@hvnsclx ⋆¸* ⋆ —— jooheon era capaz de nomear com clareza as ocasiões nas quais havia precisado de uma flor em vida. o número era pequeno o suficiente para carregar na memória, mesmo com o passar do tempo. a última vez havia sido no primeiro ano do ensino médio, quando presenteara a mãe com duas pequenas magnólias cor-de-rosa amassadas e fixadas sobre uma folha de papel manteiga, para servir como marcador dos livros em cujas páginas ela vivia sempre imersa. ironicamente, foi apenas depois da morte que jooheon aprendeu a gostar de flores; gostava do quão silenciosas eram, e do poder que tinham de mudar completamente a atmosfera de um cômodo. aquela habilidade se tornava incrivelmente útil em um ambiente como o abrigo, dentro do qual as tristezas individuais de quinze pessoas conviviam até se tornarem uma única coisa, uma nuvem cinza e densa que nunca ia embora completamente. havia cultivado o hábito de, uma vez por semana, trazer para casa consigo um punhado de ciclames brancos, e os julgava terrivelmente apropriados; eram venenosos, para início, e simbolizavam tanto a juventude e a inocência quanto a morte. imediatamente após empurrar a porta que dava acesso à floricultura, foi capaz de perceber a inquietação do cômodo e, unindo as sobrancelhas, presumir que algo estranho estava acontecendo. “a expressão no seu rosto quase me fez perguntar se você viu um fantasma, mas vou me abster considerando as circunstâncias.”











