir das fotografias. As imagens têm cerca de 20 anos (algumas têm mais, algumas têm menos). Quem realizou o teledisco foi o Tiago Ramos, que é a pessoa a quem dedico esta canção.
O Tiago Ramos é o meu companheiro musical mais antigo. A letra da canção fala do assunto. Tenho amor pelo meu amigo Tiago e esta canção é uma maneira tosca mas sincera de lhe dizer isso. Também aproveito para agradecer aos outros companheiros, o Ricardo, o Manel, o Carlos, o Miguel, e os outros que assistiam aos nossos ensaios e concertos - sou muito grato a Deus por vocês.
O Tiago espalhou uma data de fotografias antigas na mesa da casa dele e fez uma espécie de mistura de plano-sequência com aqueles mosaicos fotográficos dos discos antigos de hardcore. No final, aparecemos como estamos hoje, para darmos um ar da nossa graça actual. Acho que em comparação com o passado, não estamos assim tão mal.
O disco "Bairro Janeiro" sai no dia 30 de Abril num concerto de oito horas na Flur (do meio-dia às oito da noite, que os nossos horários são amigos das famílias), onde vão tocar muitos amigos, desde o Rui Pregal da Cunha (a representar os heróis que tínhamos há vinte anos) ao Filipe Sambado (a voz mais excitante que aí anda na nova música portuguesa - mark my words!). Em breve ponho o cartaz, que estou a acabar de desenhar.
See ya in the pit.
É simples e bonita a capa do novo disco.
A última vez que assinei um disco como Tiago Guillul foi há meia dúzia de anos. O tempo passa depressa e a passagem do tempo é também um dos assuntos deste disco novo chamado "Bairro Janeiro". O "Bairro Janeiro" é onde cresci, na fronteira entre a Amadora e Queluz.
O disco "Bairro Janeiro" foi gravado na Igreja da Lapa pelo Luís Severo, no Verão de 2015. A ideia foi captar os sons como eles são, sem efeitos e com a acústica do salão principal a cumprir o seu papel. Também por causa disso, o "Bairro Janeiro" soa mais como os discos antigos da FlorCaveira, sem medo da baixa fidelidade. Não fazia sentido gravar canções que falam do passado, mostrando vergonha dele.
"Bairro Janeiro" é o disco nº 50 da FlorCaveira, que criámos em 1999. O primeiro single chama-se "True Believer" e o teledisco faz jus à política de artesanato da editora - a manufactura vai dos pratos pintados pela mãe à máquina de escrever da filha, passando pela realização tosca do pai. A crença na religião e punk rock persiste.