Falso, podre
Quero que tu saiba que tua vida não passa de nada que teus amores não tem peso que tua raiva não rasga anão ser tua própria garganta que teus insultos são mentiras feias retiradas do ventre falso do teu mundo negro mundo teu que nada floresce nada nasce nada cresce teu mundo morto de beleza e desejo e tu me entrega esse insulto como se fosse meu filho como se fosse minha responsabilidade tê-lo parido mas foi do teu ventre que foi retirado teu ventre imundo seco sem vida teu ventre escuro sem som sem música abafado pelas mentiras que tu criou pra se proteger esse filho é teu agora cuida ensina pra ele as mentiras e a inteligência de ser falso e podre ensina como desviar das laminas ensina ele a sobreviver em vez de ensiná-lo a morrer ensiná-lo a se queimar ensiná-lo a perder não, ensina-lo a ganhar e pendura as medalhas cintilantes no peito murcho Desfila teus troféus em opulência grita pro mundo que venceste levanta teus braços e deixa queima-los queima queima pele sem vida pele seca queima pobre queima enferma e deixa os ventos levarem o cheiro dessa carne podre deixa o cheiro invadir as casas deixa os teus irmãos sebosos se envenenarem nesse cheiro deixa eles se masturbarem com tua podridão e sente orgulho do teu filho que agora é homem e constituiu família família de fortes família de nobres mas cuidado com os insetos debaixo dos travesseiros cuidado com os demonios cuidado com os pesadelos cuidado com as quimeras que tu criou pois um dia elas voltarão mestre voltarão famintas e ai tuas mentiras não bastarão elas comerão tua carne podre e mostrarão tuas entranhas teu sangue para o mundo e verão que tu é mole e quente por dentro e verão como és fraco como és rosa e roxo e vermelho e acharam todas as cores menos azul azul será a cor das violetas que depositarão em teu túmulo se é que há de alguém decorar tua lapide se é que sobrará alguma mentira nesse mundo impiedoso e cruel de verdade









