na visão de viktor hwang, a awards season era sempre igual, em todos os anos: os mesmos apresentadores, os mesmos ganhadores e discursos básicos e sem paixão alguma pelo que faziam. compareceu aos eventos daquele ano por pura educação (sua música havia sido indicada em algumas categorias) e, também, porque nicholas insistiu muito para que ele fosse. mesmo que não fossem juntos, estavam juntos. na mesma mesa e com o mesmo círculo social ; um rondando o outro e eventualmente fugindo para o banheiro mais próximo para um pouco de alívio. ou, pelo menos, vinha sendo assim naquela edição. as pessoas se surpreenderiam com o quanto esconder um relacionamento (ou o que quer que os dois tivessem) pode ser cansativo. na realidade, viktor é assumidamente bissexual desde os dezessete anos e sabe o quão sortudo foi por ter passado por um processo de aceitação (seu e das pessoas que o cercam) tão calmo. ele também sabe que nem todos possuem essa sorte, principalmente na indústria de entretenimento — como nick.
mas, ainda assim, conseguiam se divertir. um dos maiores passatempos do hwang era provocar o ator em qualquer ocasião, seja trancados num quarto ou no meio de tantas celebridades e o diretor de cherry wine. para ele, havia certo prazer na adrenalina de serem pegos e, por isso, raramente se continha. isso explicava como, depois de margot walsh passar com bernard gautier em direção ao banheiro, sua mão abandonara a mesa onde estavam sentados e apoiou-se no joelho do namorado. “ — do you think they’re banging?” perguntou num tom baixo, referindo-se ao suposto casal que acabaram de ver, enquanto sua mão subia pelo interior da coxa. tudo era feito com tranquilidade e discrição, para não desconfiarem. “ — i know he’s got a girlfriend, but for fuck’s sake. they’re literally heading to the bathroom! i’m no expert in relationships, but i’m quite sure it’s not how friends behave. we should know.” riu baixinho, sem se preocupar com o olhar irritadiço de nick em sua direção.
não tinha muito interesse no relacionamento (ou na falta dele) dos dois protagonistas da série, estava apenas falando demais para disfarçar as próprias intenções. o cantor observava o outro com tamanha atenção que alguns diriam que era algum tipo de adoração. não estava muito longe da verdade, mesmo que não dissesse aquilo em voz alta. ainda. lentamente, a mão se moveu até chegar em seu membro, fazendo bom proveito da calça apertada do jung e da escuridão do salão da festa para que pudesse acariciar e ocasionalmente dar um leve aperto na região. nicholas estava duro, como imaginou. talvez por vestígio dos amassos que deram num dos camarins há poucos minutos ou culpa de sua mão, que não havia o deixado em paz desde que chegaram. “ — i wish i could touch you properly. i know you want me just as much, don’t you?” e, como se quisesse provar seu ponto, seu olhar desceu do rosto dele para suas calças ; onde a própria mão do cantor estava, ainda o masturbando por cima do tecido, numa posição deveras comprometedora. “ — wouldn’t you like me to strip you down? and suck right here?” para ilustrar o que falava, passou o polegar por toda a extensão, explícita na calça. dessa vez, sentiu o seu pau pulsar, em antecipação.
ao ouvir um gemido baixo e contido da garganta de nick, um tanto exasperado e também excitado, tentou, sem muito sucesso, abrir o botão da calça dele. no entanto, quando estava quase conseguindo atingir a meta, escutou a reclamação alheia. we’re in public. preocupação, quem sabe. naquele momento, se fosse ser sincero, viktor não conseguia sequer lembrar qual seu nome ; focado demais em provocar e dar prazer em nicholas jung. gostava disso mais do que admitia. “ — are you sure, though? well, you’re right. we shouldn’t do this now.” concordou, acenando a cabeça. uma parte por respeito à privacidade dele e por pura provocação, também. recolheu a mão do corpo do outro e levantou-se, fazendo menção de sair de perto da mesa. antes de fazê-lo, colocou a mão no pescoço de nick e aproximou os lábios do ouvido alheio, mais próximo do que o necessário para ser ouvido. “ — but, you know, i’m heading to my hotel room right now. if you want to, i’ll gladly make you scream my name the minute we’re alone. i’ll make sure we’re both naked, don’t worry.” dito isso, apenas deu um leve aperto em seu ombro e perdeu-se na multidão, na saída da festa.