E eu, tão desapegada das coisas, — por ter aprendido que elas vão embora mesmo, sem choro nem vela —, me peguei triste de saudade de mim mesma. Tem coisa que, mesmo sendo nossa desde sempre, quando resolve ir embora, a gente pensa “já vai tarde”. Mas, tem outras que a gente se despede com dor no coração, dá adeus com olhos murchos e fica querendo de volta.
Deu saudade da inocência e da capacidade de sonhar sem pé no chão. Saudade da garotinha, tão ingênua, que sempre tinha jeito pra tudo. Puxa aqui, estica ali, arruma assim, encosta aqui e pronto, tá pronto.
Nos últimos anos fui protagonista de incontáveis despedidas. Eu que, anos atrás, escrevi um texto sobre o quanto as detestava. “Detesto despedidas, definitivamente...”, era assim que ele começava. Conheci a dor, aprendi a conviver com ela, a me acostumar com ela, não tive escolha. E, aos poucos, fui perdendo a inocência. Hoje, apenas busco o equilíbrio. É necessário abrir os olhos sem descrer. Difícil missão. Difícil e necessária missão.