Qualidades e defeitos: Brincalhão, dedicado, inconvincente e impulsivo.
TW: Negligência parental, menção a agressão e substâncias ilícitas.
Dohyun nasceu e cresceu na classe média de Ansan, o mais novo de três filhos de um casal complicado. Sua vida ao lado da família foi um tanto difícil, seu pai é um advogado mal sucedido que constantemente trai sua esposa e desmerece as conquistas do mais novo, sua mãe é dona de casa que continuamente bebe o tempo todo e não dá os cuidados necessários para os filhos, e seus irmãos atormentam sua vida por completo, agridem e judiam do menino por pura diversão, ou talvez, para descontar as frustrações daquela família problemática.
Nunca foi valorizado ou incentivado pela suas conquistas e talentos, crescer com uma saúde mental saudável infelizmente nunca lhe foi uma opção. Devido a falta de amor paternal, Dohyun se consola com alguns vícios ilícito que acabou conhecendo por influências questionáveis.
Outra forma de consolo é o basquete, algo que começou apenas como sua única fonte de alegria e diversão, passava horas do seu dia se dedicando a aquilo que mais ama, mesmo recebendo a rejeição de seus progenitores mais a inveja fraternal. Conheceu o esporte brincando com as crianças da vizinhança, e com o passar dos anos, aquela paixão só crescia. Qualquer podia notar o talento do menino quando estava em quadra, o jovem parecia ter nascido para tal. Teve sua primeira aparição em um time ainda novo, proporcionando pela própria escola em que estudava na época. Dohyun lembra vividamente a sensação que teve ao levar uma medalha para casa pela primeira vez, as arquibancadas vibrando pela sua vitória. Só tinha o que agradecer ao seu treinador, um ex-jogador do esporte com uma carreira um tanto relevante, sua maior inspiração. Ele sim lhe dava o incentivo e motivação para seguir seu sonho.
Seu sonho era se tornar um jogador de basquete tão bom quanto seu treinador, fazer parte da seleção nacional e representar o país nas olimpíadas. Felizmente, depois de tantas derrotas, a sorte decidiu jogar ao seu favor. Um olheiro estava analisando um de seus jogos vitoriosos e de cara notou no potencial de Dohyun. O rapaz entrou em contato e lhe ofereceu uma proposta para fazer parte do time de basquete do Centro Olímpico de Hwasong, o Im não pensou duas vezes em agarrar aquela grande oportunidade, além de se distanciar de uma vez por todas de seus parentes. Está se dedicando muito em conquistar crescer cada vez mais e provar o contrário do que sua família esperava para seu futuro.
Qualidades e defeitos: Criativo, maleável, manipulador e egoísta.
TW: Abandono.
O fruto de um amor entre um francês e uma coreana, Fynn nasceu na cidade portuária de Marselha, localizada no sul da França. Os pais, de alta sociedade, focaram no crescimento econômico da família ao fundarem uma grande companhia de tecnologia, que apenas se consolidou no mercado. Cerca de quatro anos mais tarde, houve outro nascimento: Evgeniya, a segunda filha do casal. O abandono do primogênito não foi tardio, aconteceu mais cedo do que o esperado.
Nathan, o patriarca, decidiu enviá-lo para a Coreia do Sul em meados de 2005 para que pudesse ficar com a família da esposa; assim foi criado com os avós, que financeiramente bem de vida, lhe deram tudo que pudesse, incluindo amor. Porém, nada conseguia suprir a falta que os pais faziam. Foi onde conheceu o basquete.
Com uma personalidade falha, egoísta por ter sido abandonado quando criança pelos próprios pais, o rapaz cresceu manipulador, principalmente com aqueles que não conhecia, o que fazia efeito quando em quadra. O esporte lhe abriu portas, onde começou a jogar ainda no ensino fundamental. Imaginando ser, um dia, advogado, simplesmente desistiu e optou pela carreira no esporte.
Principalmente quando, auxiliando alunos de uma escola próxima de casa em táticas no basquete, foi chamado por um olheiro a fazer parte da Hwasong, com a promessa de torná-lo grande.
Qualidades e defeitos: Carismático, engraçado, impulsivo e controlador.
TW: Abandono e negligência parental.
Sunwoo não teve uma infância muito alegre e estável, o que acabou influenciando e muito toda sua vida. Nasceu como um filho de uma gravidez indesejável e apesar da nítida incapacidade dos pais de serem realmente pais, infelizmente o garoto cresceu por alguns anos naquele ambiente insalubre. Não chegava a apanhar ou coisas do tipo, mas o psicológico pesava muito nos momentos em que não tinha um abraço para dormir, uma ajuda no dever de casa e às vezes nem uma refeição.Sua única alegria no meio daquele caos, era seu tio. Ele parecia gostar verdadeiramente de Sunwoo, o tratando com respeito e com o carinho que ele sempre precisou.
Mesmo com toda a riqueza e vida confortável do homem, Sunwoo não ligava para aquilo; apenas a companhia discreta do mais velho o deixava tranquilo e alegre, como se ele realmente tivesse uma família. Felizmente para todos os lados, não demorou para que o tio percebesse as condições nada amigáveis e esperançosas daquele “lar”, fazendo uma proposta indecente para o irmão - o pai de Sunwoo -, o qual ele aceitou na hora. Em vez de Kim Sunwoo, o garoto receberia o sobrenome de seu tio, Bae, e seria tratado como um filho, com tudo que ele tinha direito: desde bens materiais que não eram prioridade até as questões emocionais. Sunwoo nunca havia se sentido tão bem em toda sua vida.
Apesar dos traumas e choros noturnos por sentir falta de quem lhe deu a luz, Sunwoo foi crescendo em um ambiente calmo, confortável e amigável e esquecendo-se aos poucos de onde tinha vindo - tirando o fato de ter recebido uma irmã como bônus. Sua prima, filha biológica de seu tio, não havia gostado muito da adoção de Sunwoo, porém nunca chegou a falar aquilo diretamente para ele. No fundo, ele sabia bem que aquilo era um ciúmes genuíno de seu pai e procurava não ligar ou provocar muito… Mas ela fazia isso pelos dois.
Quando entrou para a escola, o dom natural para os esportes começou a aflorar em Bae, que passava a ficar entretido por várias horas em algum módulo até se esquecer de ir embora para casa. Ao perceber aquilo, seu tio sorriu largo e pareceu orgulhoso ao soltar uma de suas frases. “Esporte é um dos principais pilares de uma boa vida”, disse ele. E logo Sunwoo ligou os pontos.
Seu tio, na verdade, tinha um histórico esportivo de ouro e construiu quase todo seu patrimônio em cima daquilo. Aos poucos, ele foi contando sobre seus tempos de universitário e de competições, empolgando-se juntamente com o mais novo quando falavam sobre. Querendo ou não, a influência paterna acabava por movimentar muito a personalidade de Sunwoo, que logo decidiu que também iria ser um atleta. Com a ajuda de seu pai, o que ele era verdadeiramente, passou a trilhar os passos para isso.
Chegou a sua maioridade com uma cabeça sensata e brincalhona, apesar de suas chateações e monstros interiores, como a impaciência e raiva que não conseguia controlar. A natação, o esporte que havia escolhido, era o único meio de desestresse que Sunwoo passou a ter, se dedicando cada vez mais em campeonatos e treinos, até que finalmente uma boa notícia o fez ficar em paz consigo mesmo por algum tempo. Havia recebido um convite de um olheiro do mesmo centro olímpico em que seu pai - tio - havia cursado.
Qualidades e defeitos: Ágil, autoconfiante, arrogante e sarcástico
TW: Violência, negligência parental.
