No meio da fenda me encontro Torto, desesperado Buscando saída em escombros Tentando ver se me acho. - Jorrian
seen from Algeria

seen from Türkiye

seen from Türkiye
seen from China

seen from Austria

seen from Malaysia

seen from Italy
seen from Brazil

seen from Türkiye

seen from Canada

seen from Sweden

seen from Malaysia

seen from United States
seen from Canada
seen from Austria
seen from United States
seen from China

seen from France

seen from Canada
seen from Sweden
No meio da fenda me encontro Torto, desesperado Buscando saída em escombros Tentando ver se me acho. - Jorrian
Na Margem
Na margem mais uma vez Observando o que não se vê Com olhos quaisquer Só o que posso ver Em tal imagem genuína No horizonte que só finda Parado a margem. Olhar distante Como aquilo que não posso ver Além da linha Onde inicia a imaginação E o sopro me leva A remover velhas vestes Encontrar abrigo em formas e cores Até que esteja Se assim for pra ser Na margem mais uma vez.
- Jorrian
Até o dia que vivi, foi tudo de boa Nada era demais, minha vida era pacata Meu conforto era básico, nada me abala muito O dia a dia era normal, não afetava em nada Sabia de tudo, que o mundo era injusto Que o sistema financeiro era uma fraude por si só Que o respeito era uma espécie de força tarefa interna nunca respeitada Que sonhos eram esmagados E que amores eram melhor se evitados Ainda assim, nada disso me estragava o dia Eu era meio que vazio Eu só sabia existir e mais nada Não me importava com os demais, nem importava se importam comigo Minha presença era como um vulto, sempre ali, mas não estando também Mas meus amigos gostavam de mim, eu não entendia o por que Era tudo satisfatório Até o dia em que vivi, foi tudo desse jeito Só que depois que morri tudo virou uma merda Senti o anseio que nunca havia sentido Queria fazer mil coisas que não fiz Me tornar um revolucionário filantropo Virar o mundo de pernas pro ar Morrer me fez entender que tudo que eu sabia e ignorava era o objetivo Não fiz nada, e nem saberia como fazer Eu não dava bola Agora tenho que escolher ser algo depois de morto Que decisão difícil Um universo tão vasto e tenho que encaminhar objetivos Morrer não é fácil Se eu pudesse ao menos ter sugestões Mas tô trancafiado num nada tendo de refletir Insuportável O pior é não refletir sobre o que não se fez Mas ser sobre o que se vai fazer No fim parece que a vida não tem fim Morrer só me trouxe mais possibilidade de viver Isso me irrita, queria minha vida pacata novamente Ou estar morto Mas tenho que decidir algo, aproveitar a inérsia Matutei por mais de ano E decidi que não fazia ideia Falei com Deus mas ele não me deu sinal, e isso era um mal sinal Sinal de que eu tinha de escolher, que saco! EU sou bom e não existir existindo, o que eu poderia decidir depois de morto? Foi aí que entendi uma coisa, que era óbvio Decidi ser uma alma vagante Afinal, não fazia ideia do que escolher Deus aceitou Fiquei contente, pois consegui achar uma decisão Mas não durou muito Pois um safado afortunado de dons decidiu cruzar meu caminho e me libertar Da tranquilidade de uma alma penada a burocracia cósmica Foi do nada Agora sou um burocrata de outra dimensão Analisando manuscritos sobre a vida dos outros Decidindo o que fazer com morridos como eu Que não faziam nada além de não existir existindo Até o dia em que vivi, foi tudo de boa Difícil mesmo foi morrer E ter mais vida pra viver. - Jorrian
