Guardados em uma caixinha. É assim que eu gostaria de ter os meus amores. Para que nada os atingisse, para que nada os tirasse de mim. Sim, sou egoísta a esse ponto. Sim, não sei pensar em perder mais nenhum. A vida já me tirou demais. Sim, isso mesmo. Digo e repito para a vida: não aceito perder mais ninguém. Reclamo com Deus e com o universo pra que não tirem mais ninguém de mim. Se foi pra aprender a demonstrar os meus sentimentos, missão cumprida. Sou intensa, dou a cara a tapa e não tenho vergonha dos meus sentimentos. Luto todos os dias para que essa minha intensidade não sufoque ninguém, mas não me desculpo nunca. Não me desculpo por amar com todo o meu coração e por me dedicar a eles. Não me desculpo por tentar ser merecedora do presente de tê-los ao meu lado. Metade de mim foi construída através das ligações feitas com os que por mim passaram, a outra metade é o que o universo fez ao me trazer aqui. E não sei ser apenas a metade dada pelo universo. Preciso ser inteira, e só sou inteira se tenho aqueles que amo, ainda que apenas no meu interior. E não, vida, essa não é uma justificativa para que você venha e tire-os fisicamente de mim, é apenas a minha afirmação de que mesmo que você venha e leve a carne, o espírito dos que amo estarão sempre comigo. Posso não ter o direito de guarda-los em uma caixa física e posso não ter o poder de livra-los de todo o mal, mas andarei com eles a todo o momento. Mesmo que apenas espiritualmente, guardados na minha caixinha biológica, ou melhor dizendo: guardados no meu coração.
Izabel Neves
