Background:
Tudo originou-se do escuro, quando não havia nada no início além da escuridão estranhamente acolhedora, cercando um nada num grande vazio até que surgisse algo, tão incerto o começo como o fim, despontando a dúvida mesmo quando havia apenas o nada. Yoonah não era familiarizada com a sensação, mas teve de aprender a aceitar e acolher as próprias trevas que a cercavam por cada canto da pele, subindo até o pescoço. Nunca desejara uma criança, acreditava que seus planos eram dispersos demais para algo tão comum e rotineiro como formar uma família, gerar uma vida em seu ventre e transformar a vida deste na sua própria. Gostava de viajar, aventurar-se pelos lugares mais incomuns e poder sentir o vento cortar-lhe a face e despontar no peito a risada que tinha gosto de liberdade, como um pássaro que havia descoberto recentemente como suas asas funcionavam e como a liberdade, de fato, era ainda mais acolhedora. Mas Yoonah descobriu da pior forma que nem só calorosa era a escuridão que tanto gostava de envolver, descobriu que ela poderia ser aliciadora e trazer para a superfície todo o mal que sequer sabia existir, assim como a vida que carregava no ventre.
Tudo permaneceu no escuro, a recém e jovem matriarca descobriu no cômodo soturno que não existia amor verdadeiro para as pessoas que naquele lugar permaneciam, a gravidez inesperada e tão jovial despertou o ódio e repulsa nos pais que lhe davam sempre o mundo, as orbes duras mostrando a reprovação daqueles que puderam tirar-lhe tudo em um instante. De repente não lembrava com exatidão quando o único brilho prateado que enxergava com ternura no sorriso da figura que conheceu como similar a si passou a desaparecer, tornando a escuridão gélida a cada vez que seu corpo modificava-se de maneira indesejada, tornando o casal unido por contragosto cada vez mais frio e distante. A partir do momento que lembrava-se então, Yejun tão esquálido para pouca idade, descobriu que não era nem nunca sequer fora bem-vindo naquela família e muito menos naquele mundo, quando tudo que recebia do pai eram olhares cortantes nas poucas vezes que estavam presentes sob o mesmo teto e o alimento, educação e roupas da mãe que aqueciam-lhe a derme mas nunca faziam parar de tremer os dígitos e aquecer o coração. A audição sempre tão apurada nos ouvidos curiosos faziam despertar a agilidade nas pernas para esgueirar-se no quarto próximo a escada, escutando sempre choros e grunhidos abafados que o sentido infantil não sabia diferenciar qual era a fonte, muito menos se era algum sofrimento. Era fácil para Heejun ameaçar da mulher, tão mais nova que si, tão dependente e frágil sob seus dedos apertados que marcavam-lhe a pele clara do roxo tão doloroso que Yejun notava, mas não entendia, até questionar o que eram e ter mais uma mentira obscura invadindo-lhe pelas pequenas orelhas e penetrando no cérebro, fazendo temer no próprio quarto escuro a criatura peçonhenta que alimentava-se de minhocas, cujo segundo a mãe, tinha que diariamente alimentá-la. A mentira criada para proteção do próprio filho esgueirou-se maciça e intocável por anos suficiente para que o medo diminuísse aos poucos, de maneira ínfima, entretanto suficiente para a inocência e esperteza infantil traçarem um plano que em sua mente seria ótimo para que a mãe pudesse sorrir mais e estar mais próxima de si. Decidiu sozinho que iria acabar com a vida do monstro que escondia-se no quarto abaixo das escadas, assim como os heróis que tanto lia nos quadrinhos sob a sombra da árvore no quintal faziam com frequência. Ansiou para que a figura paterna desaparecesse de sua vista e apressou-se para procurar a arma que vez ou outra o homem trazia para casa devido ao trabalho, os pequenos dedos alcançando o cabo gelado que parecia bem mais pesado e difícil de se entender que nos filmes e desenhos que assistia, mas não desistiu; permaneceu abaixado atrás da porta até que os ruídos diminuíssem, um punhado de minhocas numa mão e o próprio destino na outra, selado ao momento que absorvera o silêncio e empurrara a porta, apertando trêmulo o gatilho que acertara acidentalmente o próprio progenitor, que descobriu ser o único monstro que habitava aquela casa.
