"Liberdade no Xingu" by Alice Kohler "Life is not tried, it is merely survived if you're standing outside the fire." (Garth Brooks and Jenny Yates) [1] Este texto anda rondando a minha mente nos últimos dias. Mais precisamente deste que escutei a nova canção composta por Ignazio Boschetto e bravamente defendida por Chiara Cusumano e Giorgia Vassallo (Duo Sisters!) no Festival di Castrocaro. Um texto meio off-topic aqui no site, mas nem tanto, afinal a vida faz parte. Quem já esteve com o pé na beirinha do infinito sabe do que estou falando. A grande maioria de nós vive entre medos. Pequenos e grandes medos companheiros do dia a dia. O medo de perder o emprego, o medo de não amar, o medo de não ser amado, o medo de tentar, o medo de falhar, e a lista é grande. A música de Ignazio me lembrou os meus muitos medos e, também, aqueles que já venci, seja por ter reagido, seja por ter sido empurrada pela vida. A música mostra alguém que superou o medo tentando livrar outro alguém do medo de amar. Um crescendo de quase desespero. La rabbia placherà la sofferenza ed il dolore che mi impedisce di volare e di rinunciare a te, a te… [2] A desesperança de quem sabe o quanto pode custar o medo, a angústia de quem se vê naquele momento em que desistir é vencer. Mas que parte deixando a porta aberta. Quem sabe? O medo de amar é o medo de viver em sua forma mais triste e destrutiva. O amor é a força da vida, todo amor é força de vida, todo e qualquer amor está acima de qualquer outro sentimento. E, é claro, é óbvio, está acima de preconceitos, circunstâncias, opiniões, .... Na vida sempre vem aquele momento em que você vê o rio, vê correnteza forte, sente o vento açoitando o seu rosto, mas tem que pular. Tem que abrir o peito e receber o desconhecido, tem que viver. E é isso que Ignazio diz na sua música... E para mim não foi surpresa saber que ele pensa assim. Ignazio não nasceu para ser ator coadjuvante na própria vida. Ele não vai ficar fora do fogo ou na beira do rio apenas sobrevivendo. Ele vai pular. E a sua música fala de alguém que está com a mão estendida para que o outro segure e salte junto nesta aventura maravilhosa que é o amor. Livre, deixando para trás todos os medos. Como disse o Garth Brooks naquela música tão inspirada: "There's this love that is burning, deep in my soul. Constantly yearning to get out of control. Wanting to fly higher and higher... I can't abide, standing outside the fire..." [3] Alguns acharam a interpretação das Duo Sisters forte demais, agressiva até, mas eu discordo. Foi na medida da urgência, a tradução fiel do grito. O aviso foi dado. Penso que é praticamente impossível que o que a canção descreve esteja longe da vida de Ignazio, tal a intensidade do texto, tal a urgência da melodia. E o meu respeito por ele, minha admiração só aumentou. Há quase um ano atrás eu comecei uma carta assim: "aqueles que vão morrer te saúdam" [4] e expliquei que, embora nem todos percebam, todos nós somos gladiadores, uma luta a cada dia é o que temos de esperar e pensar. Um medo por vez. Mas nunca, nunca mesmo o medo de amar. [1] A vida não é vivida, é apenas sobrevivida se você fica fora do fogo. [2] A raiva vai aplacar o sofrimento e a dor que me impedem de voar e de renunciar à ti, a ti… {3] Há esse amor que está queimando no fundo da minha alma, constantemente querendo sair de controle. Querendo voar cada vez mais alto. Não posso suportar ficar fora do fogo. [4] Ave Caesar morituri te salutant In English: