Fact-check: Rios da Vida e seus erros pt. II
Na Parte I, exploramos as imprecisões de James Forlong na seção sobre o mês de maio, focando nos ritos romanos, conforme apresentados em sua obra Rios da Vida. Agora, na Parte II, direcionaremos nossa atenção para a seção de mastros de maio do mesmo livro, continuando a checar a veracidade das alegações de Forlong.
Mastro de maio
Uma quermesse de aldeia com figuras dançando ao redor de um mastro de maio
O mastro de maio não era, em tempos, uma ninharia, pois era o símbolo do "Senhor da Vida"; era chamado de "Coluna de Maio (Maya, ou Maria) — o grande Estandarte da Justiça", termo aplicado apenas a Thoth ou Estatores de Júpiter, como este teutão TUISKOM.
Ligar "May" a "Maya" ou "Mary" neste contexto é um exagero significativo e não é corroborado pela etimologia convencional ou pela linguística histórica. "May" em "Maypole" (mastro de maio) refere-se, obviamente, ao mês de maio.
Sobre TUISKOM, esta conexão é altamente especulativa e carece de fortes evidências históricas ou mitológicas. Thoth é uma divindade egípcia associada à sabedoria, à escrita e à justiça. Estator de Júpiter é um epíteto romano para Júpiter¹, frequentemente invocado para manter a ordem ou impedir a fuga em batalha. Conectá-los a um "Estandarte de Justiça" em relação aos mastros de maio ou a um "TUISKOM" (provavelmente referindo-se a Týr ou Tuisto, divindades germânicas) desta maneira específica é uma teoria bastante marginal. Tuisto é um progenitor mítico dos povos germânicos mencionados por Tácito, não sendo tipicamente associado a um "Estandarte de Justiça" desta forma.
A coroa do nosso Rei, também, deriva da coroa fálica no topo do mastro de maio, o que significa que deveríamos chamar o próprio mastro de Mai — o termo francês, embora saibamos que May é a Rainha do dia.
Embora algumas interpretações vinculem os mastros de maio ao simbolismo fálico (devido à sua natureza vertical e associação com a fertilidade), derivar a origem da coroa de um rei a partir de uma "coroa fálica" em um mastro não é uma derivação histórica ou simbólica reconhecida ou aceita.
A razão pela qual Forlong faz tal exagero lógico é porque ele era um falicista – ou seja, sua abordagem no estudo da religião e da antropologia enfatizava o falicismo, ou a adoração e a representação simbólica do pênis e do poder reprodutor masculino, como um elemento fundamental e até universal nas origens e no desenvolvimento das religiões em diferentes culturas. Isso não era incomum com alguns primeiros antropólogos, influenciados pelas sensibilidades da era vitoriana, que projetavam suas próprias interpretações ou julgamentos morais em culturas antigas ou "primitivas", levando a uma ênfase exagerada nos aspectos sexuais. Não sei o quão apropriado é dizer isso em um texto sobre religião comparada, mas falicismo é o diabo do meu ódio... Felizmente, por razões que são óbvias até mesmo no texto que estamos analisando agora, o falicismo é hoje amplamente considerado uma abordagem ultrapassada e muitas vezes reducionista na antropologia contemporânea da religião.
Não sei nem o que comentar ou corrigir sobre o resto da frase. Talvez eu não seja tão inteligente quanto Forlong, ou talvez algo tenha me escapado, mas não vejo nenhuma correlação entre o mastro, o nome francês para maio (Mai), e a rainha do dia. Uma personificação de maio como rainha da primavera, talvez? Não faço a mínima ideia.
Isso é sem dúvida correto, visto que todos os povos chamam o masculino e o feminino — marido e mulher — indiferentemente pelo mesmo nome, assim como os judeus traduzem o Eduth, que outrora adoravam (em Êxodo 14:34) antes de terem uma arca ou testemunho, mas que ainda usam para "Testemunho", e como os irlandeses chamavam suas Torres Redondas de Fied Nemads, em homenagem aos objetos Lingam depositados em seus recantos mais secretos.
Sem dúvida correto? Uhum, claro... exceto que esta é uma generalização facilmente refutada! Embora algumas línguas possam ter raízes compartilhadas ou palavras com sonoridade semelhante, não se trata de um fenômeno linguístico universal, e a afirmação de que "todos os povos" fazem isso "indiferentemente pelo mesmo nome" é falsa.
"Eduth" (עדות) em hebraico significa "testemunho" ou "testemunha". É um termo usado no Antigo Testamento, por exemplo, para o "Tabernáculo do Testemunho" ou a "Arca do Testemunho", referindo-se à lei e à aliança divinas. Se você é bem familiar com a Bíblia, já deve ter notado que o texto original diz "Êxodo 14:34", embora Êxodo só vá até 31. Presumo que seja um erro de impressão na minha versão de Rios da Vida, ou talvez um erro do autor. De qualquer forma, não sei qual versículo específico Forlong menciona. A Arca da Aliança e as Tábuas da Lei são centrais para a aliança mosaica, que foi estabelecida após os eventos de Êxodo 14. Esta é uma distorção da narrativa bíblica.
Sobre "Fied Nemads", admito que não estou muito familiarizada com termos celtas, mas pesquisei o máximo que pude. Se alguém puder me corrigir (ou corrigir Forlong), por favor, mande-me uma mensagem. Pelo que vi, este termo específico e sua conexão com as Torres Redondas e os "objetos Lingam" não são reconhecidos nos estudos celtas ou na arqueologia tradicionais. "Nemads" (ou Nemeton) refere-se a bosques ou santuários sagrados no paganismo celta, mas não há nada que o conectem aos "objetos Lingam" (símbolos fálicos hindus). Isso parece ser um sincretismo forçado ou uma tentativa equivocada de conectar culturas díspares usando o maldito falicismo.
O mastro de maio . . . marcava a fronteira do ano, os limites do verão e do inverno, e ao seu redor disputavam duas tropas de jovens, um de inverno e o outro em trajes primaveris, estes últimos, é claro, vencendo com seus ramos triunfais e flores de maio. . . . Londres era muito famosa por seus mastros de maio; os paroquianos de St. Andrew's-under-Shaft erguiam todas as manhãs de maio um mastro mais alto que o campanário da igreja e, após as observâncias habituais, guardavam-no cuidadosamente sob o beiral de suas casas — construído de modo a protegê-lo.
Wow, finalmente algo correto! Palmas para Forlong.
Notas: ¹ - Fato divertido: Lívio em Ab Urbe Condita (1.12.5) conecta o nome Stator com o verbo sisto na oração de Rômulo a Júpiter feita no momento em que Rômulo jurou construir um templo: "Tira o terror dos romanos e impede sua fuga vergonhosa (deme terrorem Romanis fugamque foedam siste); aqui eu juro um templo a você, o Júpiter Permanecedor, para ser um lembrete para a posteridade de que a cidade foi salva com sua ajuda atual."