Tudo tornou-se ainda mais escuro e incerto, os dias, semanas e meses seguintes passaram como flashes borrados de uma câmera instantânea quando saíram mãe e filho porta afora com somente as peças que vestiam-lhe o corpo, migrando entre pousadas e restaurantes afastados até que o dinheiro escasso tornasse invisível, restante para apenas um bungeoppang em uma barraquinha que costumavam frequentar, e apesar de toda correria e angústia de ser uma fugitiva, para Yejun aquele foram os melhores momentos que viveram, afinal, estavam finalmente juntos. Mas viviam na escuridão, afinal. Não era mais um grande vazio e agora sofriam as consequências que jamais abandonariam-os. Aquela fora a última vez que vira sua mãe, enquanto comia a segunda mordida do peixinho favorito e a mulher lhe dera um beijo na testa, com lágrimas escorrendo pelo rosto sem controle algum de como segurá-las. Ela desapareceu quando dissera que iria ao banheiro e ordenou para que Yejun se cuidasse e lembrasse dela, entregando-se para o carro de polícia estacionando ao lado contrário da parte onde estavam. Yejun permaneceu observando o céu escurecer aos poucos e os pequenos pontos estrelados surgirem no véu, sendo acolhido pelo casal de senhores que notaram o abandono da mãe e o levaram para delegacia após alimentá-lo melhor, lamentando que não podiam cuidar da criança indefesa pela idade avançada, o que acarretou em todo o processo pela assistência social, decorrendo por fim na moradia em lares provisórios até que encontrasse enfim um lar, uma família. Yejun fora acolhido nos braços de uma médica que sonhava tanto com a maternidade, que entretanto, a infertilidade lhe impedia de realizá-lo com naturalidade em seu ventre. Diante do acaso, ou destino, Jihye cedeu ao pedido do marido para que tentasse ao menos visitar um dos inúmeros lares que haviam na região, acalentando uma pequena criança que assim que seus olhos avistaram-na, o coração acolheu como sua. O processo fora rápido devido toda influência da família adotiva e logo o garoto tinha um lar e grande parte de tudo que sonhou no tempo que passou no abrigo, tinha pais que estavam presentes ao seu enlaço por todo resto de infância e a adolescência, que surgiu como um divisor de águas. Yejun tornava-se cada dia mais fechado por conta dos pesadelos que o assombravam com um passado turvo que ele sequer sabia serem reais, porém como o pai adotivo sempre estava por perto e mesmo antes de sequer adotar uma criança, decidiu ajudá-lo a sentir-se melhor de certa forma, e como era treinador, passou a adotar sua técnica de treinamento e instruir melhor a facilidade que o filho já tinha no futebol, fazendo florescer o desejo que estava escondido há muito; pela felicidade de ambos, Yejun era ótimo e sua estrutura física o auxiliava na posição que jogava, despertando em si a vontade de ser sempre o melhor e estar no topo, além da sensação de se estar vivo enquanto corria pelo gramado. Como tinha uma boa base, logo estava no competitivo júnior e traçando um caminho novo após ingressar na faculdade que não apreciava tanto. Por sorte e talento, em um dos amistosos de sua universidade, um olheiro do centro esportivo mantinha seu assento reservado na arquibancada, procurando pedras que poderiam ser lapidadas para descobrir preciosidades, mas encontraram o Bae, uma joia escondida num mar de escuridão.
Qualidades e defeitos: Descontraído, esforçado, irritadiço e impulsivo.
TW: Relação familiar tóxica.
Background:
Todo mundo que era fã de futebol na Coreia conhecia Seo Kyungho, jogador brilhante, atuou como meia atacante nos principais times nacionais, europeus e brasileiros e representou a Coreia do Sul em diversos Jogos Asiáticos, Copas do Mundo e até mesmo Olimpíadas, se aposentando em 2010. Aos 23 anos, em 1998, ele resolveu se casar com a mulher anônima com quem namorava desde a adolescência. Dois anos depois, nasceu o fruto dessa união. Ou melhor, os frutos.
