thread: I’ll take you to my honest place (w. narcissa)
Fazia tempo que Johann não se sentia tão normal. Quer dizer, normal dentro do que era possível para seus gostos e peculiaridades. Naquela noite tinha sido dispensado do turno de bartender do Pandemonium para participar de uma das lutas e se saíra estranhamente bem. Estava ficando melhor no corpo a corpo, o que lhe rendia o bônus duplo de fazer o uso de seus poderes apenas em momentos estratégicos (e portanto não se sentir tão exausto depois) e de ganhar aplausos e gritos da plateia ensandecida que adorava violência. Se fosse ser honesto, o alemão achava aquilo muito bobo. Sua família por parte de mãe era uma linhagem de pessoas e mutantes ridiculamente violentos (o que tornava ainda mais irônico o fato de poderes de cura estarem em suas genéticas) e ele não era exceção; quando criança e adolescente, se via uma briga onde pudesse entrar lá ele estava. Hoje em dia achava bem idiota, não tinha mais paciência ou energia pra essas coisas, não agora que tinha propósitos maiores para suas capacidades. Mas as gorjetas pagavam bem, ele precisava do dinheiro e, tinha que ser honesto, gostava de estar no centro do “espetáculo”. Era bom para o ego.
Além disso, naquela noite em particular existia um fator que mudava tudo: Narcissa estava lá para assistí-lo. Só isso já fazia com que o alemão se sentisse mais confiante e ridiculamente tentasse parecer mais atraente aos olhos dela. Seu comportamento ao redor da jovem era tão adolescente e bobo, o fazia se sentir vivo novamente. Era um pedaço de coming of age movie no cenário distópico que estavam vivendo, ainda mais depois do incidente no refeitório. Quando lutava fazia todo o teatro que os humanos gostavam: com um kimono de luta e uma bandana amarrada na cabeça para evitar que os cabelos caíssem sobre os olhos ele mais parecia uma versão magrela e desengonçada de um personagem de street fighter. Mas o teatro, e um puxão de seu uniforme aqui e ali que mostrasse qualquer pedaço de seu torso rendia gorjetas extras. Era pra isso que ele estava lá, óbvio. E não, ele não ficava refletindo se a australiana tinha gosto por toda sua performance, não mesmo.
Depois da luta, já com o bar fechado e depois de ele ter trocado a roupa por um de seus costumeiros jeans e camiseta que usava para trabalhar, eles ficaram ali batendo papo e bebendo sentados atrás do balcão até que Yohan ficasse mais embriagado do que tinha costume e se desequilibrasse ridiculamente ao tentar se levantar do chão. “Sissy...” ele chamou pelo apelido que só usava para ela na própria mente, rindo um pouco ao segurar no balcão tentando se manter estável “eu não tô sentindo mais nada, nem tinha percebido.” comemorou, a fala levemente enrolada. Não sabia se ela entenderia, mas se referia ao mal estar causado pela luta. Agora só sentia a tontura característica da embriaguez e uma leveza estranha que nem se lembrava de conhecer em sua rotina diária. “A gente tem que ir antes que nos descubram aqui e meu chefe me mate.” riu baixinho, estendendo a mão para ajudá-la. Alguma coisa em seu eu bêbado lhe dizia que a partir dali não soltaria mais; e nem era por uma questão de esperar que a jovem eliminasse suas toxinas em si. Ele simplesmente o faria do mesmo jeito se fossem apenas humanos comuns.