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TIRE A MÃO DA MINHA CABEÇA!
Meu corpo não é um espaço público, você não deve me tocar sem a minha permissão.
E não me venha com " eu só queria saber como era ", não busca entender como sou tocando meu cabelo, a grandeza da negritude que corre em minhas veias não está ao seu alcance.
Tenho a copa da árvore de minha ancsentralidade na cabeça, assim como as plantas, eu rego, cuido, podo, por isso não me toque com essas mãos ainda manchadas do sangue de meu povo e me poupe dessa ingenuidade seletiva a qual você credibiliza sua (micro)agressão.
Desde que meus ancestrais chegaram neste continente apanham por seus cabelos blacks que distoavam do ideal branco europeu sequestrador, cabelos como o meu eram e são sinal de orgulho e resistência, ou seja, não, não é moda.
Ah, antes que eu me esqueça, ruim não é o meu cabelo, ruim é ter que ouvir um(a) sem noção vir com "Como seu cabelo é ruim" disfarçado de "Deve dar um trabalhão para deixar ele assim."
Ruim é reality show colocar boneco de lavar louça negro com cabelo black para esponja, ruim é marca de utensílios de higiene domésticos lançar palha de aço chamado "Krespinha" quando, em nosso país, inúmeras gerações sofreram e ainda sofrem discriminação por ter seus cabelos associados exatamente a esses produtos. Ruim é ouvir "piadas" no trabalho ensinando que você pode esconder até uma criança no cabelo. Ruim é uma mente doente achar engraçado tudo isso.
Você põe a mão na bunda de uma pessoa que você não conhece e/ou que não te deu intimidade? (Não deveria) Se você entende que não deve colocar a mão no corpo de alguém desconhecido, por que vem colocar a mão na minha cabeça?
Huiris Brasil - 10/12/2020
Me tirem tudo, só não me tirem a dança!
Ela regenera cada parte quebrada do meu ser, me reanima, me dá a dignidade do viver. Sem dançar não vou, não estou, não existo, pois é com a dança que me permito. É com os pés no chão que faço as pazes comigo. O calor, o suor, a música alta, sem isso como vive a nossa alma? Não vive, não vibra. A dança é como a vida explode, queima e vira brasa, mesmo assim, no final de tudo, tem a dança da fumaça. Com a dança eu transbordo, saio de mim, me vejo no outro e... Como é bom estar no outro, ter o outro, como é bom sentir a vibração percorrer meu corpo e emanar pelo espaço, a batida da música traz meu coração no compasso e eu vejo a potência no que faço, no movimento partilho carinho, respeito e afeto. Dançando faço amiges, parceires e admiro mestres, resolvo meus B.O.s e troco até quando só. Não sei se você entende, me sinto forte, potente, ao mesmo tempo, calmo e em paz. Na moral, não sou eu que faço dança, é a dança que me faz!
12/01/2021 - Huiris Brasil
Huiris Daniel
É Carnaval no Brasil
De fato, o rolê da grana me pega muito, as contas tão bem apertadas por aqui, a ponto de sair pra curtir/brincar o carnaval estar fora de cogitação...
Ser artista, preto e periférico, no Brasil , é sonhar com a felicidade da noite de apresentação e perder o sono pensando no dinheiro de ter um teto pra dormir...
Conversa de Artista - 15/02/2026 10:59 - Carnaval
Eu não vou ficar. AC.
