Comprendi que solo me querias por necesidad...
Lasnotassuicidas
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Comprendi que solo me querias por necesidad...
Lasnotassuicidas
"Antes de que te fueras, gritaste que yo no tenía corazón, que mis sentimientos eran falsos, que yo era falsa. Oh cariño, fui hipócrita con todos menos contigo"
O exército anti big brother e sua ridícula luta perdida
Então moçada do futuro do meu coração, está passando na televisão uma cena de novela em que o protagonista fica sabendo pela sua própria amada que o motivo para sua porta parecer tão pequena é a galhada que ele ostenta em sua lustrosa testa há tempos, sem saber. E ele acaba de perdoá-la. Estou desconsoladamente puto ao ver que minhas expectativas de ver as roupas dela alçando voo pela janela do leblon foram frustradas, e vim aqui escrever, para a alegria de vocês. É como eu sempre digo, corno é sempre o último a saber e o primeiro a perdoar. E ao ver o célebre apresentador do grande irmão brasil, já me preparo para as incontáveis hordas de argumentos contra o famigerado reality show. Antes que me perguntem, eu também acho o tal programa a latrina da diarréia intelectual do povo brasileiro (no qual eu me incluo, caro amigo do futuro que deve estar agora me chingando de hipster esnobe), mas seria hipócrita se dissesse que não paro de tirar meleca do nariz, o que - aliás - é meu passatempo favorito, para olhar quando uma das esculturais moças (que eu acredito que foram sorteadas entre todos os inscritos tanto quanto acredito que elas são moças recatadas que não exibirão - para a tristeza dos marmanjos - suas respectivas pepecas em revistas masculinas após o fim do programa) estão desfilando suas esculturais bundas na tela da minha TV. O ponto a que eu quero chegar, meu amigo, é que o programa é uma das maiores - se não a maior - obra prima do mercado do entretenimento atual. 'Ah, não é nada, tanto canal bom no youtube, séries excelentes disponíveis pra download, e coisa e tal'. Deixa eu te explicar duas coisas, amigo do futuro que nesse momento está achando que eu sou mais um alienado escravo da tv aberta brasileira: A primeira delas é que gosto é extremamente subjetivo. Em palavras mais simples, o que é o atrativo mais interessante do mundo pra você pode ser uma merda produzida por um mendigo viciado em cola de sapateiro pra mim, e vice versa. A segunda é que o programa é uma obra genial do mercado atual simplesmente por que a globo encontrou um formato de programa onde se pode condensar tudo que o brasileiro mais gosta: bunda, pessoas pra invejar e polêmicas para serem discutidas e ele poder bancar o falso moralista com particular maestria. Em palavras mais simples ainda, a globo só deu ao povo o que ele gosta. Tanto é que já são treze anos televisionando a mesma coisa repetidamente com índices recordistas de audiência. Me responda, quem manteria um programa por tanto tempo no mesmo formato se ele não fosse extremamente rentável? Parece que são mais de 1 milhão de ligações a cada paredão (faça as contas, se cada ligação custar 50 centavos, são quinhentos mil reais por paredão. E eu duvido que seja só isso), e isso é só um lucro adicional perto das dezenas de contratos de merchandising multimilionários com grandes empresas do país. Agora vamos juntar essas duas coisas que eu falei numa receita tão simples que eu acho que todo mundo já pensou nisso e nunca quis admitir para si mesmo: Se há um jeito fácil de fazer dinheiro (trancar umas quinze pessoas numa casa, dar comida e bebida a elas e esperar para que, como ratos brigando por território, as intrigas comecem) com o que o povo gosta (e tanto gosta que, como eu disse, o programa bate recordes de audiencia. Antes de falar que você e um monte de pessoas não gostam, pondere a insignificancia numérica da sua bolha perto do resto das pessoas que compõem o grupo de quase 200 milhões de indivíduos que se chingam fecundam fodem denominam brasileiras), por que não fazer? Então, caro amigo, antes de dizer que a globo é uma bosta por isso e aquilo, se imagine na cadeira de dono da empresa: você certamente se aproveitaria da alienação do povo(estou generalizando, poupem-me do "você não conhece todo mundo"). Afinal, não é da televisão privada (enxergue aí o trocadilho, meu amigo do futuro inteligente) a obrigação de colocar senso crítico nas pessoas, até porque alguém que possui um comércio, em sã consciencia, não é besta de espantar sua própria clientela. E antes que você me venha com aquela conversa de moral e altruísmo, que são conceitos subjetivos e que - desde que não firam a legislação - são todos aceitos dentro deste estado maravilhoso (?) que se diz livre, eu lhe digo que vou encerrando essa não tão breve argumentação por aqui, visto que tem uma mulher pelada agora na frente da tv e se você vai perder a cena em nome de uma suposta inteligencia fajuta, eu não vou. Me chamem de tarado, andem :)