Meu revólver não dispara Evito isso a todo custo Ando sempre com ele disposto na cintura Sou ágil e certeiro Mas evitarei a todo custo Todo mesmo Meu revolver me espera a muito tempo Mas se contenta com latas e alvos Não atingiu corpo de gente ou bicho Mantenho-me calmo para assim me manter Sereno sem querer ferir Torcendo pra que queiram o mesmo As ruas são cabulosas Sempre tem alguém predisposto a atirar Mas não eu, espero que isso não me custe a vida Sou ágil e sei disso, espero não tirar uma vida A passos eu vou, sem rumo É quente e os dias são longos Os frutos são bons e a culinária também Me sirvo o que posso se satisfeito me adianto Saio andando sem rumo de novo Pra forasteiro eu sirvo, então eu não durmo longo De pestana adiante eu sigo e meu revólver comigo Evito a todo custo, mas alvos são alvos Bum! Bum! Bum! Caem as latas uma a uma Evitar é fácil quando se esquiva Mas tem vezes que tem quem queira As ruas são cabulosas Me pegou de espanto e chamou num duelo Insinuando minha agilidade queria a prova Isso ou me matava ali mesmo Droga! Evito a todo custo Pego de surpresa não pude conter Os passos largos são dados, a contagem já era sabida O desafio era injusto, pois ele perderia Bum! Evitei o que pude, mas não pude evitar Meu revólver deitou um corpo, que ria sem parar Você me pegou dizia Um forasteiro me pegou Matei mais de setenta Evitei o que pude mas não pude conter A necessidade do homem em morrer Agora meu revólver dispara Evitarei o que puder mais uma vez Meu medo é depois da primeira Que mais loucos apareçam Querendo brincar Com um revólver que espera. - Jorrian @ojorrian
Meu alazão era dourado, era lindo e esbelto Atingia velocidades exorbitantes e me espantava Perdeu as asas em vinte e cinco de novembro era uma quarta e estava frio Antes disso voava solto como se dominasse a brisa Tinha uma face certeira de que iria onde quisesse Nada o dominava por isso o amava tanto Gostava de mim, por isso entendia seu anseio Não dava regras a ele, nós juntos éramos sincronia Por isso ele também entendia meu anseio Voar alto era o que gostaríamos Meu alazão relinchava brandamente de alegria Ao subirmos em colinas inóspitas E passarmos o dia observando Qual o próximo lugar que iríamos Perdeu as asas e isso foi um choque A dor dele eu podia sentir Sem voos, rasantes, e até piruetas Sua dor era escutada em seu silêncio Perdi as asas naquele instante Era uma quarta fria que ficou fria até em dias quentes Tudo mudou mas continuamos Meu alazão era forte, mas até sua força tinha tristeza E a tristeza pega firme quando pega Dois tristonhos buscando alternativas Eu cansado tentava animá-lo, mas ele estava cabisbaixo Meu alazão não queria mais nada Íamos a trote até a colina mais próxima, era pouco pra ele Eu entendia sua angústia O que fazer sem suas preciosas asas Eles estava desistindo gradualmente, dia após dia Sua força agora era quietude Até que tive uma surpresa Numa manhã de Fevereiro ele não estava lá quando acordei Foi a última vez que vi meu alazão Até hoje me pergunto se morreu, se fugiu Ou se a vida lhe deu asas de novo Agora eu carrego a dúvida e a dor Vagando sozinho e lento Sentido a brisa do vento e o sopro nas árvores Torcendo pra encontrá-lo Voando novamente. - Jorrian @ojorrian
Diego uma vez me disse para não cometer tolices Sempre fiquei com isso na cabeça Se porventura fosse me meter em enrascadas logo vinha tal informação Foi um tipo de guia Diego era um cara cheio de vida, sempre agitado e com algo pra fazer Foi até isso que nos afastou, eu era meio parado demais Vivia dizendo isso pra mim Dias atrás encontrei com ele Estava diferente, parecia abatido Perguntei o que houve, não me respondeu claramente Mas deu sinais, afinal falava meio que por códigos Entendi alguma coisa ou outra, lhe desejei melhoras E pedi que entrasse em contato por “qualquer coisa” Mais alguns dias se passaram, recebo uma ligação, era Diego Logo ele que me sugeriu não entrar em enrascadas, agora estava numa Marcamos de nos encontrar e foi aí que ficou estranho Chegando lá ele abriu o jogo
