Em visita à Curitiba, Hugo Chávez, presidente da Venezuela, esteve hoje no Teatro Guaíra, em reunião com os principais grupos sociais e políticos do Brasil, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), a Via Campesina e outros movimentos sociais. O presidente venezuelano falou sobre a Alternativa Bolivariana para a América (ALBA), projeto que visa a criação de um bloco econômico sul-americano. Criticou o governo dos Estados Unidos e lembrou das derrotas que os EUA tiveram no Vietnã, Venezuela e Afeganistão. Disse que “os EUA provarão a força do Irã”, caso venham a intervir naquele país.
“Viva Brasil! Viva Venezuela! Viva Sur-América!”, foram as primeiras palavras de abertura do discurso de Chávez. O presidente elogiou a participação dos jovens em eventos sociais como esse. Disse que a juventude latino-americana deveria ser como uma “bomba atômica”, pela força que pode empregar na luta contra “essa globalização neoliberal”. “Lutem! Lutem!”, foram as palavras de Chávez à juventude brasileira. Foi interrompido por uma indígena da tribo dos charruas, do Rio Grande do Sul, que subiu ao palco para abraçá-lo. “Estou emocionada”, disse a índia curandeira.
Hugo Chávez falou sobre a importância da ALBA, que pode se tornar um bloco mais forte que a ALCA entre os países latino-americanos, para o desenvolvimento sustentável do continente. Exemplificou a prosperidade do projeto com a relação que Venezuela e Cuba, que criaram o projeto há um ano, alcançaram. O presidente acredita que os países sul-americanos devem firmar-se em um bloco econômico, social e cultural, em oposição ao neoliberalismo estadunidense, que está fadado ao fracasso, segundo Chávez.
Hugo Chavéz foi chamado de “Presidente da República Bolivariana” diversas vezes, por ser o maior incentivador da proposta de uma América Latina preocupada com o desenvolvimento de seus povos. Destacou a importância dos movimentos sociais, estudantis e indígenas na luta por esse desenvolvimento.
Após pouco mais de duas horas de discurso, Hugo Chávez terminou pedindo reflexão sobre a necessidade de uma revolução contra a dominação econômica e cultural a qual os países da América do Sul se submetem. Não incentivou a uma revolta armada, mas a uma confrontação ideológica, que possa trazer igualdade social aos povos, que tanto contribuíram em sua história para o crescimento dos países tidos como potências mundiais atualmente.
Socialismo e ALBA.
Chavéz afirmou que o capitalismo está fadado ao fracasso. Defensor de um socialismo adaptado aos tempos de hoje, citou os nomes de Evo Morales, presidente da Bolívia, Tabaré Vasquez, do Uruguai e o presidente cubano Fidel Castro, além dos presidentes da Argentina e do Paraguai, como exemplos de combatentes do socialismo. Chavéz deseja que Ollanta Humala, candidato a presidente do Peru, ganhe as eleições para fortificar o ideal da alternativa proposta pela Venezuela.
Quanto ao Brasil, Chavéz apóia a reeleição do presidente Lula, e diz ser ele o “homem do momento” para o Brasil. Para Chavéz, o Brasil tem uma posição estratégica defensiva no continente, e deveria apoiar a ALBA, pois para ele o Mercosul perdeu sua força.
A ALBA foi criada com base na Confederação de Repúblicas, proposta por Simon Bolívar, um dos principais líderes da luta pela independência dos países sul-americanos que estavam sob o domínio dos espanhóis.
Manifesto das Américas – durante o evento, João Pedro Stédile, coordenador nacional do MST, anunciou a divulgação doo Manifesto da Américas em Defesa da Natureza e da Diversidade Biológica e Cultural.
O texto, que defende a conservação da biodiversidade biológica e cultural das Américas e o combate aos Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), foi lido pelo bispo Dom Ladislau Biernaski e a cantora Beth Carvalho. O manifesto propõe políticas que visam a preservação dos ecossistemas e o desenvolvimento social e o combate aos Tratados de Livre Comércio (TLCs), propostos pelos EUA, como a ALCA.
Assinaram o documento o presidente venezuelano, o governador paranaense Roberto Requião, o diretor da TeleSur no Brasil, Beto Almeida, Dom Ladislau Biernaski e Beth Carvalho, presentes na reunião. O documento conta também com a assinatura do escritor uruguaio Eduardo Galeano, o argentino Pérez Esquivel, ganhador do prêmio Nobel da Paz na luta pelos direitos humanos.
Requião
Após a apresentação dos integrantes da mesa, o governador iniciou seu discurso apoiando o governo federal. “O que importa é que Lula resiste e o Brasil tem uma política externa independente”, disse Requião. O governador falou também sobre a proposta de emenda constitucional contra o antinepotismo no estado que foi derrubada pelo governo. Chamou a proposta de “venérea” e disse que “era uma mentira (a proposta)”. Disse que os grupos que a apoiavam eram uma “minoria de merda” e desculpou-se pela franqueza.
Hugo Chávez disse que é importante manter relações econômicas não só entre países, mas também na esfera dos governos estaduais. O presidente venezuelano veio ao Brasil para retribuir a visita feita pelo governador Requião em novembro do ano passado à Venezuela, e também para firmar acordos com o estado paranaense, que envolverá cerca de US$ 320 milhões
Estiveram presentes no dia os movimentos La Via Campesina, o MST, o Movimento Nacional de Luta pela Moradia, Movimento de Mulheres Campesinas, dos Atingidos por Barragens, o Greenpeace, Além da Coordenação Agrária Nacional: Ezequiel Zamora (Tierra y Hombres libres), a Pastoral Operária,
militantes do PT e do PcdoB e APP sindicato dos Trabalhadores da Educação do PR.
“Globalizemos a Luta. Globalizemos a Esperança!”
“Hey, companheiro, levanta e vamos a luta. Hey, companheiro, para juntos a terra conquistar”