Seo Junghwa e o irmão gêmeo bivitelino, Jinhwa, cresceram com grandes expectativas sobre o futebol dos dois desde que chutaram uma bolinha torta na abertura de um dos jogos da Copa do Mundo Coreia-Japão, em 2002. Desde pequeno, porém, o sonho de Junghwa era ser artista. Queria cantar e atuar e, o pior, era muito bom nisso, chegando a passar em audições de grandes empresas, mas sempre teve que escutar da mãe todo tipo de crítica. Na verdade, não tinha uma coisa sequer envolvendo o menino que ela não criticasse. Por outro lado, o irmão estava sempre certo, sempre posto num pedestal. Os pais diziam que ele era bom até no que não era.
Por insistência do pai e pensando que assim poderia conquistar a admiração dos pais, Junghwa desistiu cedo de ser trainee e começou a jogar futebol. Nem gostava tanto assim, só queria provar que podia mais que o irmão. De fato podia, mas isso não fazia a menor diferença. Jinhwa continuaria sendo o preferido até quando largou o esporte para roubar o sonho dele, se tornando um ator tão medíocre quanto era enquanto jogador, mas que ganhava todos os aplausos da mãe. De repente, só porque era Jinhwa, ser artista era muito digno.
Junghwa passou pelo menos um ano sem saber se ria ou chorava. No fim não fez nenhum dos dois. Agora que era o único filho seguindo os passos dele, o pai começava a dar atenção de verdade – ou pressão, para escolher melhor a palavra. Precisava ser impecável em todo treino, ser mais ágil e mais resistente que todos os outros. Absolutamente não poderia manchar a carreira perfeita do pai. Jinhwa também nunca teve que aturar aquilo. Mas de que adiantava pensar no irmão? O jeito era treinar, exaustivamente, e provar para todo mundo – inclusive para si mesmo – que era digno de estar ali.
Assim que se formou no Ensino Médio, aos 19 anos, e depois de uma temporada treinando com um time brasileiro, Junghwa entrou para o Hwasong Olympic Center. Não soube em que momento desse tempo a birra de ser jogador de futebol virou paixão, nem por quê às vezes a paixão ainda o causava tanta raiva, mas essa era só mais uma das coisas com a qual precisava lidar sem saber como.
Qualidades e defeitos: Persistente, comunicativo, inconveniente e grudento.
TW: Abandono parental, abuso infantil, drogas.
Background:
O jovem e recém-casado casal, Seo Minchae e Seo Jisoo, nunca engoliu de bom grado o fato de que, como diziam amigos e vizinhos ao tempo que ainda tentavam, Deus não os achava dignos de serem abençoados com um filho. Desesperados por um bebê do próprio sangue, gastaram em clínicas de fertilização assistida do que tinham e arranjaram emprestado até as opções e todo crédito se esgotarem, de familiares a amigos, de bancos a agiotas perigosos que ofereceram não só o dinheiro, como também as ameaças que em pouco tempo se cumpriram assim que a devolução não veio. Já era tarde quando finalmente se convenceram de que a adoção era uma alternativa, então inviável diante do sobrenome soterrado em sujeira e nas acusações falsas de crimes que não cometeram, feitas à polícia por aqueles a quem deviam o dinheiro que jamais seriam capazes de pagar. Numa tentativa obstinada ao mesmo que sem esperança alguma, renderam-se ao mundo cuja ilegalidade transformava meros juros abusivos em bagatela, ao qual Minchae vendeu a própria liberdade em troca do fim da dívida e da criança tão desejada e que sabia ter sido arrancada de casa pela rede de criminosos da qual passou a fazer parte, que sabia poder ser da esposa pelo preço certo: entregar-se, confessar uma série de crimes no lugar de um político influente, ver de longe a família recomeçar por um tempo que passaria rápido.
