Jonathan Wang foi uma criança que teve do bom e do melhor na vida. Nasceu em Sacramento, Califórnia, filho de uma americana-coreana e um chinês. Seu pai, herdeiro de uma grande empresa farmacêutica de Shenzhen, estudou Administração na Universidade de Berkeley, onde conheceu sua futura esposa, na época estudante de Medicina. Dois anos após a oficialização da união, Johnny nasceu.
O garoto teve uma criação imersa nas duas culturas além da estadunidense. Sempre foi estimulado a praticar atividades extracurriculares, como taekwondo, kung fu, piano, baseball e até dança. Seu pai fazia questão de levá-lo à China nas férias de verão para ficar com os avós e a família. Sendo assim, não costumava a ver o progenitor durante esse tempo, o que sempre o intrigava e o frustrava até que, durante uma noite em claro, decidiu buscar pelo homem de madrugada. Ao chegar à cozinha da casa, deparou-se com uma poça enorme de sangue de um homem morto. O vô, o pai e o tio estavam acompanhados de um homem mascarado, que tinha uma faca consigo. Foi ali que abriram-se algumas portas do que seria seu futuro.
Johnny passou a ficar mais tempo em Shenzhen que em sua terra natal e a infância, antes programada para ser "comum", foi interrompida. Foi treinado desde cedo para entender todo o trabalho sujo que a família Wang fazia na Ásia e mostrava-se um verdadeiro prodígio. No entanto, o treinamento foi intenso ao ponto de ter sua personalidade e caráter moldados de forma que nunca mostrasse seu verdadeiro Eu para outras pessoas senão a família. Mais tarde descobriu que estava, na verdade, lidando com uma imensa máfia da tríade chinesa.
Apesar de passar a maior parte do tempo viajando, sua verdadeira casa era nos EUA, onde levava uma vida mais próxima do normal. Durante esse tempo, teve aulas de tiro dignas de treinamento militar e conseguiu estudar Administração na UCLA com uma bolsa de atleta. Entretanto, ao fim da graduação, recebeu o chamado de seu destino: Foi convidado diretamente pelo avô para cuidar da nova empresa da família como aprendiz.
Ao mudar-se para Seul, conheceu seu ex-marido e, como "presente" de casamento, recebeu uma proposta de emprego com a ajuda do avô e foi para uma ilha no meio do nada, onde se tornaria diretor executivo de uma Usina (Também sendo fornecedor de drogas na ilha). No entanto, com o fim do casamento, Johnny se tornou deprimido, o que abalou os negócios da família. O avô, então, decidiu que o neto se mudaria para bem longe e iniciaria um novo negócio. Precisava desesperadamente fazer daquela nova investida algo certo e duradouro, deixando qualquer sentimentalismo de lado. Alguns familiares foram enviados diretamente pelo avô para testá-lo ainda mais. Fundou um clube que servia de fachada para coisas ilícitas e distribuição de drogas e todo trabalho sujo que era obrigado a administrar, mas mais uma vez tudo deu errado.
Já não era de se esperar que precisaria se reinventar mais uma vez, e mesmo diante de todos os protestos do pai, enfrentou o avô que surpreendentemente viu toda a lambança que o neto estava fazendo e mesmo que aquilo desse ainda mais prejuízo, liberou o mesmo para que conseguisse tirar essas "férias" e entendesse de uma vez por todas que não havia uma maneira de sair de algo que já fazia parte de seu DNA. Mas a ilusão de deixar que fizesse o que bem entendesse era mais uma maneira de manipular o neto.
Por motivos de segurança, Jonathan mudou de sobrenome e precisou mudar também todos seus documentos. Agora carregando "Leung" escolheu o lugar mais remoto e incapaz (Na sua cabeça) de ser rastreado para dar continuidade a sua vida civil, sem qualquer contato com tríade ou sujeira. Na verdade, para se livrar de qualquer rastro, colocou-se a disposição da polícia local e preencheu a vaga de advogado, o que seria pura hipocrisia da sua parte, mas era a única maneira que via de recomeçar.