O preconceito com a Literatura Nacional
Hailane Braga
Talvez você ache que esse preconceito não exista ou que é exagero, mas não. É um fato comprovado. Em 2018 estive na Bienal do Livro de Brasília como autora e ajudei nas vendas de outros autores no stand da Editora Novo Século. Apresentei livros lindos, com capas incríveis aos leitores e o que mais ouvi foi “Uau, que capa perfeita! Ah, mas é nacional. Eu não leio livros nacionais”. Parei um pouco para pensar a esse respeito e deixei de ler livros estrangeiros por um tempo. Me dediquei à leitura de livros nacionais e me deparei com um grande problema com os romances que eu estava lendo. Todos eles possuíam o mesmo enredo: moça humilde se apaixona por um cara rico que faz dela sua amada, há momentos hot e depois o “felizes para sempre”. Ao questionar vários leitores, sua justificativa foi a mesma “é tudo mais do mesmo”. Não que não haja leitores para esse tipo de obra, mas quando o leitor se depara com tantos exemplares de um mesmo clichê, passa a acreditar que não há variação na literatura nacional. Além disso, são vários públicos, não dá para ficar com o mesmo tipo de leitura eternamente. Assim, busquei vários autores nacionais para ler e provar aos brasileiros que a literatura nacional é muito mais do que clichês românticos e encontrei histórias tremendas, que me tiraram o fôlego e provaram que eu estava certa ao querer mostrar o que somos. Tudo de que o leitor precisa é dar uma chance ao nacional. Cito aqui algumas obras marcantes de gêneros diversos para você, caro leitor, conhecer e amar, assim como eu: “O Enterro dos Ossos” de Renata Maggessi (investigação), “Redenção” de Michelli Moraes (romance), “Se Não Fosse o Seu Amor” de Larissa Pessoa (romance cristão), “Como Seduzir Um Conde” de Michaelly Amorim (romance de época), “Perdida” de Carina Rissi (romance/fantasia), “O Mal Nunca Morre” (antologia de terror) e ainda um livro meu, Hailane Braga - “Caixa dos Segredos” (drama familiar).
Ressalto aqui que, enquanto nos Estados Unidos o autor possui uma vasta gama de incentivo, além de cursos a disposição para o escritor — inclusive cursos de graduação para escrita criativa — o autor nacional está ainda se descobrindo e buscando ferramentas, não apenas para melhorar seus textos, mas também para crescer como autor e espalhar suas histórias. Portanto, querido leitor, peço-lhe aqui, não que deixe de ler livros estrangeiros, mas que valorize, apoie e aprecie o seu autor nacional. Ele é tão bom quanto um escritor americano, russo, mexicano ou alemão. O que ele precisa é de alguém para ler o que ele escreve e indicar para outro, para que esse preconceito ainda existente fique no passado e o nosso autor seja para você, tão bom quanto seu autor preferido estrangeiro.
Boas leituras e chuva de beijos











