Sobre a menina de bolsa em punho
-Que se cale, então! Ou o silêncio agora, pra você, é grito? Juliana não se continha na amargura e na revolta, suas palavras febris eram mínimas perto do que seus olhos flamejantes continham.
-Preciso dizer o que já sabe?! Você já foi convidada e guiada para dentro de minha vida, de mim. Mas, não ousou vive-la comigo, você queria mais uma capa na sua estante, um prefácio mal lido na sua falácia. Eu não sou parte, nem quero partes, pois de partes em partes esquece-se do todo. Jamila trazia, no olhar, a distância de um oceano inteiro, o não visível pesado e urgente do ar e a mira de uma águia.
-Não vê como pesa? Tudo o que não dizemos... O que você me pede pra engolir junto com as lágrimas, o que tua garganta não cospe enquanto teu coração pulsa. Tudo isso! Se eu não te leio por inteiro é pelo seu capricho em traduzir-se para o inteligível! Tudo que seu coração quis reservar de nós, agora dos derrota Jamila.... O carinho, à contragosto de Juliana, era nítido no seu desgosto.
-Omissões... meu erro foi sonhar que teu caminho era compatível com toda sorte de destinos que meu peito quis te dar! Talvez, esse meu desejo de trilhar juntas um caminho por entre as estrelas fosse um pouco além do que você quis me contar com "amor,". Toda a liberdade você teve para nos moldar, para interromper o que não te faria bem, para construir as suas estradas, mas permitiu que a maré te levasse, isso pesa! E agora me acusa de omissões... Jamila estava fechada em seu arisco pesar, nada poderia evocar de seu peito que não o ódio.
- "amor." ! Meu instinto é deixar que flua, que seja, que se escreva! Esse foi o exercício da liberdade a mim dada. Não se engane, eu te permite construir, eu agi, eu moldei, se não combati seus sonhos foi por crê-los. Tenho medo de toda esta profusão de esperanças e sonhos! Sim, os temo! Por amor, por sonhar junto! Por, talvez, por tudo a perder! Suas nuances.. tantas nunces Jah! Como eu podia estar certa do que estávamos escrevendo e do que se seguiria? Um temor diluía algumas partes de seu desgosto. Juliana preferia conviver com o motivo de seus desgostos do que com sua morte.
- Perceba, se tenho nuances você tem acordes, e são muitos. Há, entre nós, uma potência para ser muitas coisas, sonhar e fazer. Talvez a ansiedade do pressentir as maravilhas tenha nos posto em corrida quando devíamos ter caminhado... Depois do que vi, do que ouvi, depois de todas as minhas vis desconfianças confirmadas, não pode haver "depois,". Eu, tive de reaprender a deixar o caminho por entre estrelas só pra mim, foi ali, na confirmação, que você perdeu meus destinos, meu peito inteiro, Ju. Jamila recolheu seus pertences, um a um, se despedindo dos móveis, daqueles cômodos. Apertou a bolsa contra o ventre, e antes de ir olhou nos olhos de Juliana.
-Se você for vai também tudo que restou de uma esperança, de um caminho! Nós podemos recomeçar Jamila! Juliana envolveu aflitamente Jamila pelos cotovelos, contendo seus braços. Duas lágrimas correram e gotejaram entre as duas, na bolsa.
-Eu já não estou mais aqui. Você já queimara qualquer caminho. Se quer chamar de insegurança, tudo bem, os frutos da sua insegurança mataram meu sopro de esperança, mataram o que em mim era teu. Jamila livrou suas mãos, enxugou suas lágrimas, e sem olhar pra Juliana, se foi.