❣ stinda
7. a hug + kiss combo.
Rosalinda costumava detestar aquela locadora. Achava o lugar feio, bagunçado e um símbolo real de seu “fracasso” profissional naquele momento. Queria voltar para Yale, para suas aulas de história do direito, seus grandes sonhos e aspirações. Às vezes antes de dormir até repassava o discurso que faria em sua formatura quando finalmente fosse a oradora da turma. Mas aí as coisas foram mudando. Claro, ela não era apaixonada por aquele emprego. Por mais que gostasse de filmes, preferia assistí-los a passar os dias indicando títulos para jovens bagunceiros e famílias pacatas que frequentavam o local.
Esperta como era, não demorou para que a ruiva começasse a reparar nos olhares de Harrington sobre si. Meu Deus, como ele era bobo... Como era possível que alguém fosse tão perdido? Ele não lembrava o título de nenhum dos personagens de Star Wars, muito menos sabia quem era Marty Mcfly, mesmo que ela e Robin já tivessem explicado um milhão de vezes. E ele ficava olhando. Não era necessariamente incômodo, afinal, por mais que não quisesse admitir, Linda o achava bonito e engraçado, com suas péssimas piadas e o jeito com que tudo o que ele fazia parecia calculado para virar um flerte. Talvez ligeiramente charmoso, mesmo sendo muito barulhento e tendo um milhão de expressões faciais exageradas para qualquer coisa.
Steve a irritava. E na mesma proporção a encantava de uma forma que ela nem mesmo sabia explicar.
Quando as coisas começaram a se complicar e Hwakins começou a ser... Um lugar esquisito, com laboratórios subterrâneos, mundos invertidos e outras bizarrices sobre as quais a jovem nunca tinha ouvido falar antes, a primeira coisa que ela notou foi o medo que sentia de perdê-lo. Durante aquele processo, ele continuou irritando-a. E continuou encantando-a.
O tempo foi passando, as coisas foram ficando mais e mais estranhas. Os perigos foram se aproximando e de repente eles estavam na mesma locadora onde tudo tinha começado para ela, sentados no chão atrás de uma prateleira, vivendo breves minutos de “sossego” antes que precisassem procurar outro abrigo. Ela o olhou, assustada, e percebeu que mesmo depois de tudo aquilo, o maldito topete continuava no lugar. Mas ele estava machucado, cansado, tão assustado quanto ela e nas entrelinhas da expressão séria no rosto do rapaz, ela conseguia perceber tudo isso.
“Harrington...” ela chamou, propositalmente esbarrando no ombro alheio e pensando no quanto sentiria saudades dele caso qualquer parte do plano desse errado e eles nunca mais se vissem. O olhar no rosto de Steve pareceu ligeiramente surpreso e ela quase riu, somente porque era algo que já estava acostumada a fazer sempre que ele estava por perto. Porém não havia tempo para tal e a Stuart se limitou a abraçá-lo, sentindo o corpo masculino junto ao seu por breves segundos e guardando na memória todos os mínimos detalhes que podia. Ela ficou ali, quieta, sem se mover nem mais um pouco quando ele correspondeu o abraço. Se soubesse como era bom estar aninhada nos braços dele, teria feito isso muito antes. Se soubesse o quão segura se sentiria, se soubesse antes que sua felicidade tinha deixado de viver nos corredores de Yale para morar bem ali, no coração daquele rapaz com cheiro de spray de cabelo da Farrah Fawcett, ela teria lhes dado aquela chance no primeiro sorriso que ele lhe dirigira. “Yale que se foda. Eu quero ficar com você.” continuou, sem nem saber se aquilo fazia algum sentido. Talvez nem fizesse.
Ela não esperou por uma resposta verbal antes de beijá-lo. Ok, estava gostando dele, mas nem por isso ignoraria o fato de que ele era um pouquinho devagar de raciocínio. Estava tão ansiosa, nervosa, assustada e carregada de adrenalina, que não podia deixar passar mais nem um segundo. Na infinidade de instantes que se passaram dentro daquele beijo, ela torceu para que seus sentimentos ficassem claros e para que fossem um incentivo a mais para que ele voltasse. Torceu para que tivessem a chance de se falar novamente depois, sem nenhuma criatura estranha tentando matá-los ou whatever.












