Morey’s World: Rockets fecha com Joe Johnson e Brandan Wright
Como diz o ditado: “The rich get richer”.
Foi exatamente isso que acabou de acontecer na NBA. Na noite de ontem, ainda durante o jogo contra o Nuggets, o Rockets acertou a contratação do pivô Brandan Wright, que finaliza rescisão contratual com o Memphis Grizzlies. Hoje pela tarde, foi noticiado que Joe Johnson finalizou sua rescisão com o Sacramento Kings e vai assinar com o Rockets.
Com essas duas contratações, o Rockets fecha o seu elenco para a disputa dos playoffs e fortalece a equipe que deve disputar, com o Warriors, até os últimos jogos a primeira colocação da Conferência Oeste.
Joe Johnson: perfil e estatísticas
Nome: Joe Marcus Johnson
Idade: 36 anos (29/06/1981)
Posição: Ala
Altura: (6′7′’) 2,01m
Peso: (240lb) 108,9kg
Anos de experiência: 16
Times anteriores: Boston Celtics (2001-02), Phoenix Suns (2002-05), Atlanta Hawks (2005-12), Brooklyn Nets (2012-16), Miami Heat (2016), Utah Jazz (2016-18), Sacramento Kings (2018)
Foto: Instagram/ TheLeagueSource
Aos 36 anos de idade, Joe Johnson traz um misto de experiência e talento. Veteraníssimo, o ala tem 16 anos de NBA e vai trazer a liderança que só quem tem 112 jogos de playoffs na carreira pode acrescentar. Esse é o principal ponto da contratação de Joe.
Famoso pelo seu apelido ISO Joe (derivado do seu gosto e sua eficiência em jogadas de isolation), ele é um dos maiores scorers da sua geração e da história da NBA. Com 20.266 pontos, ele é o 46º maior cestinha da história da NBA e é o 8º jogador em atividade com mais pontos na carreira. Além das jogadas de ISO, o ala é um grande arremessador do perímetro, sendo o 10º jogador com mais bolas de 3PT na história da liga. E foi justamente jogando para Mike D’Antoni que JJ arremessou a melhor marca de sua carreira - impressionantes 47,8% do perímetro. Até hoje, esse é um dos 5 melhores aproveitamentos de um jogador em uma temporada na história da NBA.
Como lá se vão 13 anos desde que D’Antoni e Johnson estiveram reunidos, é importante entender que o papel do agora veterano será bem menor. Nem mesmo Gerald Green - que tem médias de 13 pontos desde que chegou ao Rockets - conseguiu entrar na estreita rotação de Houston. Como D’Antoni parece não abrir mão dos seus 9 jogadores que vão para quadra, é muito provável que Joe Johnson não entre em quadra todos os jogos da temporada.
Joe Johnson vem de uma lesão no punho que o tirou de alguns jogos da NBA nessa temporada. Em 32 jogos (3 como titulares) pelo Utah Jazz, ele obteve médias de 7.3 pontos, 3.3 rebotes e 1.4 assistências, com um desempenho bem inferior de 27,4% do perímetro. No entando, nos 16 jogos que ele fez em 2018, melhorou bastante seu aproveitamento, tendo 34,8% de aproveitamento no perímetro para 8.3 pontos por jogo.
SKILL SET E POSICIONAMENTO
No Rockets, Joe Johnson deve ser usado preferencialmente como um stretch four. Ou seja, aquele jogador que atua na posição 4 (ala-pivô) espaçando a quadra porque tem um bom arremesso do perímetro. Johnson deve exercer um papel semelhante (só que muito menor e com menos importância) ao que Carmelo Anthony executaria se tivesse sido trocado para o Rockets, como muitos esperavam.
Além de ser um dos melhores ISO scorers da história da liga, o 7x All-Star também é capaz de criar para seus companheiros. Definitivamente, não é a grande característica de Joe Johnson, mas é inegável a sua habilidade em controlar e passar a bola. Tem uma excelente visão, especialmente devido a sua longa experiência.
Outro ponto que vale ressaltar é como o ISO Joe pode se tornar uma arma poderosa para os outros arremessadores do Rockets. Devido a sua capacidade de pontuar no mano a mano, ele pode abrir espaços para os arremessadores. E é comprovadamente um passador capaz de achar o homem livre.
