[Flashback] How he came? || Dylan x Skye x Phoebe
Poucos sabiam, mas o chalé de Afrodite tinha quase que uma regra própria. Não os filhos da deusa do amor; o chalé. Algum tipo de encantamento, talvez. Ou uma feliz coincidência. Ou algo que acontecia por desejo desta tal deusa, para que seus filhos obtivessem a perfeição até dormindo. Ou, podia ser mesmo a música harmoniosa e ambiente que sempre tocava sempre por ali - música que parecia vir inclusive das paredes. Mas o fato era esse, e pelo motivo que for, como disse, era quase uma regra: Não tinha pesadelos. Qualquer um que dormisse no chalé 10 não teria pesadelos. Á não ser que fosse realmente necessário.
E outro fato, era que Dylan não se lembrava da sensação de acordar desesperado ou suando. Infelizmente, lembrou-se desta tão rapidamente quanto o tempo que levou para cair no sono na noite anterior. Era como se os deuses - ou uma deusa em especial - quisesse que dormisse. E quisesse que tivesse esse maldito sonho. Ao levantar-se, tratou de ignorar o fato de que um minuto antes suas mãos agarrassem o lençol como se este fosse sua salvação.
Caminhava, e caminhava, e caminhava, e andava mais um pouco, então, mas parecia não acabar: Uma imensidão negra; tão escura quanto podia imaginar ser possível e aparentemente infinita. Tinha uma adaga em sua mão, e tinha certeza que já havia visto-a, mas não conseguia lembrar-se como, onde ou porque. Na verdade, não conseguia se lembrar até mesmo que a figura machucada e mancando que caminhava á sua frente era sua própria figura. As únicas coisas que conseguia pensar conscientemente ao observar á si mesmo andando sem direção aparente, era no silêncio extremo que se estendia - afinal, nem mesmo os passos do filho de Afrodite faziam ecoar algo - e na trilha de água que se seguia atrás deste, quase como se viesse dos próprios pés do homem, sendo deixada enquanto seguia seu rumo. E após ignorar estas observações, mais duas lhe surgiram á mente: Primeiro: a compreensão de que a imagem á sua frente era importante. Segundo: a expressão do garoto que via. Ele parecia sofrer, mas um brilho de determinação continuava resplandecendo em seu olhar. E sua boca se movia lentamente, murmurando algumas palavras que seu eu observador não conseguia ouvir. Se aproximou da figura, e se aproximou, e se aproximou, e agora, via o cenário com novos olhos, os olhos do menino mancando. E agora, podia saber o que ele dizia, pois dizia á si mesmo.
-- Encontre-o. Encontre-se. Encontre-as. -- Repetia com uma calma que não sabia de onde vinha.
E agora, podia ouvir o que o menino ouvira e lhe fazia sofrer, pois só ele ouvia, pois aparentemente estava sozinho - mesmo que as palavras viessem de todos os lados, sem nenhum lado exato. De todos os jeitos, de jeito nenhum exatamente.
-- Desista. Morra. Abandone.
Lembrou-se das palavras, enquanto vasculhava seu guarda-roupa pela décima vez, sem prestar atenção ao fato de que já havia sim separado um conjunto. Só não queria ficar parado. Vestiu-se, enfim, colocando em seguida o costumeiro coturno nos pés.
A voz que agora reconhecia ser a mesma de Skye repetia em sua mente, e soava como se a garota estivesse á sua frente sussurrando alto.
Desista.
Saiu do chalé e deixou que seus pés o levassem para o único lugar certo de se ir: A Casa Grande. Não era lá um grande fã do deus simpático do vinho ou do cara com bunda de cavalo, mas sabia que algum motivo para seu medo - que definitivamente não admitiria estar sentido - existir.
Morra.
Esta, era Phoebe.
Parou á escada da Casa, e ouviu vozes lá dentro, essas bem mais reais quanto as que soavam em sua mente.
Abandone.
E esta, sabia absolutamente de que nunca havia ouvido.
E em um turbilhão, veio sua própria voz novamente, Encontre-as; encontre-o; encontre-se. Reparou debilmente que agora a ordem das palavras era outra e estranhou claramente o fato de "encontrar-se" vir por último.
Abriu a porta, entrando sem notar que havia esquecido de bater. E a filha de Ares e a de Poseidon estavam lá. E realmente, não pareciam felizes, ao olhá-lo dos pés á cabeça quando chegou. Obrigou-se á sorrir de lado, tomando para si o costumeiro humor arrogante e ao mesmo tempo divertido.
-- Estamos ferrados, não é?
