Cara tenho que te contar, eu vi uma cena surreal, eu estava dando uma volta no mato com mochila e tudo, sabe? Então eu vi um tipo de ritual onde tinham humano como sacrifício Uma coisa cabulosa, até aí tudo bem só que eu resolvi xeretar Usavam trajes folclóricos muito estranhos Eu não sabia que era sacrifício até querer ver mais, então fiquei assustado Aí perceberam meus movimentos e até falaram entre si Eu entendi que falavam de mim e os vi vindo em minha direção Não todos mas alguns Eu corri como um louco, mas juro cara, podia vê-los saindo de trás das árvores Como se seus movimentos fossem diferentes Até que cheguei na estrada
Era Lua cheia - Perguntei
Sim. - Respondeu - Acontece que não para por aí, algo aconteceu Depois daquilo me sinto paranoico, preciso saber se estou eu não
E como pensa em fazer isso - Perguntei
É aí que tu entra, tu vai ficar comigo, andar comigo Se for uma ilusão só eu verei, aí aceito que tô com pânico
Bom, parece sensato - Respondi
Foi nesse ritmo que começamos a semana Diego estava acabado, moído Eu pensei que era besteira dele Que estava chapado de alguma coisa, mas fiquei na minha Estávamos andando pela manhã perto de uma praça conversando tranquilamente, quando Diego muda completamente
Cara… Ali, ta vindo pra cá - Diz Diego
Eu fiquei apavorado quando ele disse e me pus a olhar Haviam mais pessoas na região, fazendo coisas de pessoas e não notei nada
Eu não vejo nada. - Falei para Diego
Tá, só vamos sair daqui agora- disse Diego, afoito.
Saímos e fomos para minha casa, lá ele ficou mais tranquilo Decidimos que teríamos de enfrentar aquilo, precisávamos sair de novo Afinal eu não havia visto nada. Estávamos no centro quando ocorreu novamente Só que dessa vez eu vi, um arrepio tomou meu corpo Eram humanos mas não pareciam Eram mal encarados e vinham em nossa direção Saímos correndo com toda nossa força e ao olharmos para trás Lá estavam eles acelerados Foi quando avistamos um policial
Estão nos perseguindo senhor - Disse Diego
O policial olhou e não viu nada
Quem está perseguindo? Perguntou o policial
Aqueles ali… - Diz Diego, apontando pra rua vazia
Vocês tão drogados? Perguntou o policial
Não senhor, quer dizer, parecia que estavam nos -perseguindo, desculpe o incomodo - Conclui Diego
Após mostrar a identificação aos policiais nos dispensaram e fomos para minha casa
Acha que é coisa de magia macabra? - Perguntei
Eu acho sim! - Respondeu Diego
Bom, se é isso, tenho de ligar para alguém - Falei É um médium espiritualizado e cheio de macetes pra essas coisas Vamos pedir pra andar com a gente
Gostei da ideia, só não entendo que diferença faz. Respondeu Diego.
Ligamos para o médium e ele topou, mas logo de primeira sugeriu algo que nos apertou de pavor Pediu para que andássemos por locais sem movimento, podendo ser até onde ocorreu o incidente do Diego Estávamos nos borrando de medo, mas topamos. Chegamos no local na hora marcada e lá estava o médium nos esperando perto das árvores
Quando vocês verem me avise - Falou o médium
Andamos um pouco, já era meio-dia quando então numa das árvores um vulto.
Ali - Disse Diego para o médium
O vulto tomou forma de gente e vinha lentamente em nossa direção O médium disse que não corrêssemos e assim o fizemos Ele começou a falar coisas estranhas, parecia um tipo de reza Então o homem ficou imóvel e o médium pediu que andássemos Andamos mais um pouco adentrando a mata e surgiram vários Uns bem como disse Diego, com roupas folclóricas bizarras O médium começou novamente suas rezas mas dessa vez não pareceu ter muito efeito Saímos correndo, desrespeitando o pedido do médium E até ele nos acompanhou Sempre que olhávamos para trás eles pareciam estar mais próximos de nós Pareciam deslizar Foi quando então caímos num lugar horrível
É aqui… - Disse Diego - É aqui que teve o ritual