Com 2,01m de altura e quase 109 quilos, ele é um ala com muita presença física e também pode ser muito útil na marcação em uma lineup baixa, em que ele fica na posição 4 e precisa marcar alas maiores do time adversário. Foi assim que Joe Johnson atuou muito bem defendendo Blake Griffin na série de playoffs do Jazz contra o Clippers.
Joe Johnson é um dos grandes clutch scorers da história da liga. Ele coleciona game winners e momentos decisivos por onde passa. Nos playoffs, o Rockets deve enfrentar times experientes, com plenas condições de endurecer a partida até o fim. Nesse momento, é importante ter jogadores decisivos como James Harden e Chris Paul. Quanto mais deles, mais difícil fica a situação do adversário para defender. Um jogador respeitado e comprovadamente decisivo como Joe Johnson é perfeito para um time que almeja ser campeão. Ele provou isso nos últimos playoffs, quando anotou o game-winner diante do Los Angeles Clippers, no Jogo 1 da série.
Como de praxe nessas situações, Joe Johnson vai assinar pelo restante da temporada, pelo salário mínimo para veteranos. O valor não é um problema, já que Joe é o 4º jogador em atividade que mais faturou com salários ao longo da carreira (US$ 214 milhões). Sendo assim, a contratação não causa impacto no cap para a próxima temporada e mantém o Rockets abaixo do luxury tax nessa temporada.
Joe Johnson acertou sua rescisão com o Kings hoje mesmo. Portanto, pelas regras da NBA, ele ficará por 48 horas no mercado de dispensados (”waivers”) e um time pode escolher assumir seu atual contrato com os mesmos valores. Como não é esse o caso, será preciso esperar 48 horas. Portanto, Joe Johnson deve assinar com o Rockets depois disso, na segunda-feira. Assim, ele deve estar disponível para estrear pelo Rockets na terça, diante do Wolves, em Minnesota.
A chegada de Joe Johnson exigiu que o Rockets cortasse um jogador do elenco. O escolhido foi Bobby Brown, armador que, entre indas e vindas, havia assinado contrato ontem. Na verdade, a assinatura foi um movimento de muita classe e respeito por parte do Rockets. A franquia dispensou Brown na esperança de reforçar pontualmente o elenco. A expectativa era manter a flexibilidade, mas posteriormente trazer o armador de volta. Com isso, ele recusou uma proposta para jogar na China. Como as possibilidades foram maiores que as esperadas, Bobby perdeu sua vaga no elenco. Em retorno, o Rockets assinou seu contrato na sexta somente para pagar quase meio milhão de dólares ao armador e cumprir com sua palavra. Agora, Brown deve explorar o seu mercado no basquete chinês.
Mais um movimento sólido e acertado de Daryl Morey. O Rockets aguardou o mercado de trocas, não se precipitou perdendo nenhum ativo e conseguiu reforçar pontualmente o elenco que já é o mais forte da NBA.
É impossível prever como o Rockets irá se sair nos playoffs, mas a experiência de Joe Johnson, um scorer provado na NBA e um dos mais clutchs de sua geração, com certeza acrescenta muito ao elenco que pretende bater de frente com os atuais campeões e com quem mais aparecer pela frente.
Brandan Wright: perfil e estatísticas
Nome: Brandan Keith Wright
Idade: 30 anos (05/10/1987)
Posição: Pivô
Altura: (6′10′’) 2,08m
Peso: (235lb) 106,6kg
Anos de experiência: 9
Times anteriores: Golden State Warriors (2007-11), New Jersey Nets (2011), Dallas Mavericks (2011-14), Boston Celtics (2014-15), Phoenix Suns (2015), Memphis Grizzlies (2015-18)
Brandan Wright é um pivô alto, de braços longos e uma envergadura impressionante. Aos 30 anos, ele tem uma carreira sólida como reserva por onde passou. Suas médias por 36 minutos comprovam: 15.4 pontos, 8.1 rebotes e 2.2 tocos. Em 427 jogos na carreira, ele só foi titular em 62 deles. Ou seja, é um reserva profissional e isso é importante para um time experiente que pretende ir longe nos playoffs.
Wright chega para ser o 3º pivô do Rockets, muito provavelmente substituindo Tarik Black - que deve ser cortado (explicação detalhada mais a frente). Ao contrário dos pivôs reservas do Rockets, ele se assemelha um pouco mais ao estilo de Clint Capela. Longo e atlético, ele é um ótimo finalizador de pontes aéreas e dá uma proteção de aro que, no momento, o Rockets só tem quando Clint Capela está em quadra.
Com isso, ele deve ter minutos bastante limitados e não deve jogar todos os jogos do Rockets na temporada. Assim como Black, ele fica atrás de Nenê na rotação e deve substituir o brasileiro quando o mesmo estiver descansando ou fora por lesão.
SKILL SET E POSICIONAMENTO
Ao contrário da outra contratação, a versatilidade não é um ponto forte de Wright. Ele é pivô e chega para atuar na posição. Com minutos bem limitados, um ponto que Wright acrescenta ao elenco é que seu skillset dá novas possibilidades ao Rockets. Agora, Houston pode usar um pivô mais defensivo e atlético quando o estilo de jogo de Nenê não for o melhor para o matchup.
● PROTEÇÃO DE ARO E ENVERGADURA
Brandan Wright tem uma incrível envergadura de 2,23 metros que lhe permite atuar com eficiência dos dois lados da quadra. Os seus 2,08m de altura dão uma proteção de aro que o Rockets simplesmente não encontra nem com Tarik Black, nem com Nenê. Com Wright em quadra, os adversários serão obrigados a pensar duas vezes antes de atacar o aro. E se decidirem o fazer, ele sempre pode ser uma ameaça na recuperação.
Seja saltando para conseguir tocos e rebotes ou para conseguir enterradas, o wingspan do pivô vai ser muito útil para o Rockets em várias situações de jogo - dando uma alternativa a mais para uma mudança específica ao longo dos playoffs.
Por exemplo, essa proteção pode ser muito utilizada contra times mais altos e com maior ênfase no garrafão (como o Spurs, por exemplo) ou contra times mais físicos ou com pivôs de imponência física muito grande, como é o caso do Thunder com Steven Adams.
Mais um ponto a ser destacado no pivô é a sua capacidade de fazer bloqueios para outros jogadores. A chamada screen está no DNA do sistema de Mike D’Antoni e do Rockets. Seja no pick and roll ou abrindo espaço para os arremessadores do perímetro, sem screens o Rockets não funciona.
Wright sabe executar a jogada de várias formas. Na ilustração abaixo, ele executa uma screen lateral para que o armador possa infiltrar. Esse atributo pode (e deve) ser muito útil ao Rockets.
Uma qualidade ainda subestimada na NBA é a habilidade para conectar pontes aéreas. Não são todos os pivôs que são capazes de receber uma bola no alto, saltar, enterrar e fazer toda a leitura que existe entre o começo e o fim de uma das jogadas mais eficientes da liga.
No Rockets, Clint Capela é excelente fazendo isso e a expectativa era que Tarik Black pudesse ser o seu substituto nesse quesito. Infelizmente, Black não correspondeu as expectativas e esse é mais um ponto que consta contra sua 2ª passagem por Houston. A expectativa é que com James Harden e Chris Paul, Brandan Wright execute em alto nível as pontes aéreas que forem lançadas em sua direção enquanto ele estiver em quadra - fazendo dele, mais uma arma de ataque.
Assim como Joe Johnson, o mesmo vai acontecer com Brandan Wright que assina contrato até o final da temporada pelo salário mínimo de veteranos. Ao contrário de Johnson, o pivô ainda está negociando a sua rescisão com o Memphis Grizzlies - que deve sair em breve. Uma vez concluída, o mesmo procedimento vale para Wright. Após 48 horas da dispensa, ele fica livre e deve assinar com o Rockets.
Para a chegada de Brandan Wright, o Rockets será obrigado a dispensar outro jogador. A decisão deve ficar entre Tarik Black e Chinanu Onuaku, dois pivôs que estão sob contrato com a equipe. O mais provável é que o cortado seja mesmo Black, já que seu contrato é de 1 ano. Caso o escolhido seja Onuaku, o Rockets teria que ocupar US$ 1.9 milhão do cap do ano que vem com o pivô, mesmo ele estando fora do elenco. Com Black, o impacto seria zero para o ano que vem.
Uma movimentação precisa. Tarik Black, quando foi exigido, não entregou aquilo que o Rockets esperava dele. Portanto, Brandan Wright - com muito mais experiência - terá a chance de ser o pivô atlético saindo do banco do Rockets. Acrescenta-se mais uma arma ao arsenal ofensivo (e defensivo) de Mike D’Antoni, aumentando a profundidade do melhor elenco que o Rockets teve em muitos anos.