Não há como não comentar este anúncio. Apenas dois dias atrás, toda a imprensa especializada brasileira noticiava que existia um impasse no governo federal sobre o tema da redução da meta de superávit primário. Segundo o jornal ‘O Estado de S. Paulo’, o ministro Joaquim Levy, contrário a ideia até então, tinha entre suas preocupações o fato de que a revisão neste momento seria pouco precisa e poderia sinalizar algum afrouxamento no ajuste, abrindo espaço para o aumento de gastos ainda neste ano.
Pois bem, no fim da tarde desta quarta-feira (22/7/2015), o ministro da Fazenda convocou entrevista coletiva e não só revisou para baixo a meta de superávit primário, como o fez para patamar bem inferior ao já esperado. Enquanto o consenso de mercado apontava uma redução da meta de 1,13% para cerca de 0,50% do PIB, o anúncio foi de uma nova meta de apenas 0,15%. Isso por si só já seria muito ruim, mas pode ser ainda mais grave se levarmos em consideração que este novo objetivo depende de uma projeção oficial de PIB de -1,49% para 2015, quando na verdade boa parte dos economistas já vê uma contração de pelo menos 2% neste ano.
Ou seja, a equipe econômica comunicou erradamente o momento da revisão; alterou-a para um patamar muito menor do que o esperado; e, ainda, deixou claro que isso depende de uma variação da atividade econômica muito mais otimista do que a estimada por uma boa parte dos bons economistas brasileiros.