No entanto, ter Minki em casa fazia queimar na língua de Jisoo a decepção de provar uma fatia de bolo ruim e se dar conta de que havia pago caro num sabor amargo. Para Minchae, foi a lembrança do fracasso da família que nunca teria, a visão de uma criança estranha, sem origem e nenhum afeto que não o choro constante de quem sentia falta do cheiro dos pais. Depois de fazer tanto não lhes restava mais vontade para o mínimo, e Minki não tivera opção senão crescer praticamente sozinho, longe do pai que mal conhecia e que logo passou a ser preso pelos próprios crimes ao invés de pelos dos outros, distante da mãe que trabalhava o dia todo no cansaço e irritação aliviados na criança sempre que chegava em casa, na época em que ainda conseguia se manter num emprego. Os Seo regrediram à vida que tinham e a casa se enchia de estranhos, amigos e “vendedores”, com uma frequência exigida de cautela, o que incluía a desconfiança até mesmo de Minki e os estragos que a língua solta e falta de filtro de um cérebro de tão pouca idade poderia causar. Ficar na rua era melhor que passar várias horas do dia trancado dentro do banheiro ou dos estreitos armários empoeirados da casa, e seguindo os mais velhos da vizinhança Minki descobriu a pista de skate sucateada do bairro de mesmo estado, e também a paixão que de início parecia apenas uma obsessão infantil pelo esporte, mas logo evoluindo para a certeza de que sendo apenas um hobby ou realmente uma carreira, faria aquilo pelo resto da vida. Porém o sonho apenas apodreceu enquanto os pais nutriam o sangue com álcool e qualquer substância que um bico ou outro pudessem pagar, tamanho esforço necessário para dar fim ao pouco que tinham, e também perder Minki de uma vez por todas.
A mãe trabalhava fora o fim de semana todo quando o pai, irado e ébrio, irritado pela necessidade da criança precisar de ajuda em tudo que fazia, prendeu Minki num dos armários da cozinha no corriqueiro castigo que de novo nada teria se libertado algumas horas depois como de praxe. Mas Minki experimentou do desespero enquanto via o dia passar pelas frestas, sem resposta ao gritar e implorar para sair, e então o vazio do choque por cada cenário que a mente fértil e faminta criava sobre o que aconteceria no cubículo de cheiro ácido e úmido emanando dos produtos de limpeza com os quais dividia espaço, certo de que ninguém viria. Três dias depois, quando não conseguiram dar explicações ao hospital, Minki perdeu um lar pela segunda vez e cresceu entre uma casa e outra, de volta à mãe quando as coisas melhoraram como prometia, então mais uma vez dormindo semanas ou meses em lares provisórios durante toda a adolescência até que com idade suficiente para decidir por si só, assim escolhendo ficar sozinho o quanto podia e suportava, e recuperar o tempo perdido sobre as rodinhas na pista que dia e noite incomodava na mente, nunca desvanecendo o interesse. Minki era muito bom no pouco que sabia, o que bastaria somente não fosse por todo o resto em que era muito ruim, ainda que superando o talento da grande maioria. Um punhado de manobras difíceis bem executadas em meio a tantos erros fez da aprovação na hwasong uma oportunidade alcançável, embora instável como muito bem frisaram os examinadores que lhe arriscaram dar uma chance, mas Minki planejava tirar o máximo proveito do que estar entre os melhores poderia ensinar e, pouco a pouco, melhorar e tirar o lugar de cada um deles.
Qualidades e defeitos: Sociável, empático, distraído e teimoso.
TW: N/a.
Background:
Jiho era o filho mais novo da família Kang. Desde sempre era comparado aos dois irmãos mais velhos, um deles já era um grande empresário e outro estava prestes a tomar a presidência de uma das empresas da família. O caçula nunca recebeu o tipo de atenção que queria do pai, todas as palavras do seu progenitor soavam mais como cobranças do que palavras de apoio, isso bagunçou a cabeça do garoto que nunca soube o que fazer para agradar o homem.
