The city lies helpless underneath its light, this Halloween. - Mary and Rutherford.
O espirito comemorativo que marcava presença em datas e mais data nunca incomodara Ruther de fato, ele apenas não compartilhava desse sentimento e tinha como lazer outras artimanhas que não festas e fantasias. Porem naquela noite o rapaz desejou que não houvesse Halloween ou que pelo menos a escola não oferecesse tamanha festividade para a data. O motivo da insatisfação era bem simples, a situação que tinha presente deixava clara a resposta. Primeiramente Rutherord não queria ter ido a festa e agora tinha uma teimosa MacDonald em suas mãos, ou melhor, tentando escapar delas. - Pelo visto tenho que conversar com a Pomfrey para ver o quão pouco você pode ficar por ai. - falou ainda clinicamente. Seria muito simples para o ex-Ravenclaw ditar-lhe uma ordem médica e a tirar dali, como healer da escola isso poderia ser feito sem dificuldade, nem culpa. O que o impedia era seu lado ‘humano’, como alguns classificariam. Este poderia ser o último Halloween de Mary e ela parecia realmente apreciar a data, quem ela era para impedir-lhe de comemorar? Um médico sim, mas havia algo mais que lhe tirava a decisão das mãos. - Halloween, Natal, Ação de Graças… não é tudo a mesma coisa? - questionou não de forma rude, mas com puro descaso, seu desprendimento beirava o mau humor e isso se devia ao fato de não haver motivo para Ruther ver sentido nessas datas, ele não possuía ninguém para com quem partilhar esses momentos. - Não estou aqui para mudar conceito nem um. Apenas ficarei por perto para que você não acabe estirada no chão do salão - respondeu uma última vez. Mesmo com sua postura rígida diante da situação, um pequeno sorriso surgiu em sua face entre as últimas palavras. Mary nunca pareceu do tipo que revidava ou fazia pirraça, mas estava ali, em sua frente, dizendo-lhe que não deixaria o Halloween passar em branco.
Á medida que Rutherford Poke, também conhecido como o rapaz da enfermaria, demonstrava sua indignação para com datas comemorativas, mais Mary MacDonald sentia-se no dever cívico de fazer alguma coisa a respeito. Seria mentira se a Gryffindor alegasse que não se pegara observando o até então estudante, a alguns anos atrás. Desde o incidente da enfermaria (e do qual ainda não falara muito a respeito) a morena negligenciara nas tentativas de procurar Poke para um mínimo de agradecimento. A verdade era que, aquele dia ainda parecia uma sucessão de imagens, e algumas ainda não faziam sentido suficiente para que Mary acreditasse na sua veracidade. Entretanto a voz do ravenclaw parecia bastante real naquela noite. Tão quanto, ou mais, do que a dor que se acumulara em seus músculos naquela ocasião Talvez ela não estivesse pronta para agradecer ou simplesmente não conseguira lidar com tudo aquilo. De qualquer forma não pensaria naquele dia. Teria muitas oportunidades de fazê-lo. E ainda sim, depois de anos o rapaz aparecia de novo para lhe socorrer. Talvez Rutherford Poke estivesse com alguma carma que envolvesse cuidar de MacDonald. Ao menos ele não precisaria fazê-lo por muito tempo. Era o que alguns haviam dito, provavelmente. - Vai lá e perca toda a diversão. - Deu de ombros ainda de braços cruzados. Não que quisesse que Rutherford saísse dali, até porque naquele momento ele era sua única - e deveria admitir para si mesma, melhor - companhia. Toda aquela negatividade florescia ainda mais a vontade de mudar aquele conceito pessimista que o rapaz alimentara de tais datas. - Não seja negligente, Poke. No Halloween nos fantasiamos e no natal enfeitamos árvores. Embora para alguns seja a mesma coisa, são celebrações diferentes. Não sei na sua casa, mas nos MacDonald nada dessas coisas passavam despercebidas. A respeito do último comentário do moço, a garota se absteve de qualquer contra argumento. De certa forma sabia que corria o risco, ainda que naquela ocasião se encontrava bastante disposta. Algumas pessoas (como parecia ser o caso de Rutherford) pareciam ter total consciência de suas limitações, o que a fazia lembrar da sua real condição, ainda que a esquecera nos poucos instantes que conversavam. Então apenas estendera a mão para a mesa ao lado pegando alguns doces, colocando alguns na boca e estendendo um pouco para o rapaz. - Não temos a oportunidade de comer coisas assim todo o dia. - Voltou a atenção para as pessoas que pareciam se divertir dançando no meio das pessoas. E ainda que fosse uma péssima dançarina em público, a garota pensou que seria algum paradigma a ser quebrado. Hesitara algumas vezes antes de falar uma coisa que em voz alta iria parecer bastante idiota. - Dança... seria uma boa forma de começar o projeto. - A voz soou baixa e antes que percebesse já estava com vários doces na boca. Mary havia enfim conseguido se constranger naquele momento. E se por algum segundo pudesse voltar atrás... ela não voltaria, para falar a verdade.












