Eu tão amante do amor mal amado Amei o escárnio sem nada Amei Caronte pela minha carência Fui tua mão ensanguentada de sonhos mortos Cuspi no barro por ausência da chuva Burlei fogueiras pela vitalidade de minha tribo Queimei-me nos mares plastificados Que se deterioravam a cada novo passo Fui teu amante de algum verso Rebuscado no revés do primeiro amor Busquei amar-te em cílios, Cassiopeia Ciranda dos cílios, vamos todos rogar por simpatias românticas... Foste estrelas e eu tua noite Em tonalidades surrealistas Sem danças de noites americanas Dança com o lírio de anjos Jantei teu traço alquímico Para pendurar-te na fresta dos dentes de diabos Onde eu raspava a minha própria cólera expirada A ossada fora uma lembrança datada em armários Fora o artístico sachê de chá Sangrando as tempestades água com açúcar Tingindo a dentição artesanal de comercial Escorri do lábio de pavor dos amantes brincando de vinho Janeiro, trapos, confetes Outubro e o sonho de outono Cantando ao eco de alamedas Todas as cartas de amor são sobre o amor que não virá O diabo do amor que cultivei Fez eterna morada ilusória Sem porquê, pois achara conveniente Valsava comigo em silêncio, para entregar-se a paranoia...
A Orelha De Van Gogh, Pierrot Ruivo
