Fez intercâmbios para a Austrália e França na tentativa de se descobrir, aumentar seu conhecimento, iniciando cursos que nem sequer terminou. Muitos diziam que era para o Kang se formar em direito e por muito tempo pensou que assim iria conseguir a aprovação de Jihoon. Iniciou o curso, mas viu que aquilo não era para ele. Depois de meses, decidiu cursar Psicologia e conseguiu se formar. Foi na sua antiga faculdade que conheceu o esporte. A instituição oferecia treinamentos para alguns alunos, o jovem se candidatou e passou a treinar, descobrindo que o seu novo amor era a natação.
Venceu torneios, enchia seu quarto de troféus e medalhas, mas aquilo não parecia agradar ao seu pai, que piorou o seu comportamento com o rapaz assim que ouviu seu filho desabafar e contar para a toda família que queria prosseguir apenas no esporte, mesmo com o diploma de psicologia, a paixão pela natação só crescia e, infelizmente, Jihoon só comparava os filhos, criando inúmeras inseguranças em Jiho e uma rivalidade que nem deveria existir.
Os treinadores viam o talento de Jiho e ajudaram o jovem a fazer sua inscrição na Hwasong Olympic Center. Seu avô paterno, o único da sua família que enxergava o potencial de Jiho, só o influenciou ainda mais.
Assim, saiu de casa e passou a morar na fraternidade Draco, esperando que ali fizesse laços mais firmes e, nessa sua nova jornada, se encontrasse.
Qualidades e defeitos: Focado, determinado, competitivo e impaciente.
TW: N/a.
Background:
A parte boa de ter um irmão de praticamente a mesma idade era ter alguém que entendia exatamente o que acontecia em sua vida. A parte ruim era a competição extrema por absolutamente tudo. A atenção dos pais, as meninas que gostavam, as notas na escola e principalmente o desempenho no esporte que praticavam e o pai era um atleta aposentado: a natação. Era difícil falar se o amor e obsessão dos meninos era fruto das vontades deles ou do sonho interrompido do homem mais velho, que nunca conseguiu realmente superar o acidente que o impediu de seguir a carreira. Assim, não foi de se surpreender que ele projetasse as próprias vontades e frustrações nos filhos.
A diferença fundamental entre Jaewook e Junhyung, o irmão mais velho, era o quão obediente e passivo era em relação aos pais. Era difícil que desobedecesse qualquer regra ou andasse fora da linha, causando diversas discussões entre os irmãos. Junhyung vivia se metendo em encrenca e culpava o mais novo de boa parte. Se os dois aprontassem juntos, um cobrindo o outro, com certeza não teria ouvido metade dos sermões que ouvia por ser pego chegando de madrugada. Por isso, lá pela adolescência, a amizade diminuiu e a rivalidade aumentou. Enquanto o irmão parecia se dar melhor socialmente, Jaewook se dava melhor no objetivo profissional que haviam traçado. Era mais focado, determinado e rápido, consequentemente acumulando troféus que passaram os de Junhyung com facilidade.
Até certo ponto, podia falar que estava satisfeito com sua vida. Tinha o carinho da mãe, o respeito do pai e era bom no que fazia, o que poderia dar errado? Jaewook não contava que a pressão só aumentaria. Antes, os herdeiros Han precisavam provar quem era o melhor entre eles, depois de provado, restava a ele ser melhor que todo o resto. Foi em um dos atos de rebeldia (ou liberdade?) de Junhyung que ele conseguiu grana o suficiente para se mandar para os Estados Unidos, tendo sorte como instrutor de Taekwondo por lá, que era no que ele era bom de verdade. Já o mais novo, como o esperado, seguiu os passos do pai após terminar a escola: entrou para o Hwasong Olympic Center e a mesma fraternidade que ele, com o único objetivo de seguir sendo quem o patriarca queria ter sido. Não que ele não gostasse do que fazia, adorava estar na água, na verdade, e a manipulação que sempre sofreu foi o suficiente para que acreditasse estar seguindo o próprio sonho e não pararia até alcançá-lo.