03/07/2025
Olhei nos olhos dela. Não, não era ela, mas era como se fosse. Um cheiro único, o ar quente, só havíamos nós, nós e um pedaço dela, com o cheiro dela, uma lembrança dela, de lá, (d)ela. Não, não era ela, mas era como se fosse. Não a re-conheço, como posso dizer que já senti isso? Eu... Eu a conheço! Eu a sinto. Mas... ela se lembra de mim? Ela sente minha falta? Toda vez que estou de frente para o mar é como se ouvisse seu clamor, é como se sentisse uma parte minha me chamando, eu sei, eu sinto! E não, não era ela, mas era como se fosse. Ela que atravessou o mundo comigo, que me acompanhou no tempo, que estampa minha face, que faz da minha pele terra, ela que se reconhece no outro e faz de nós povo. Como puderam tentar apagá-la de mim, de nós?! Como puderam me arrancar do seio dela, como um animal a ser vendido? Como puderam ? Como podem? Como vocês não vêem?! Não, não era ela, mas era como se fosse! E como seria ela, se apagaram as rotas, se fecharam as portas se pagaram para matá-la de dentro pra fora? Ela evoca minhas lágrimas, turbilha minhas águas, ela que acolheu os corpos no fundo do mar, ela que sobreviveu! Compreendo os que sucumbiram à loucura, os que definharam sem vontade de comer, que perderam a voz num porão escuro da mente ou do mar, pois também me faltaram palavras, minha mente também flertou com a loucura ao sonhar reecontra-la ali. Como descrever essa sensação se as palavras dessa língua não dão conta de expressar a saudade que sinto toda vez que me encontro diante da imensidão azul e salgada que me separa dela. Não, não era ela, era eu. Eu que quase me esqueci, eu que quase não senti, eu que a olhei nos olhos e não Me reconheci. Não sei quando, nem em que lugar do mundo, mas plantarei minha África no chão e eu te juro! Aqui, não morreremos de banzo profundo.
Huiris Brasil - 14/02/2025 - 18:26
Jéssica e eu fomos a uma loja de artigos africanos, praça da República, n° 80 - ap. 902. Ao entrar pedimos para ver as máscaras africanas - estamos procurando para nosso primeiro trabalho - ao entrarmos na sala onde elas estavam, o cheiro de madeira foi o primeiro a me chamar a atenção, o calor da sala sem ventilação acentuou a mudança de ambiente, Jéssica perguntou o preço e então nos calamos. Os olhos corriam de um lado para o outro tentando dar conta de tantas cores, linhas e formas, as máscaras faziam bicos, tinham olhos abertos e fechados, pareciam indiscutivelmente pesadas e traziam com sigo histórias que nunca imaginamos, de pessoas que não vimos, mas se parecem muito conosco. Num pedestal, na prateleira, uma chamou a atenção dela, cabelos de palha em Twist, miçangas e búzios compunham a máscara, ela era diferente das outras, não sei explicar o porquê. O silêncio era mútuo, das poucas coisas que consegui dizer, só consigo me lembrar de falar sobre a quantidade de energia que tinha alí e da Jéssica dizer que faríamos um banho [de ervas] para mergulhar a máscara. Conexão, saudade, inspiração, desejo, etc. não descrevem o que estavamos sentindo apesar de se aproximarem. Mesmo sabendo que não tínhamos dinheiro para levar nenhuma delas Jéssica perguntou o preço da Máscara Son Pwo Chokwe (a que nós chamou atenção) R$ 1.000. agradecemos e fomos embora em silêncio.
Caralho, como seu perfume faz isso?
É como se eu estivesse de novo naquele rolê que você estava de camiseta cinza, na ponta da mesa, eu estava ao seu lado de braços dados e sentindo seu cheiro, a galera sem entender muito o que estava rolando e de onde vinha aquele clima todo, a gente sem se olhar nos olhos por quê sabia que o beijo era iminente. Você não sabe como mexe comigo. O peso da sua perna sobre a minha, o calor do seu braço encostado no meu, a sensação que a textura da sua camiseta provocava no meu nariz enquanto eu te cheirava... Cada inspiração fixava um pouco mais de você na minha memória.
O estranho é que dói não ter te tomado nos braços naquele dia, mesmo sabendo que não seria simples lidar com o depois, as amarras da sanidade estavam mais finas que a camada de espuma no seu copo de cerveja. Foi por tão pouco que até hoje eu não sei como consegui me segurar. Você me faz duvidar das minhas próprias convicções. Eu gosto de acreditar que me mantive firme, mas as borboletas se agitam no meu estômago toda vez que eu acho que vou te encontrar dizem que eu não resistiria por mais uma semana.
Eu achei que isso tinha passado, já não pensava tanto em você e nem lembrava tanto das bobeiras e bons momentos juntos, mas sentir seu perfume me envolveu tanto quanto pular nas águas geladas de uma cachoeira, mas a sensação foi de estar com o rosto no seu pescoço, sentido o calor do seu abraço, queria poder te abraçar agora, te cheirar , te olhar nos olhos e curtir casa pedacinho seu.
Que merda, por quê seu cheiro fez isso comigo?
Cartas para Dan - 19/08/2024 19:48