Eat, drink and be scary | @Abigail Fenwick & Stan Shacklebolt
O Halloween sempre foi uma das datas do ano favoritas de Stan. Mesmo que seu pai não apoiasse comemorações do feriado bruxo por conta de considerações das próprias crenças indianas, a mãe do rapaz tinha o costume de celebrar a data de sua própria forma e através de um ritual que contava com o pequeno mirante que ficava nos limites da propriedade dos Shacklebolt. Colocavam capas de tons escuros como vinho e verde-musgo, os tecidos se cobriam de detalhes bordados em dourados e tanto Stan quanto suas duas irmãs atravessavam o bosque do terreno que sua família possuía com velas nas mãos e cantando uma música antiga que a mãe lhes havia ensinado desde muitíssimo novos.
O mirante tinha uma sustentação de concreto, mas a varanda toda era feita de madeira maciça e coberta por galhos de uma planta trepadeira. Deveriam caber seis pessoas não fossem os desenhos que os três filhos dos Shacklebolt faziam no piso de madeira escura desde o dia anterior. Eram figuras de origem egípcia, todas escolhidas a dedo pela mãe dos três, porém umas de outras criadas pelos gêmeos ou por Shailene, a mais velha das crianças. Chegada a meia-noite acendiam incensos e se reuniam sobre os desenhos. Velas acesas e flores do jardim ornamentavam o mirante em forma circular. O desenho que ficava ao centro era o de uma flor-de-lótus, flor que a mãe dos três dizia desabrochar na Terra apenas depois de ter nascido no mundo espiritual.
Como na Índia, a flor de lótus simbolizava para a mãe de Stanley a testemunha da criação do universo. Assim, sentavam todos sobre os desenhos e ouviam a história sobre o momento em que o mundo era apenas trevas e a flor de lótus, fechada como um cálice, flutuava sobre a escuridão e pedia ao Espírito de Deus que criasse o Universo. Era um conto curto, mas que representava bastante para os irmãos naquela noite. Depois disso a mãe dos três dizia palavras enfeitiçadas e os desenhos saíam da madeira dançando no ar e ilustrando histórias sobre o tempo das trevas e os espíritos de origem egípcia. Ao fim tudo virava faíscas brilhosas e cada um fazia um pedido para o Espírito do Sol que vivia dentro da flor de lótus.
Porém, quando todos os três filhos dos Shacklebolt começaram a frequentar Hogwarts, as noites de Halloween de outrora se tornaram uma mera lembrança feliz e infantil. Começaram a viver um Dia das Bruxas diferente, mas que não perdia no quesito magia ou no quesito entretenimento. As festas escolares para o feriado mágico sempre eram estrondosas e muito agradáveis. Stanley, sempre tão disposto a ir para qualquer lugar que se dissesse minimamente divertido, por exemplo, curtia as festas até o fim, sem deixar o estabelecimento antes de assustar seus amigos e beber bastante firewhiskey.
Naquela noite em questão, havia preferido por ir com uma fantasia que não era assustadora, mas que condizia com suas origens orientais de uma forma cômica e criativa. Vestiu-se como um dos heróis do livro denominado “As mil e uma noites”, o Aladim do conto “Aladim e a lâmpada maravilhosa”. Iria acompanhado de Abigail Fenwick naquela noite e a esperava no centro da Sala Comunal da Hufflepuff havia pouco tempo. Ele estava ciente de que Benjy se irritaria por sua atitude ao convidar a irmã do rapaz para a festa, mas Stan parecia mais preocupado com a graça que aquilo que traria e com a companhia agradável de Abigail aos ciúmes do amigo. Boa parte dos alunos já haviam ido para a festa, mas ele ainda a esperava, paciente como o lufano que é. Ao ouvir a porta às suas costas abrir, virou-se depressa, esperançoso que fosse Abigail.