Pelo cheiro e vestígios de sangue era ali mesmo Droga! - Pensei - Era real Haviam nos cercado, eram muitos E nós estávamos bem no centro De repente clarões, tochas se acenderam sozinhas O médium começou suas rezas, só que dessa vez com mais fúria na entoação Todos vinham andando em nossa direção Eram tão eretos, chegava dar inveja Aos berros e médium prosseguiu Repentinamente uns vieram correndo e no que vinham queimaram Foi um horror, eu e Diego só nos olhávamos apavorados Uns começaram a gritar antes de correr pareciam bichos, Eles avançavam e queimavam Até que um deles, de voz feminina deu um urro e todos pararam O médium se sentou no chão, fez uns rabiscos E provocou os homens, alguns vieram rapidamente E rapidamente incendiavam Novamente o urro, então o médium começou a falar
Vocês vão deixar os rapazes em paz, ninguém nunca viu nada, nem nós, nem vocês Trato feito?
Todos começaram a grunhir ferozmente, foi quando a voz feminina deu outro urro Eles começaram a deslizar para trás como um sopro leve E na sombra entre as árvores desapareceram Saímos de lá o mais rápido possível, chegando na estrada o médium perguntou
Você só bisbilhotou mesmo?
Sim, só que demais, ao menos é o que acho - Respondeu Diego
Eu não acreditava no que tinha visto, nem me pronunciei Antes de nos despedirmos o médium disse:
Não cometam tolices.
Uma frase que não esquecerei. - Jorrian
A noite está fria Eu e meu carro A gasolina é o limite Paro num posto, encho o tanque e peço um cigarro Saio calmo de lá pensando para onde vou Dou voltas pela cidade, é terça a cidade está morta Assim mesmo que eu gosto Observo as coisas, olhando aqui da pra entender O dia é um inferno Tantas lojas fechadas, consigo ouvir o ruído diurno só de olhar Sigo em frente, a noite recém começou Mudo as estações, Gosto de rádios Achei um blues, a madrugada vai ser boa Na zona Sul à zona Norte, cruzo perimetrais Uma paz, realmente é bom fazer isso Uma volta pra espairecer Avenida Farrapos com São Pedro, paro no semáforo Quando um estrondo… BLAAMMMM! Olho pra esquina, o banco estava sendo assaltado Vamo! Vamo! Vamo! De longe o som das sirenes começam Dobrei afoito e me pus longe dali o mais rápido possível A noite é pra ser tranquila No retrovisor observo a fuga Não sei se vão conseguir Bom, não é problema meu Foi um susto, mas tenho outros planos Pego a Freeway no sentido litoral Meu único objetivo, achar uma colina à beira mar Acelero um pouco, não sou de ferro Cento e vinte, cento e cinquenta Melhor reduzir, entro na primeira avenida Vou me guiar até achar essa bendita colina No caminho um furgão estragado, passo ligeiro Hoje é sem caridade Sentido praia dizia a placa, agora é só achar a colina O blues não para, já são três da manhã Sigo adiante, não demoro e encontro, é perfeita Paro meu carro, o céu está estrelado Se eu soubesse até diria que da pra ver inúmeras constelações Vejo as três Marias, isso já é alguma coisa. Deito no capo do carro, acendo um cigarro e tomo meu drinque Agora é só esperar um pouco mais, como é bom Assim, calminho esperando… Nessa noite fria Esse nascer do Sol. - Jorrian
Noites mal dormidas Vislumbrava um navio negro Era imenso e desolado Dele saiam formas em penumbra Elas vieram até mim Fiquei imóvel Me arrastaram a força até dentro do navio Num salão amplo me deixaram Sumiram na escuridão Que diabos de navio é esse - Pensei Quando um feixe de luz surge E então um clarão Um anjo aparece e eu sem entender O que quer comigo? - Perguntei Nada, apenas pegue Me entregou uma pena. O que faço com isso? - Perguntei Escreva Escrever o que? Não tenho nada na cabeça - Afirmei. Se tem eu não sei, a ordem era a pena. Ordem de quem? - Perguntei Do teu superior. Meu quem? VUSH! E sumiu Me deixou lá na escuridão com uma pena em mãos. As formas em penumbra voltaram e me levaram Largaram bem onde pegaram Ei, esperem o que faço com isso? - Perguntei Se não sabe como saberemos, haha Andei por um tempo sem entender O que faria com aquilo “Teu superior” Nem chefe eu tenho. - Balbuciei Andando na beira encontrei um papel A pena riscava e nem tinta tinha Sentei e escrevi Sabe-se lá o que escrevi Mas fui escrevendo e no fim entendi Bastava tinta e um papel Pra algo sair Fora do comum. - Jorrian